O galã Ben Affleck não merece seu "Pagamento", novo filme de John Woo

Lisa Kennedy

Ben Affleck é um cara muito bonito. Ninguém discute isto. Mas ele não é um astro principal particularmente atraente. Se o filme do verão "aquele cujo nome não será citado" apontava para isto, o novo thriller de ação "O Pagamento" parece reforçar o argumento.

Reuters

O ator em cena de "O Pagamento"
Em "O Pagamento", Affleck faz o papel de Michael Jennings, um engenheiro brilhante. Sem risos, por favor. As corporações contratam este gênio arrogante para roubar as invenções patenteadas de outras corporações.

Nós começamos vendo Jennings em ação, comprando um computador que exibe uma imagem tridimensional. Confinado em uma sala de alta segurança por algumas semanas, ele desmonta código e hardware.

Então, voilà! Ele apenas acrescentou uma pequena modificação. Seus empregadores corporativos ficam boquiabertos. Patente surrupiada.


Quando seu roubo, isto é, trabalho é concluído, o projeto é apagado da memória de Jennings. A única evidência além de um buraco negro de algumas semanas é um belo pagamento.

Após trabalhar em um projeto por três anos, Jennings aparece para sua gorda compensação. Em vez disso, o que ele encontra é um envelope de papel manilha com itens enigmáticos, mas mundanos que ele enviou para si mesmo. Se você está esperando um bônus de oito dígitos, esqueça. Se você está esperando por um thriller de duas horas, eles são pistas.

Por que ele perdeu seu pagamento? Por que agentes do governo e matadores corporativos estão atrás dele? Por que ele tem vagas lembranças da bióloga Rachel Porter (Uma Thurman)?

Assim que Jennings começa a entender o significado dos objetos, "O Pagamento" ganha ritmo. Se você está à procura de um filme de ação estilo início dos anos 90, você o encontrará. E Uma Thurman e Paul Giamatti (como Shorty, o sujeito que costuma apagar a memória de Jennings) fornecem energia a este thriller menor.

Mas "O Pagamento" nunca se aproxima da inteligência sombria ou prazer aflito de outros filmes baseados em histórias de Philip K. Dick.

Dick, que morreu em 1982, se tornou fonte para filmes futuristas que tratam da luta do indivíduo em um mundo tecnológico tomado por conspiração governamental e corporativa. Entre as melhores adaptações para as telas estão "Blade Runner", "O Vingador do Futuro" e "Minority Report -A Nova Lei".

Assistir Affleck vincar sua testa e franzir a sobrancelha ao longo de "O Pagamento" nos leva a algumas observações sobre o ator. Primeiro, Morgan Freeman pode fazer qualquer um parecer bom. Em "A Soma de Todos os Medos", o último filme em que Affleck parecia promissor, Freeman conferiu algum peso ao seu co-astro.

Segundo, Affleck não ajuda muito as estrelas de seus filmes (pelo menos não na tela). Ainda bem que Uma Thurman realizou um trabalho audacioso em "Kill Bill: Volume 1" de Quentin Tarantino.

Terceiro, "A Identidade Bourne" de seu colega Matt Damon percorre o mesmo território com humor, calor e seqüências de ação impressionantes.

Quarto, Affleck consegue fazer com que até mesmo diretores talentosos pareçam incompetentes. Martin Brest, diretor de "aquele cujo nome não será citado", se tornou um. Mas sempre houve altas esperanças para John Woo, o diretor de Hong Kong, cujo "A Outra Face" era explosivamente espirituoso e cheio de nuances emocionais.

É fácil ver o motivo de Woo ter se sentido atraído por "O Pagamento". Ele adora um tango moralmente complicado entre o herói e o bandido. Seus heróis nunca são imaculados. Seus bandidos costumam ter códigos de honra atraentes.

Jimmy Rethrick de "O Pagamento" -o antigo companheiro, empregador e adversário de Jennings- quase se encaixa neste perfil. Tanto ele quanto Michael são idealistas caídos. Mas a química necessária entre Aaron Eckhart e Affleck nunca acontece. Talvez a culpa seja porque Jennings não é um químico, mas um brilhante cientista. Ei, sem risos. George El Khouri Andolfato

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