Tratamento de câncer da mama dura apenas cinco dias

Carolyn Poirot
Fort Worth Star-Telegram


Linda Colston estava muito ocupada para dedicar seis a sete semanas a uma radioterapia, Glenda Wooldridge morava muito longe e Debbie Shelton queria apenas apresar ao máximo o seu tratamento de câncer de mama, de forma que pudesse retornar à sua vida normal.

Todas as três mulheres optaram por passar pela cirurgia conhecida como "lumpectomia", que preserva os seios, no Hospital Metodista Harris, em Bedford, no Texas, seguida por uma nova forma de radioterapia que dura apenas cinco dias, comparada às seis ou sete semanas do tratamento radioativo convencional.

Com o Sistema de Terapia por Radiação MammoSite, a radiação é aplicada diretamente sobre o local do tumor por meio de um tubo pequeno e flexível, ou cateter, ligado a um balão de látex, que é inflado com uma solução salina a fim de preencher a cavidade da qual o tumor foi removido.

O balão desinflado de látex é instalado no local durante a lumpectomia ou pode ser guiado por computador dias após a cirurgia que preserva o seio, sendo depois inflado com solução salina. A extremidade de entrada e saída do cateter é envolvida com um material especial, e o balão permanece inflado enquanto a paciente é submetida à radiação - duas vezes por dia, durante cinco dias.

Uma diminuta cápsula radioativa é ligada a um arame e inserida através do cateter no balão inflado. Ela libera a dose prescrita de radiação interna diretamente na cavidade, onde a recorrência da doença tem mais probabilidade de ocorrer.

Os efeitos colaterais são limitados à área imediatamente em torno do local da lumpectomia, minimizando a exposição à radioatividade do tecido saudável nos seios, pele, costelas, pulmões e coração, explica Janice Tomberlin, oncologista especializada em radioterapia, que está administrando o novo tratamento.

O MammoSite se constitui em uma evolução da braquiterapia, que consiste na inserção de cápsulas radioativas diretamente sobre o tumor ou em áreas adjacentes a ele, afirma Tomberlin. A braquiterapia é utilizada com maior freqüência no tratamento do câncer de próstata, e também em casos de câncer de pulmão, útero e cérebro.

"A braquiterapia não é uma técnica nova. Fontes radioativas são implantadas no corpo humano desde 1898, mas o método atual foi desenvolvido especificamente para o câncer da mama e envolve o uso de um balão para manter a cavidade do tumor aberta enquanto a radiação é aplicada", explica a médica.

A radiação é o tratamento padrão que se segue à lumpectomia, o termo popular para o tipo de cirurgia que remove somente o tumor, ao invés do seio inteiro, como ocorre na mastectomia.

O MammoSite reduz a duração do tratamento de seis ou sete semanas para apenas cinco dias, afirma Mary Brian, cirurgiã de mama que trabalha com Tomberlin.

"Nos últimos 20 ou 30 anos, o tratamento do câncer da mama foi direcionado para as técnicas de conservação do seio, como é o caso da lumpectomia, juntamente com a radioterapia, ao invés de se partir para a remoção total do órgão", diz Brian.

Vários estudos pioneiros iniciados há mais de 20 anos demonstram que a cirurgia que poupa o seio seguida de radioterapia é tão eficaz quanto a mastectomia em mulheres cujos tumores não se disseminaram pelo corpo.

Colston, que trabalha com fonte e logísticas para a Nokia, diz que deixou a Finlândia três dias após a sua cirurgia e viajou com uma mala por toda a Europa durante duas semanas antes de retornar para a sua casa, em North Richland Hills, a fim de dar início às suas sessões de radioterapia duas vezes por dia.

"No meu trabalho faço muitas viagens, a maioria para a Finlândia, Brasil e México", diz Colston, de 51 anos. "Fiquei chocada e lutei contra a verdade quando descobri que tinha câncer da mama. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que era uma pessoa muito ocupada, sem tempo para lidar com tal problema".

Durante o tratamento MammoSite, Colston trabalhou em um projeto na sua cidade, de forma que pudesse freqüentar o Edwards Cancer Center, adjacente ao Hospital Harris, no caminho do trabalho, onde entra às 8h15, e, novamente, de volta para casa, às 16h30, todos os dias. Cada sessão levou menos de dez minutos.

"Para mim, não havia dúvida. Eu não queria vir ao hospital todos os dias durante seis semanas para fazer radioterapia", conta Colston.

Já para Glenda Woodridge, de 68 anos, o tempo de deslocamento até o hospital se constituía em um obstáculo para a radioterapia. Ela mora na pequena cidade de Newcastle, cerca de 160 quilômetros a oeste de Forth Worth e 95 quilômetros ao sul de Wichita Falls, o centro de radioterapia mais próximo.

Mas a sua filha mora em Euless, no Texas, e Wooldridge conta que escolheu o MammoSite porque poderia ficar com ela enquanto fizesse o tratamento duas vezes por dia.

"Me senti simplesmente afortunada pelo fato de eles terem descoberto o meu câncer quando este era ainda bem pequeno, de forma que pudesse me submeter a esse tipo de tratamento", diz Wooldrige, enquanto se prepara para ir para casa passar o fim de semana. "Voltarei na segunda, na terça e na quarta-feira e pronto, estará terminado".

O tratamento traz melhores resultados para mulheres cujos tumores tenham até três centímetros de diâmetro. Debbie Shelton, de 50 anos, diz ter falado bastante com Brian e Tomberlin sobre as opções disponíveis de tratamento, e que não teve dúvidas de que queria uma lumpectomia com radiação, ainda que o seu oncologista inicial recomendasse radioterapia total no seio e quimioterapia.

"Sei que com a lumpectomia e o MammoSite, ainda há uma chance de 30% de que o meu tipo de câncer de mama possa retornar, mas não podia me ver tomando doses maciças de radiação, perdendo o cabelo e ficando nauseada e doente com a quimioterapia, para contar com apenas 10% a mais de chance de não haver recorrência", diz Shelton, editora de propaganda da Southwestern Bell, que mora em Bedford.

"Descobri o meu câncer no início da doença e apliquei a radiação internamente, no ponto em que estava o tumor. Não creio que ele tenha tido chance de se disseminar", afirma. "Tudo o que queria era terminar o tratamento bem rapidamente e retornar à minha vida normal".

"Foi uma boa decisão para mim. E isso é o fato mais importante quanto a tudo isso - nós mulheres precisamos fazer os nossos mamogramas de forma que o câncer da mama possa ser detectado precocemente, quando contamos com melhores opções de tratamento.

"Ouço certas mulheres dizendo que nunca fizeram um mamograma ou que o último que fizeram foi há anos, e imediatamente começo a dizer-lhes o quanto é importante fazer o exame regularmente", afirma Shelton.


Tradução: Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos