Legisladores de Nova York discutem "imposto da gordura"

Erin Duggan
DE ALBANY, Nova York Albany Times Union

Utilizando uma esteira de exercícios de US$ 3.300 e uma bicicleta ergométrica de US$ 1.700 como exemplos básicos, os legisladores republicanos do Estado disseram que os nova-iorquinos seriam mais beneficiados por uma dedução do imposto de renda para ajudar na compra de equipamentos de exercícios físicos e na inscrição e no pagamento de programas esportivos do que por programas contra a obesidade financiados por impostos sobre os alimentos do tipo "junk food" (alimentos de baixo valor nutritivo).

Em uma conferência para a imprensa onde não faltaram manifestações de política partidária, mas faltaram os detalhes sobre o projeto de lei, o membro da Assembléia de Nova York, James Tedisco, republicano do condado de Schenectady, afirmou na última quarta-feira que o projeto chamado de Dedução de Imposto de Renda para a Aptidão Física seria a "guloseima" que estimularia os nova-iorquinos a se exercitarem. Os contribuintes que freqüentam academias de ginástica, que compram equipamentos esportivos ou que matriculam os filhos em programas esportivos se beneficiariam com uma dedução de até US$ 500 no imposto de renda.

Devido ao fato de não haver no projeto de lei limites de renda ou diretrizes quanto à cobertura, ela poderia abranger até as despesas com clubes campestres.

"Podemos atingir de melhor forma a meta de modificação comportamental oferecendo recompensas à população que aderir", argumentou Tedisco.

O projeto foi lançado em resposta à aprovação na Assembléia, no mês passado, do Programa para a Prevenção de Obesidade Infantil, proposta do Partido Democrata que também conta com o apoio da maioria republicana no Senado Estadual. O projeto inclui educação nutricional e programas de atividade física que envolvem a participação dos pais, e conta com campanhas de promoção da saúde dirigidas a crianças e adolescentes. A prevenção do obesidade seria incorporada a uma série de programas governamentais.

Na semana passada, o patrocinador do projeto na Assembléia, Felix Ortiz, democrata do Brooklin, propôs que se acrescentasse um imposto de até 1% sobre o consumo de "junk food", vídeogames e propagandas de televisão - os três fatores mais citados quando se fala em estímulos à obesidade.

O Centro para a Prevenção e o Controle de Doenças considera atualmente a obesidade como sendo uma epidemia. Sessenta e um por cento dos estadunidenses estavam acima do peso ideal ou eram obesos em 1999. O Departamento Federal de Saúde estima que a obesidade cause cerca de 300 mil mortes anualmente nos Estados Unidos.

Ortiz disse que o imposto - que atualmente vem sendo chamado de "fat tax" ("imposto da gordura") - seria uma forma de o Estado investir diretamente na educação para o combate e prevenção contra a obesidade sem precisar usar dinheiro do fundo geral ou daqueles contribuintes que optarem pelo consumo de alimentos saudáveis.

Segundo o departamento, as mulheres de baixa renda tem uma probabilidade 50% maior de terem peso acima da média do que as mulheres de classe econômica mais elevada. Embora a renda seja um fator menos importante para o peso dos homens, as crianças de etnias classificadas como "não brancas" possuem também uma maior propensão à obesidade nas faixas de menor renda.

Tedisco e o senador Hugh Farley, republicano de Niskayuna, admitiram que a dedução proposta no imposto de renda tem como alvo a classe média. As famílias seriam capazes de pagar antecipadamente as mensalidades de academias e clubes esportivos, e aguardar pela dedução do imposto de renda. Os legisladores não contam ainda com uma estimativa sólida de quanto a lei custaria ao Estado, que passa por um período de dificuldades financeiras.

Segundo Tedisco, há espaço para negociações, já que nenhum dos projetos de lei será definitivamente votado até 2004. Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos