Diplomata mexicano falha na busca de um acordo de imigração com os EUA

Dane Schiller

CIDADE DO MÉXICO -- Jorge Castañeda deixou seu cargo como secretário das
Relações Exteriores do México sem concretizar seu sonho de um acordo de
imigração abrangente com os Estados Unidos.

Mas Castañeda, que tem a reputação de inteligente assim como de arrogante,
ajudou a dar à questão um destaque inédito. Castañeda seguiu os passos de
seu pai, que também foi secretário das Relações Exteriores do México.

Ele anunciou sua renúncia na quarta-feira. Na sexta, o presidente Vicente
Fox nomeou o secretário da Economia, Ernesto Derbez, para substituir
Castañeda, que pretende retomar sua carreira de cientista político na
Universidade Autônoma Nacional do México.

Observadores prevêem que a saída do secretário não prejudicará as relações
entre os Estados Unidos e o México. Não é segredo que Castañeda, 49, estava
frustrado sobre as relações com os Estados Unidos. A guerra ao terrorismo
afastou qualquer possibilidade de se chegar em breve a um acordo para
melhorar as condições de vida e de trabalho dos imigrantes mexicanos nos
Estados Unidos.

"Castañeda é uma dessas pessoas dotadas, provocadoras, irritantes, que
levaram o debate sobre as relações exteriores para a arena pública
mexicana", disse John Bailey, professor na Universidade Georgetown em
Washington.

"Seu estilo e sua maneira de lidar com as coisas fizeram avançar
substancialmente o debate no México", disse Bailey, que considera Castañeda
a estrela dos primeiros dois anos de Fox na presidência. Ainda assim, a
decisão de Castañeda foi um enigma para Bailey. "Não sei qual é sua agenda",
ele disse. "O momento escolhido é um mistério."

Castañeda, que lecionou em universidades americanas, buscava um
relacionamento mais profundo entre Estados Unidos, Canadá e México. Ele via
a cooperação política, monetária e econômica da União Européia como um
potencial modelo para a América do Norte. Um acordo semelhante teria sido
sua conquista máxima no cargo, e uma grande ajuda para sua possível
candidatura à presidência.

Mas alguns afirmam que a tarefa de Castañeda estava destinada ao fracasso
desde o início. "Todo mundo se aborrecia com ele", disse Jorge González, um
economista da Universidade Trinity, no Texas. "As pessoas de esquerda o
consideram um traidor e as de direita não confiam muito nele devido a seu
passado", disse González, referindo-se às iniciativas de Castañeda para
reforçar os laços com os Estados Unidos.

Castañeda foi duramente criticado no México no ano passado quando criou uma
disputa com Cuba sobre as tentativas de fazer o líder cubano, Fidel Castro,
abandonar uma cúpula internacional em Monterrey antes da chegada do
presidente Bush.

Em outra ocasião, o jornal de esquerda "La Jornada" publicou uma foto de
Castañeda servindo água para o então senador republicano americano Jesse
Helms, da Carolina do Norte.

O jornal "Milenio" publicou na quinta-feira um editorial que zombava do
potencial e da arrogância de Castañeda. O texto sugeria que agora ele poderá
se dedicar a ensinar lingüística, doar suas células para clonar milhões de
mexicanos com sua inteligência, aderir ao programa de proteção de
testemunhas dos Estados Unidos ou escrever um livro sobre o governo Fox.

Enquanto o governo mexicano buscava um acordo de imigração, Castañeda disse
que queria "o prato completo", em vez de um acordo parcial ou de
compromisso.

Luis de la Calle, que ajudou a negociar o acordo de livre comércio para o
México e é diretor da firma de relações-públicas mexicana Public Strategies,
disse que a saída de Castañeda não vai perturbar as relações Estados
Unidos-México.

"Basicamente, o México e os Estados Unidos vão agir de acordo com seus
interesses", ele disse. "O principal são os interesses fundamentais desses
países, e estes não vão mudar."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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