Médicos buscam aperfeiçoar diagnóstico de desordens mentais de crianças

Marina Pisano
San Antonio Express-News/The New York Times

San Antonio, Texas - O diagnóstico preciso da desordem de atenção e hiperatividade (ADHD, na sigla em inglês), da desordem bipolar ou da depressão em crianças e adolescentes se constitui muitas vezes em um desafio para os médicos, mas formas mais sensíveis e sofisticadas de imagens por ressonância magnética (MRI, na sigla em inglês) estão abrindo novas possibilidades para o entendimento e a identificação dessas anomalias.

Dois cientistas do Centro de Ciências de Saúde da Universidade do Texas estão realizando estudos utilizando técnicas não invasivas de neuroimagens que revelam o que ocorre no cérebro quando tais distúrbios estão presentes. A esperança dos pesquisadores é que isso torne o diagnóstico mais preciso e algum dia revele se tratamentos específicos estão surtindo efeito.

Ambos os estudos estão contando com a participação de crianças e adolescentes selecionados na área de San Antonio. Na sua pesquisa sobre a ADHD, patrocinada pelo Instituto Nacional de Saúde, Steven R. Pliszka está utilizando MRIs funcionais, que utilizam softwares diferentes daqueles empregados nas MRIs comuns, a fim de determinar variações nos níveis de oxigênio e de atividade sangüínea quando uma parte específica do cérebro é usada.

Trabalhando com um grupo de controle formado por adolescentes que não padecem da ADHD e um outro de portadores do distúrbio, Pliszka e sua equipe fizeram com que os voluntários realizassem testes do tipo "parar e começar" enquanto eram feitas MRIs. Uma tela sobre as cabeças dos pacientes, dentro da máquina, exibia letras, e os adolescentes reagiam a elas pressionando o botão da esquerda para a letra "A" e o da direita para a "B". Cerca de 25% das vezes a letra "S" piscava logo após o "B" e, quando isso ocorria, os participantes não podiam apertar nenhum dos botões.

"Esse é o tipo de tarefa difícil de ser realizada pelas crianças com ADHD, já que, para elas, é difícil inibir ações", explica o chefe da divisão de psiquiatria infantil. "Eles não contam com controle de impulsos".

Quando os adolescentes se empenhavam em tentar não pressionar os botões, o lobo frontal direito do cérebro ficava iluminado na máquina e exibia uma forte atividade no grupo de controle formado pelos que não padecem de ADHD. Já naqueles com ADHD, havia uma ausência de atividade na mesma região cerebral.

"Sabemos que os lobos frontais têm um papel fundamental nesse processo", afirma Pliszka. "O que se constituiu em uma grande surpresa foi verificar que a atividade ocorre nitidamente no lado direito. O lobo frontal direito é importante para a função inibidora. Isso nos ajuda a isolar o mecanismo".

O estudo de Pliszka vai incluir 125 crianças e adolescentes, cujas idades variam entre nove e 15 anos. Aqueles pais que acreditam que seus filhos sofram de ADHD podem inscrever as crianças na experiência. Ele está estudando também crianças que não sofrem de ADHD mas que padecem de dislexia.

Ao mesmo tempo, Jair C. Soares, chefe da divisão de desordens de ansiedade e humor, está estudando crianças e adolescentes que sofrem de desordem bipolar (também chamada de psicose maníaco-depressiva) e depressão com dois tipos de neuroimagem. Ele está utilizando MRIs para verificar se há quaisquer alterações anatômicas no cérebro, e a espectropia por ressonância magnética (MRS, na sigla em inglês), para estudar aspectos da química cerebral.

Soares, professor de psiquiatria e radiologia, pretende estudar 60 crianças e adolescentes com desordem bipolar e 60 com depressão, cujas idades variam entre oito e 17 anos. Foi só nos anos recentes que a psiquiatria reconheceu que crianças novas podem sofrer dessas doenças.

"Não nos importamos com que os pais nos liguem se apenas suspeitarem que seus filhos apresentem esses distúrbios", explica. As áreas envolvidas nessas desordens estão situadas em áreas profundas do cérebro, incluindo partes do lobo frontal e da região límbica.

Nesta pesquisa, a MRS mede o sinal magnético vindo de uma região determinada do cérebro e desenha um gráfico que exibe uma série de picos. Cada pico no gráfico corresponde a uma substância química cerebral. Quando mais alto o pico, maior a quantidade da substância.

Conforme explica Soares, os níveis de N-acetil-aspartato, ou NAA, são altos nos cérebros saudáveis. "Portanto, se um pico é menor em uma pessoa que sofra de depressão, sabemos que algo ocorreu para causar algum tipo de encurtamento do neurônio ou alguma alteração das suas funções", afirma.

Pais e filhos selecionados para participar em qualquer dos dois estudos recebem uma compensação pelo tempo despendido, e as crianças e adolescentes contam com uma avaliação médica completa gratuita. Para o estudo da ADHD, é só ligar para (210) 567-5484. Já para depressão e desordem bipolar, o número é (210), 567-0780 (ambos os números são nos Estados Unidos).

Soares acredita que a neuroimagem seja uma enorme promessa não só para que se chegue a melhores diagnósticos e tratamentos mais previsíveis, mas também para que se identifiquem as causas da desordem bipolar e da depressão.

"E, se soubermos as causa, poderemos contar com métodos de tratamento mais focalizados". Danilo Fonseca

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