Cabo eleitoral de democrata azarão deve ter fé acima de tudo

Elisabeth Rosenthal
EM PORTSMOUTH, NEW HAMPSHIRE

A minivan cinza do candidato deles tinha acabado de partir. Os cartazes "Edwards para Presidente" que ninguém queria foram recolocados no piso sujo de linóleo de uma ex-sapataria que se tornou um comitê de campanha.

Uma hora atrás, o pequeno grupo de pessoas em Portsmouth que acredita passionalmente que o senador John Edwards da Carolina do Norte deve ser o próximo presidente estava se sentindo eufórico, enquanto o ouvia discursar no lotado restaurante Friendly Toast, aplaudindo suas posições sobre saúde e emprego.

Agora, sentados no sofá puído do escritório e arrancando os adesivos de campanha de suas blusas, o entusiasmo deles estava misturado com um sentimento de desânimo. As pesquisas indicam que, se a eleição primária de New Hampshire fosse realizada hoje, Edwards ficaria com no máximo 7% dos votos, o que o colocaria na quarta posição.

"Vê-lo hoje ajudou, porque reacendeu o que senti quando o vi pela primeira vez", disse Connie Williams, uma aposentada, que está escrevendo cartas e dando telefonemas. "Mas é desencorajador, se ele pudesse aparecer mais, eu acho que ele teria uma chance."

Há nove candidatos no lotado campo democrata, e atrás de cada candidato há um grupo destes simpatizantes dedicados, que fornecem o combustível que mantém andando este processo confuso. Eles lambem envelopes, organizam comícios e perturbam os vizinhos para não deixarem de votar. É um trabalho em grande parte que não recebe agradecimento, cheio de idealistas e otimistas que se animam quando conseguem converter um único eleitor em uma tarde batendo de porta em porta.

Aqui em Portsmouth, a equipe de Edwards, composta por cerca de uma dúzia, prometeu continuar lutando apesar de as pesquisas o colocarem em uma posição intermediária, muito atrás do líder, Howard Dean, com um apoio nas pesquisas nacionais de apenas 4% a 6%. Mas seus voluntários têm esperança de que a platéia inesperadamente grande de 150 pessoas no Friendly Toast indique a existência de muitos votos indecisos.

Luke Shulman, um calouro de 18 anos da Universidade Tufts em Medford, Massachusetts, está passando o período de festas em casa, em Portsmouth, para trabalhar no escritório de Edwards. Ele mantém uma foto dele com Edwards em cima do seu computador -ele a enviou para todos seus amigos- e disse que ela o ajuda a seguir em frente quando se sente desanimado.

"Às vezes é desencorajador, pois não somos cegos às pesquisas", disse Shulman, cujo entusiasmo pelo senador quase é contagiante. "Eu acho que isto mostra que devemos trabalhar mais arduamente. As pessoas estão à procura de esperança e visão. E eu vejo isto em John Edwards."

Apesar das adversidades, há claramente um caso de amor entre Edwards e estes simpatizantes locais, uma química misteriosa.

"Isto é uma causa, não um trabalho, e este é o motivo de estar a 1,600 quilômetros de distância da minha namorada -não há nenhum outro candidato para quem eu faria isto", disse Paul Dunn, um ex-bancário da Goldman Sachs, que se mudou para cá para ser o coordenador local de Edwards.

"Isto não é uma corrida de cavalos, sobre quem é o primeiro e quem é o segundo. Isto se trata de questões como crianças precisando de atendimento de saúde. Sobre a crença de que eleições importam e que John Edwards pode fazer este trabalho melhor do que qualquer outro."

Apesar de suas fortes convicções sobre seu candidato, todos os voluntários de Edwards em Portsmouth disseram que transferirão seu voto para outro democrata caso outro seja indicado pelo partido.

"A prioridade é derrotar George Bush e eu poderei mudar meu voto caso outro esteja à frente", disse um aposentado. "Mas eu nunca fui politicamente ativo antes e não acho que poderia trabalhar para outra pessoa, e este é um grande dilema."

Um dos mais fanáticos é Fran Ford, uma escrivão de Worcester County, Massachusetts, que tirou o dia de folga e dirigiu 160 quilômetros até Portsmouth para segurar sua placa, "Edwards para Presidente", na calçada em frente à porta de entrada do Friendly Toast.

"Eu sei que isto é um ingrediente crítico, segurar uma placa, falar com as pessoas, e é algo que é freqüentemente deixado de lado quando há poucos voluntários", disse Ford, vestido impecavelmente com terno e gravata, erguendo bem alto seu cartaz.

Foi sua quarta visita a New Hampshire, porque ele acredita que Edwards pode unir o país e que seu programa de recuperação econômica pode devolver alguns dos empregos perdidos durante o governo Bush. Mas enquanto os voluntários dos candidatos de ponta são encorajados pelas multidões que aplaudem, Ford tem que se contentar com pequenos gestos.

"Hoje, quando levantei minha placa, algumas poucas pessoas fizeram sinal de positivo ou tocaram suar cornetas", disse ele, animado. "Isto é algo novo. Eu acho que as pessoas estão começando a receber a mensagem. Eu acho que estamos ganhando impulso."

O candidato

Edwards, um democrata moderado de 50 anos da Carolina do Norte, tem o tipo de perfil que deveria colocá-lo em boa posição junto à espinha dorsal do Partido Democrata. Um advogado antes de se tornar senador há cinco anos, o candidato jovem e telegênico tem origem na classe trabalhadora, com seu pai tendo trabalhado em um moinho.

Ele votou a favor da resolução para invadir o Iraque, mas contra as verbas para reconstrução do Iraque no pós-guerra, porque disse sentir que as metas do governo Bush não eram claras. Sua plataforma está cheia de programas para ajudar os trabalhadores de classe média, incluindo atendimento de saúde para toda criança, um pacote financeiro que permitiria a todo adolescente qualificado freqüentar uma faculdade e incentivos econômicos para atrair de volta empregos americanos que foram transferidos para o exterior.

Para seus simpatizantes, é um mistério enervante o motivo dele não estar se saindo melhor. Será que ele parece ser jovem demais? Inexperiente demais na política nacional?

Certa vez quando Edwards discursou em New Hampshire, Allan Lurvey, um psicólogo, convidou 12 amigos para virem. Apenas um se tornou simpatizante. "Eles não viram o que eu vi", disse Lurvey dando de ombros.

Trabalhar para candidatos azarões não é domínio de pragmáticos, mas de pessoas obcecadas por idéias. Shulman, o calouro da Tufts, disse se sentir atraído pelas políticas do candidato assim como pelo seu caráter.

Ele dá telefonemas, distribui adesivos e -apesar de odiar- faz propaganda de porta em porta. Ele ficou animado quando, recentemente, bateu em uma porta e encontrou um simpatizante entusiástico, já que esta não é a norma.

Talvez seja momentos como este que tenham convencido Shulman que o apoio em sua cidade natal está aumentando para Edwards. Ele disse que cada vez que se apresenta como voluntário no comitê, mais eleitores indecisos aparecem para saber mais.

É o tipo de trabalho que dá uma chance aos azarões.

"O trabalho de pessoas como nós é lutar muito pelo nosso candidato", disse Dunn, o ex-bancário. "Veja, eu trabalharei por um ano e então as pessoas irão até a cabine e tomarão sua decisão em 30 segundos. Meu trabalho é assegurar que conheçam o senador Edwards." George El Khouri Andolfato

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