Guerra com o Iraque pode prejudicar turismo em São Francisco e em toda a nação

Edward Epstein
San Francisco Chronicle

Washington - Uma guerra com o Iraque pode gerar um impacto prejudicial sobre a indústria do turismo em São Francisco e em todo o país, em um momento em que o setor ainda está lutando para se recuperar dos efeitos dos ataques terroristas de setembro de 2001, segundo declaração do chefe da convenvenção de negócios de São Francisco, feita para uma audiência nacional na última terça-feira.

John Marks, presidente do Departamento de Convenções e de Visitantes de São Francisco e diretor da Associação da Indústria de Viagens dos Estados Unidos, disse que os temores associados a uma guerra poderiam fazer com que os passageiros deixassem de voar.

"Uma guerra ocasionará a redução imediata das viagens aéreas internacionais. O número de vôos domésticos deve parar de crescer e, na melhor das hipóteses, permanecerá estacionado no mesmo patamar no decorrer de 2003", disse Marks, em um discurso feito na reunião anual da Travel Industry Association, em Washington, D.C.

Embora não tenha manifestado a sua opinião quanto a decisão norte-americana de desencadear uma guerra, Marks disse que, ao contrário da experiência enfrentada pelo setor de viagens com a Guerra do Golfo Pérsico, de 1991, contra o Iraque, "a grande incógnita desta vez é a reação psicológica da população norte-americana. Na primeira Guerra do Golfo, em nenhum momento nos defrontamos com a questão da ameaça terrorista em nosso solo".

Para São Francisco - onde as viagens e as convenções são a principal atividade - tal cenário sombrio surge no auge de um período de mais de um ano marcado por más notícias. A indústria turística movimentava cerca de US$ 7,5 bilhões (aproximadamente R$ 24,9 bilhões) na cidade, no ano de 2000, mas essa cifra caiu para algo em torno de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 19,9 bilhões). Esses dólares perdidos se traduzem em desemprego. A indústria do turismo, que empregava cerca de 100 mil funcionários, conta hoje com algo entre 60 e 80 mil trabalhadores.

Turistas de outras regiões dos Estados Unidos retornaram a São Francisco , e as convenções de negócios continuam a prosperar, mas os viajantes estrangeiros e os grandes empresários internacionais ainda mantém distância da cidade.

Em todo o país, o governo federal estima que o número de passageiros que utilizam empresas aéreas internacionais para vir aos Estados Unidos tenha 12% desde 11 de setembro de
2001. Acredita-se que tal redução tenha sido ainda maior em São Francisco.

Nas suas últimas estatísticas divulgadas, a Associação de Transporte Aéreo afirmou que o tráfego aéreo de passageiros domésticos caiu 14% em novembro com relação ao ano anterior, enquanto que o preço das passagens sofreu uma redução de 18%.

Mas nem todos engajados no setor de viagem estão passando por dificuldades. Para uma empresa como a CityPass, que vende carnês de tíquetes de descontos para museus e outras atrações
de São Francisco, os negócios têm sido bons. "As viagens domésticas de lazer estão aumentando, de forma que os meus lucros na verdade aumentaram", diz Mike Gallagher, presidente
da companhia, que também participou da conferência em Washington.

"Os quartos de hotel são baratos em São Francisco, de forma que esta é uma ocasião perfeita para se visitar a cidade", acrescentou Gallagher, que também vende passes em várias outras cidades.

A redução nas viagens de negócios não dá sinais de sofrer uma reversão, afirma Marks. O fenômeno já prejudicou as companhias aéreas porque o número de viajantes, que muitas vezes compram passagens caras de última hora, diminuiu. As empresas aéreas vêm sendo forçadas a reduzir o preço das tarifas executivas.

"Em algum momento, os indivíduos que viajam a negócios terão que voltar a sair e a vender mercadorias", disse ele, expressando a esperança de que a situação melhore. Marks disse que a indústria precisa estar pronta, com um "plano de resposta de guerra".

"Será fundamental que o setor de viagens fale em uníssono, como fizemos no passado. Contaremos com uma mensagem gerada por um amplo grupo de comunicadores da indústria de viagens a
partir de várias organizações. E teremos um plano para divulgar tal mensagem", disse ele.

Na Casa Branca, o porta-voz do presidente Bush, Ken Lisaius, não quis especular sobre os efeitos de uma possível guerra com o Iraque. "O presidente continua a trabalhar no sentido de garantir que o Iraque será desarmado, e é importante frisar, quando falamos sobre empregos, que ele, na semana passada, divulgou uma proposta detalhada sobre a promoção do crescimento econômico", afirmou.

Um motivo de esperança para São Francisco é que as obras de expansão do Moscone Center, no cruzamento das ruas Fourth com Howard, devem estar concluídas até o final do primeiro semestre. O departamento de convenções já tem agenda completa para shows até 2018 e afirma que agendou dezenas de eventos que, sem as novas instalações, não ocorreriam em São Francisco.

Tradução: Danilo Fonseca

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