ONU faz farsa de direitos humanos

do San Antonio Daily Express

Jonathan Gurwitz

Em outubro de 2001 a Assembléia Geral da ONU votou para conceder à Síria uma posição de membro não-permanente do Conselho de Segurança. A Síria estava então e continua na lista de patrocinadores oficiais do terrorismo do Departamento de Estado dos Estados Unidos; é um dos sete países assim designados. Cerca de 35 mil soldados sírios ocupam o Líbano desde 1975, onde protegem e apóiam diversas organizações terroristas, incluindo o Hezbollah e a Jihad Islâmica.

No último verão, a Síria assumiu a presidência temporária do Conselho de Segurança, 20 anos depois da brutal repressão a uma rebelião na cidade de Hama, onde cerca de 20 mil civis foram massacrados.

A hipocrisia moral das Nações Unidas atingiu um novo piso. Não poderia ser pior. Ou era o que supunham os ingênuos.

Na segunda-feira a Líbia assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da ONU. A mesma Líbia que há muito é acusada de graves abusos aos direitos humanos e ainda está sujeita a sanções da ONU pelo atentado a bomba contra um avião da PanAm sobre Lockerbie, Escócia, que matou 270 pessoas em 1988. A mesma Comissão de Direitos Humanos de 53 membros que em 2001, em um surto de indignação, retirou os Estados Unidos de suas fileiras por um ano, depois de mais de cinco décadas de participação contínua.

Nesta última farsa, 33 países votaram pela liderança da Líbia nos direitos humanos, três se opuseram e 17 países se abstiveram. Nunca saberemos como cada país votou, porque apesar da retórica bem-intencionada da Declaração Universal dos Direitos Humanos os patronos da Comissão de Direitos Humanos votam em segredo.

Eis por que, segundo a organização Human Rights Watch, nenhum membro decente da comunidade de nações daria um voto público para que a Líbia chefiasse a Comissão de Direitos Humanos: "Nas últimas três décadas o registro de direitos humanos da Líbia foi consternador. Ele inclui o seqüestro, desaparecimento forçado ou assassinato de opositores políticos; tortura e maus-tratos aos detidos; detenção duradoura sem acusação ou julgamento, ou depois de julgamentos grosseiros. A Líbia é um país fechado para as Nações Unidas e investigadores de direitos humanos não-governamentais", disse Joanna Weschler, representante na ONU da Human Rights Watch.

"Nenhum país tem um registro perfeito de direitos humanos, mas cada membro deve pelo menos demonstrar um verdadeiro compromisso em cooperar com as Nações Unidas sobre os direitos humanos", continua Joanna. A pequena autoridade moral que as Nações Unidas poderiam reivindicar é minada pelo absurdo de Muhamar Khadafi tornar-se o principal árbitro mundial de direitos humanos.

Mas o problema apenas começa com a Líbia. Outros membros da atual Comissão de Direitos Humanos incluem Cuba, Arábia Saudita, Sudão e Síria, citados pela Freedom House entre os nove países com os piores registros de sistemática negação dos direitos humanos. Eles são acompanhados na comissão por China e Zimbábue, flagrantes infratores dos direitos humanos.

Com a Síria tendo presidido o Conselho de Segurança e agora a Líbia chefiando a Comissão de Direitos Humanos, as pessoas racionais podem legitimamente duvidar de que a ONU possa ter qualquer função útil em lugares como Iraque ou Coréia do Norte. As Nações Unidas simplesmente não podem ser levadas a sério, e seu papel de promover a segurança e os direitos humanos
não pode ser considerado legítimo quando essas farsas se tornam lugar-comum.

Os Estados Unidos, porém, não precisam participar dessa hipocrisia. Dois anos atrás os Estados Unidos foram excluídos por voto da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Hoje os Estados Unidos devem se retirar desse órgão e cancelar qualquer apoio financeiro e diplomático até que os piores infratores dos direitos humanos sejam retirados de seus quadros, para não falar de sua liderança.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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