Cresce o número de estudantes estrangeiros nos EUA

Diane Smith
Fort Worth Star-Telegram

Cresce o número de estudantes estrangeiros que visitam os Estados Unidos, a despeito da intensa campanha governamental iniciada após os ataques terroristas de 11 de setembro. A conclusão está em um relatório divulgado nesta segunda-feira.

O número de estudantes internacionais que freqüentam faculdades e universidades cresceu 6,4%, garantindo ao ano de 2002 a marca recorde de 582.996, de acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Internacional de Educação, uma agência global de intercâmbio profissional e educacional. O relatório "Open Doors 2002", que foi financiado pelo Departamento de Estado, examina as tendências entre os estudantes internacionais.

Especialistas internacionais da área educacional e estudantes afirmam que os benefícios da obtenção de um curso superior nos Estados Unidos superam os temores relativos às novas leis de imigração e ao reforço da segurança. Além do mais, são inúmeras as alternativas de ensino superior nos Estados Unidos, desde cursos vocacionais até os grandes centros universitários.

"Os Estados Unidos são a primeira escolha para cursos superiores", afirma Allan Goodman, presidente e chefe-executivo do instituto.

Clement Taylor, 20, um estudante de informática vindo de Bahamas, afirma compreender a necessidade do reforço à segurança.

"Ninguém sabe quem irá iniciar um conflito ou uma revolta", diz Taylor, aluno da Universidade do Texas.

Seu curso contou com o quinto maior número de estudantes estrangeiros -- 2.310 -- no Texas em 2001 e 2002, de acordo com o relatório.

O Texas é o terceiro estado com maior número de estudantes estrangeiros do país, e registrou o maior crescimento de matrículas para alunos estrangeiros do ano letivo de 2000/01 para 2001/02: uma elevação de 17% conduziu este número a um total de 44.192.

A Universidade do Texas em Austin contava com a maior população estudantil estrangeira do Estado -- 4.673 -- enquanto a região de Dallas era a oitava colocada entre as áreas metropolitanas do país, com 9.390 estudantes inscritos em diversas instituições de ensino.

A Índia ultrapassou a China e tornou-se o principal país de origem de estudantes internacionais nos Estados Unidos, com 66.836 visitantes.

O relatório "Open Doors 2002" afirma que estudantes internacionais contribuem com aproximadamente US$ 12 bilhões à economia sob a forma de pagamento de matrículas, gastos regulares e outras atividades.

Os números são divulgados sob a atmosfera pós-11 de setembro, no momento em que o governo federal tenta fiscalizar todos os visitantes e acompanha de perto os estudantes estrangeiros. Faculdades e universidades assumiram uma responsabilidade maior no acompanhamento dos estudantes estrangeiros. As instituições de ensino devem informar quais são os alunos que abandonam os cursos. E a partir do dia 30 de janeiro, todas as instituições de ensino superior deverão integrar o sistema online de acompanhamento estudantil do governo, conhecido como SEVIS - Sistema de Informação para Estudantes ou Alunos de Intercâmbio.

O Serviço Americano de Imigração e Naturalização agora demanda que alguns visitantes estrangeiros -- entre eles os estudantes -- façam seu registro junto à instituição até o dia 16 de dezembro. Devem registrar-se todos os homens acima de 16 anos provenientes de Irã, Iraque, Líbia, Sudão e Síria -- países vinculados ao terrorismo.

"Até 11 de setembro, o Serviço de Imigração não concedia toda essa atenção aos estudantes estrangeiros. Eles tinham outras prioridades... O clima do país mudou do dia para a noite, literalmente", afirmou Clifford R. Thompson, um conselheiro para estudantes internacionais da Universidade Metodista do Sul em Dallas.

Mesmo assim, há ainda sinais de que o reforço da segurança surtiu algum efeito. Embora tenha crescido o número total de estudantes estrangeiros em cursos superiores americanos, decresce o número de estudantes provenientes de determinados países islâmicos, segundo revela uma pesquisa realizada pelo instituto neste semestre. Esta pesquisa verificou os efeitos de 11 de setembro sobre a educação internacional.

Em algumas universidades, o número de estudantes provenientes de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos caiu até 30%, afirmam os educadores.

"Acho que ainda é muito cedo para que saibamos qual a razão da queda", afirmou Goodman. Ele diz não saber ao certo se os estudantes resolveram não vir mais aos Estados Unidos ou se seus países de origem desaconselham a decisão.

Embora a pesquisa não seja destinada a encontrar as razões do declínio, educadores enumeram diversas razões em uma discussão do painel de mensagens de organização, e que vão desde a recusa de vistos até atrasos em alguns países.

Joanna McClellan, diretora-associada do escritório internacional da Universidade do Texas, afirmou que a população estrangeira de ensino superior continua a crescer. Entretanto, autoridades universitárias fizeram menção a atrasos devidos aos reforços de segurança promovidos pelo governo federal.

"Sei que hoje é muito mais difícil obter um visto em determinados países. Há listas de esperas para vários meses", afirma McClellan.

A força do dólar americano e a desvalorização de outras moedas nacionais talvez também tenham dissuadido estudantes que quisessem vir aos Estados Unidos. Outros podem ter optado por estudar na Austrália, no Canadá ou na Inglaterra caso seus vistos para os Estados Unidos tenham sido recusados.

Tradução: André Medina Carone Fort Worth Star-Telegram

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