Mais de 50% dos nascimentos na Califórnia são de latinos

Tyche Hendricks
San Francisco Chronicle


A maioria das crianças nascidas atualmente na Califórnia é latina, um marco que aponta para o futuro perfil dos estudantes, trabalhadores e eleitores do Estado, segundo um estudo sobre registros de nascimentos conduzido pela Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Desde julho de 2001, mais da metade dos bebês californianos é latina, uma tendência que continuou até o final daquele ano, o período mais recente para o qual há dados disponíveis, segundo o Centro para o Estudo da Cultura e da Saúde Latinas da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que divulgou os dados na quarta-feira.

"A maioria demográfica latina, que por tanto tempo foi antecipada, finalmente chegou", afirma o diretor do centro de estudos, David Hayes-Bautista. "Em 2003, os indivíduos que compõe essa maioria estão aprendendo a andar, e logo aprenderão a falar."

A notícia não chega a ser nenhuma surpresa para os demógrafos, que têm observado o crescimento contínuo da população latina nas últimas décadas devido à imigração e aos altos índices de natalidade.

"Há um grande número de partos entre as mães latinas, não só porque existe uma quantidade cada vez maior de indivíduos dessa etnia no Estado, mas também porque os latinos têm uma taxa de fertilidade ligeiramente maior do que brancos, asiáticos e negros", afirma Laura Hill, pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas, da Califórnia.

Trinta e dois por cento da população total da Califórnia, que está em torno de 34 milhões de habitantes, é composta por hispânicos, segundo o censo de 2000. E os latinos estão superando rapidamente os afro-americanos como o maior grupo minoritário da nação.

Segundo Hayes-Bautista, à medida que essa nova maioria de bebês latinos for ficando mais velha, as questões relativas à sua etnia se tornarão as questões da maioria da população californiana.

Com base nos dados relativos aos nascimentos de 2001, pode-se afirmar que a maioria das crianças ingressando na pré-escola em 2006 será latina, assim como a maioria dos cidadãos aptos a votar em 2019.

"Se investirmos nessa nova maioria, o nosso futuro promete ser bom", diz Hayes-Bautista. "Mas se decidirmos não investir nesses indivíduos, as perspectivas para o futuro são sombrias".

A fim de fazer frente ao desafio representado pela maioria latina que se delineia no futuro próximo, a Califórnia precisa fazer um grande investimento em educação, não apenas construindo mais salas de aula, mas tornando as aulas relevantes e fazendo com que os alunos participem, afirma Carlos Munoz, professor emérito de estudos étnicos da Universidade da Califórnia em Berkeley.

"Ao invés de atacarmos a educação bilíngüe e de fazermos cortes de orçamento, deveríamos aumentar os recursos disponíveis para uma educação multicultural e baseada em vários idiomas", afirma ele.

O futuro da economia do Estado depende da força de trabalho latina, afirma Luis Arteaga, diretor interino do Fórum de Questões Latinas, em São Francisco. Os latinos apresentam uma tendência de contarem com rendas relativamente menores, o que afeta não só a sua qualidade de vida, mas também a arrecadação fiscal do Estado, diz Arteaga.

"Se essas crianças nascem no seio de famílias pobres, e se não contarmos com um sistema educacional que lhes permita um maior avanço econômico, não estaríamos, nesse cenário, criando as condições para a formação de uma sub-classe perene no Estado?", pergunta Arteaga.

Segundo ele, tais questões devem motivar mais latinos a se tornarem politicamente ativos na Califórnia. "Temos que nos mobilizar rapidamente para criar lideranças", adverte Arteaga. "Isso porque nós somos o setor da população que mais sente o impacto do problema".


Tradução: Danilo Fonseca

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