Após garantir apoio da Otan, Bush busca aprovação da Rússica contra o Iraque

Benneth Roth
Houston Chronicle
Em Praga (República Tcheca)

Após assegurar o apoio da Otan para desarmar Saddam Hussein, o presidente Bush viajou para a Rússia para fazer lobby junto ao presidente Vladimir Putin para apoio à sua campanha.

Apesar da série de assuntos que será coberta pela conversa entre Bush e Putin, incluindo a decisão da Otan de acrescentar sete ex-países satélites soviéticos e a luta da Rússia contra os rebeldes tchetchenos, a questão do apoio de Putin aos Estados Unidos em qualquer campanha militar contra Bagdá provavelmente será o principal da agenda.

Putin tem relutado em apoiar uma invasão militar ao Iraque, em parte devido ao temor de que se Saddam for derrubado, Moscou nunca recuperará os bilhões de dólares que emprestou para Bagdá ao longo dos anos.

Mas na véspera do encontro perto de São Petersburgo, Bush prometeu na televisão russa que qualquer governo que venha a substituir o atual regime em Bagdá ainda estará obrigado a pagar quaisquer dívidas.

"Nós compreendemos que a Rússia tem interesses lá, assim como outros países", disse Bush. "E é claro que estes interesses serão honrados".

Mas Bush não detalhou como poderia garantir que o governo de outro país pague suas dívidas ou se os Estados Unidos ajudarão a arcar com alguns destes custos, como foi especulado.

O governo falou sobre estabelecer um comando militar temporário no Iraque após uma invasão, mas Bush disse na quinta-feira que "nós não temos o desejo de administrar o país".

"Nós trabalharemos para encorajar o desenvolvimento de uma nova liderança, que reconhecerá os direitos de todos os cidadãos que vivem neste país, e que manterá a integridade territorial do Iraque intacta", disse o presidente.

No encontro da Otan, Bush recebeu apoio moral, mas não um compromisso militar dos países europeus, ainda nervosos em ir à guerra contra o Iraque.

A declaração emitida pelos 19 líderes da Otan reafirmou a resolução das Nações Unidas que exige o desarmamento do Iraque, ou o país sofrerá "sérias conseqüências como resultado da contínua violação de suas obrigações".

"Os aliados da Otan permanecem unidos em seu compromisso de tomar ações para assistir e apoiar os esforços da ONU para assegurar o cumprimento pleno e imediato por parte do Iraque, sem condições ou restrições", disse a declaração.

Entretanto, a declaração não descreveu quais seriam as conseqüências para Saddam caso ele se negue a desarmar. E ainda há um desacordo entre os países da Otan sobre qual seria a resposta. As autoridades alemãs, por exemplo, reiteraram sua oposição ao envio de forças militares para Bagdá.

Bush, entretanto, conversou brevemente com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, que irritou o presidente ao criticar sua política em relação ao Iraque durante as recentes eleições alemãs.

"Nós nos saudamos cordialmente", disse Bush. "A Alemanha é uma importante amiga dos Estados Unidos. E temos um relacionamento a manter, e nós o manteremos".

Um assessor do governo disse que a Casa Branca ficou aliviada pelos alemães ao menos terem assinado as declarações da Otan em relação ao Iraque sem hesitação ou sem serem forçados.

Mais importante do que a declaração da Otan será a resposta de 50 países, que receberam pedidos formais dos Estados Unidos para detalhar que tipo de assistência estão dispostos a fornecer em caso de uma campanha militar contra o Iraque.

A conselheira de segurança nacional, Condoleezza Rice, se recusou a caracterizar a resposta até o momento.

"Os Estados Unidos estão a esta altura conversando com os países, consultando sobre o que poderá ser necessário, que capacidades poderão ser necessárias em caso de uma ação militar", disse Rice.

Mas até mesmo o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que tem sido um dos aliados mais leais de Bush, foi vago quanto ao compromisso de enviar tropas a Bagdá.

Na reunião com Bush durante a encontro em Praga, Blair respondeu a pergunta sobre se estava preparado para enviar soldados britânicos para o combate no Natal dizendo: "Nós faremos o que for necessário, tanto para nos proteger em casa, quanto para assegurar que a vontade das Nações Unidas seja cumprida no exterior".

Apesar da declaração da Otan não conter nenhum compromisso militar, os assessores da Casa Branca disseram que ficaram empolgados com o fato da comunidade européia ter chegado tão longe em tão pouco tempo. Poucos meses atrás muitos líderes estavam atacando publicamente a política de Bush para o Iraque.

E eles também disseram que a declaração da Otan em relação ao Iraque, assim como sua disposição de aprovar uma expansão sem precedentes do número de membros, são sinais de que os líderes europeus confiam mais em Bush agora do que quando ele foi eleito, quando foi ridicularizado como sendo um caubói sem talento diplomático.

Rice disse que a reputação de Bush cresceu com sua resposta ponderada aos ataques terroristas de 11 de setembro, e sua disposição de trabalhar com as Nações Unidas antes de agir contra o Iraque.

"Eles o conhecem melhor", disse Rice.

Enquanto o governo Bush buscava agressivamente a expansão da Otan, a Rússia tem se mostrado desconfiada de uma aliança militar que foi criada originalmente como uma defesa contra a antiga União Soviética.

Três dos novos membros eram repúblicas da antiga União Soviética. Três eram países satélites soviéticos, e a sétima nação acrescentada fazia parte da Iugoslávia. Parte da missão de Bush em São Petersburgo será assegurar a Putin que a Otan ampliada não será uma ameaça à Rússia.

Conselheiros da Casa Branca argumentaram que a admissão na Otan encorajará muitos destes países em dificuldades a fortalecer suas economias e democracias.

Tradução: George El Khouri Andolfato Houston Chronicle

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