Carros do futuro são atração de conferência tecnológica

Benny Evangelista
San Francisco Chronicle/New York Times News Service


Monterey, Califórnia - Um carro não poluente apresentado como o futuro do setor automobilístico foi a atração, na quarta-feira passada, de uma conferência conhecida por apresentar novas tecnologias.

A General Motors ofereceu testes de direção com o Hy-wire, o seu protótipo de automóvel movido a célula de combustível, a várias das pessoas que freqüentaram a conferência Tecnologia, Entretenimento e Design (TED) deste ano.

O Hy-wire é um verdadeiro computador sobre rodas, dotado de telas de vídeo e câmeras de televisão que substituem os espelhos laterais e retrovisores, além de botões que colocam o câmbio automático nas posições "parking" (estacionado), "reverse" (marcha-ré) e "drive" (dirigir).

Mas é aquilo que está no interior do chassi do Hi-wire - chamado de "skate" - que gera o maior interesse pelo TED, especialmente no atual período, em que os preços da gasolina disparam e os Estados Unidos se preparam para entrar em guerra com o Iraque.

O veículo Hy-wire de demonstração é movido por células de combustível a hidrogênio, que criam eletricidade a partir da reação química entre hidrogênio e oxigênio. O processo produz apenas vapor d'água e calor, sem emitir qualquer substância poluente.

O carro a célula de combustível se constituiu na primeira de várias novas tecnologias, conceitos e idéias a serem apresentados a mais de 800 pessoas que assistiram à 13ª TED, uma conferência que serviu de plataforma para o lançamento de inovações tecnológicas como o Macintosh e o disco compacto.

O evento de quatro dias, realizado anualmente no Monterey Conference Center, atrai nomes proeminentes do setor empresarial, artes, educação, ciência e música.

O interesse no Hy-wire, que a General Motors apresentou em setembro no Paris Motor Show, aumentou após o discurso do estado da União, do presidente Bush, em janeiro deste ano. Bush propôs um programa de cinco anos, no valor de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 4,27 bilhões), para pesquisas com veículos movidos a célula de combustível, a fim de reduzir a dependência dos Estados Unidos no petróleo importado.

O discurso presidencial foi um alento para Adrian Chernoff, membro da equipe da GM que projetou o Hy-wire. "Eu esperava que ele modificasse o mundo", afirma Chernoff, que trabalho para a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) e projetou montanhas russas e tobogãs para os parques temáticos da Disney antes de ingressar na GM.

Mas o Hy-wire não vai modificar nada por vários anos. O caro protótipo ainda está na fase de desenvolvimento, e a GM não espera produzir modelos que possam começar a aparecer nas vitrinas das revendedoras antes de 2010.

Um grande obstáculo para a difusão do Hy-wire é a carência de infra-estrutura para reabastecimento e manutenção dos carros a célula de combustível, afirma Chernoff.

Segundo ele, o Hy-wire é uma possibilidade para o futuro da indústria automobilística.

Projetado da estaca zero, a fim de que fossem inventados novos padrões automobilísticos, o Hy-wire não possui o tradicional volante circular, alavanca de câmbio, pedais de freio ou de acelerador. Ele não tem sequer um compartimento para o motor.

Ao invés disso, o sistema de propulsão está contido no chassi achatado, que é dotado de um espaço aberto onde normalmente estaria localizado um motor de combustão interna.

A carroceria do carro fica presa ao topo do chassi, o que, em um sistema de produção em massa, poderia permitir que um chassi padrão recebesse vários tipos diferentes de carroceria.

O motorista controla o automóvel movimentando um volante que parece com aquele de um avião, ou uma "borboleta mecânica". Toda a unidade de controle do automóvel pode ser deslocada do lado do motorista para o do passageiro.

O acelerador e o freio são controlados por manetes instaladas a cada lado do volante, de uma maneira similar ao sistema de uma motocicleta. Um monitor de 5,8 polegadas no volante traz a imagem daquilo que se passa atrás do carro. A imagem é gerada por uma pequena câmera de vídeo instalada sobre o porta-malas.

Os testes de direção são feitos em uma área de estacionamento da pista de corrida Mazda Raceway Laguna Seca, e a velocidade do automóvel fica limitada a 65 Km/h por questões de segurança. O carro e capaz de atingir uma velocidade de 145 Km/h, e tem uma autonomia de cerca de 130 quilômetros.

E, ao contrário de carros ruidosos como o potente Corvette, que outros participantes da TED experimentaram na pista, o Hy-wire emite um ruído quase imperceptível.

Os motoristas dizem que demora um pouco até que se habituem ao volante, à aceleração e à frenagem feitas somente com as mãos. Vários motoristas tentaram instintivamente usar os pés.

"É como o primeiro jogo de computador que usei na vida", diz John Barabba, ex-diretor de um hospital de Los Angeles que participou da conferência. "Se uma criança de sete anos de idade for capaz de dominar um jogo de computador, ela será também capaz de dirigir este carro".


Tradução: Danilo Fonseca

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