EUA têm poucos dirigentes esportivos negros, diz pesquisa

Dave Caldwell

Richard Lapchick, que estuda as tendências da diversidade racial no esporte, na Universidade do Centro da Flórida, já sabia que os afro-americanos estavam sub-representados em papéis importantes nos programas de futebol americano das universidades do país. Lapchick e sua equipe de pesquisadores revelaram, na segunda-feira (22/12), as dimensões dessa sub-representação em um relatório.

O relatório revelou que somente quatro dos 117 times da Divisão I-A de futebol americano tinham técnicos afro-americanos na última temporada do esporte, e que, nos jogos pós-temporada, somente um dos 56 times tinha um técnico negro: Karl Dorrell, da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

A equipe de Lapchick revelou que somente 19 dentre as 336 funções que envolvem tomada de decisão - menos de 6% - nos 56 programas foram desempenhadas por pessoas definidas como "não brancas".

Os tomadores de decisão foram definidos como presidente, diretor atlético, representante atlético acadêmico, técnico principal, e coordenador ofensivo e defensivo.

Somente 13 dos 56 programas tinham pessoas que não eram brancas desempenhando pelo menos uma dessas funções. Somente um time, o da Universidade Bowling Green, tinha um presidente afro-americano. Somente seis dos 112 coordenadores ofensivos e defensivos eram negros, embora o estudo revelasse que 51,4% dos jogadores desses 56 times fossem afro-americanos.

"Creio que é um sinal desencorajante", disse Lapchick em uma entrevista por telefone.

Mas, segundo Lapchick, que também é diretor do Instituto pela Diversidade e Ética no Esporte, há também alguns poucos sinais encorajadores. Por exemplo, oito programas universitários de futebol americano graduaram pelo menos 59% de atletas negros.

Entre eles estavam cinco programa que contavam com um afro-americano, um hispânico ou uma mulher como diretor atlético: Universidade do Sul da Califórnia, Universidade do Havaí, Universidade de Virgínia, Universidade da Califórnia em Los Angeles e Universidade de Tulsa.

Lapchick e sua equipe de pesquisadores utilizaram os mais recentes índices de graduação fornecidos pela Associação Atlética Nacional Universitária (NCAA, na sigla em inglês). Eles dizem respeito ao período de seis anos encerrado no ano acadêmico 1996-1997.

Quatro dos dez programas de futebol americano com os maiores índices de graduação para os jogadores tinham uma mulher, um afro-americano ou um latino como diretor atlético. Esses programas eram da Universidade de Tulsa, Universidade do Sul da Califórnia, Universidade de Virgínia e Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Essas descobertas sugeriram a Lapchick que o fato de se contar com aquilo que ele chama de "cultura de inclusão" - alguém de origem étnica semelhante à dos atletas em uma posição de tomada de decisões - pode ser importante para o sucesso acadêmico dos jogadores de futebol americano negros.

Lapchick disse que os índices de graduação dos jogadores de futebol americanos das grandes universidades estão melhorando, mas a lacuna entre os jogadores brancos e negros aumentou.

Das 56 equipes analisadas, 26 tinham um índice de graduação para os jogadores brancos pelo menos 20% mais elevado do que aquele referente aos jogadores negros. E, em 11 dos programas, essa diferença chegava a 30%.

Lapchick estuda essas tendências desde meados da década de 80. Ele já havia examinado o desempenho acadêmico de jogadores universitários de basquete e beisebol. Este foi o segundo ano em que a sua equipe estudou os times universitários de futebol americano.

Lapchick disse que um ex-funcionário da NCAA, incomodado com a escassez de técnicos principais afro-americanos nos times de futebol americano das grandes universidades, sugeriu que a sua equipe de pesquisa analisasse neste ano a diversidade racial entre os tomadores de decisão nos programas relativos ao esporte Danilo Fonseca

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