Veteranos temem que fogos de artifício possam desencadear trauma

Yvonne Wingett
The Arizona Republic

No Vietnã, Robert Curley sobreviveu a bombas e a tiros. Agora ele teme que tenha que reviver tal terror em 4 de julho, quando a cidade comemora a independência dos Estados Unidos soltando fogos de artifício no Parque Steele Indian School.

Ele faz parte do grupo de veteranos que mora na região centro-norte do Parque Phoenix, incluindo aqueles que estão no Centro Médico de Administração de Veteranos Carl T. Hayden. Eles temem que as estrondosas explosões e as cintilações luminosas desencadeiem a desordem do estresse pós-traumático que trouxeram consigo da guerra.

"É como em uma situação de combate. A adrenalina começa a fluir e você passa a querer reagir por instinto", diz Curley, de 54 anos. "Você procura um inimigo para liquidar, porque sabe que eles estão querendo te destruir. Quem organizou o evento com certeza teve boas intenções , mas realmente não pensou muito bem sobre as possíveis conseqüências", critica.

As autoridades de Phoenix acreditavam ter encontrado o local ideal para o evento de 4 de julho, e esperam 200 mil visitantes em Phoenix. Mas o que eles não previam era a ansiedade que tomaria conta dos veteranos.

Funcionários do Departamento de Parques e Recreação de Phoenix "consultaram o hospital", e os administradores da instituição "jamais indicaram que haveria a possibilidade de os fogos causarem problemas para os veteranos", justifica Jessica Florez, presidente do Conselho Municipal da cidade de Phoenix.

Para os moradores da Casa dos Veteranos do Estado do Arizona, o evento não será um problema, segundo a diretora de enfermagem, Lisa Thomas. "Os veteranos daqui querem ver os fogos", afirma.

Segundo os especialistas, quando a desordem de estresse pós-traumático se manifesta no paciente, ela pode se tornar incapacitante. Certos sons e odores, tais como estouros de descargas de automóveis, podem desencadear reações explosivas. O sistema nervoso sofre um estímulo e, em determinadas ocasiões, uma crise de ódio absoluto pode tomar conta do paciente. Cerca de 17 mil veteranos diagnosticados com a desordem são tratados pelo centro médico.

"É realmente algo como sonhar de olhos abertos", explica David Leicken, chefe do departamento de saúde mental do centro. "A consciência quanto a tudo o que está ao redor diminui temporariamente e, no decorrer desses poucos minutos, eles revivem algo que lhes aconteceu no passado".

Algumas vezes, explica Curley, as cenas do passado fazem com que eles "procurem machucar alguém".

"O indivíduo adota uma postura de caça e de sobrevivência", afirma, acrescentando que vai "ficar trancado em casa" quando os fogos começarem a estourar.

Considerando que o prédio de seis andares do pavilhão psiquiátrico do centro médico é isolado acusticamente, a equipe de médicos e enfermeiros acredita que não haverá problema para os pacientes lá internados.

"Nós nos certificaremos de que os pacientes recebam todos os cuidados necessários", diz Leicken. "Não creio que será possível encontrar qualquer lugar no vale onde os fogos não afetem os veteranos." Danilo Fonseca

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