Exército americano pode aumentar número de reservistas em zonas de conflito

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À medida que o Pentágono examina cada vez mais o seu contingente de soldados afastados dos quartéis, os reservistas das forças armadas norte-americanas estão sendo notificados de que poderão ser convocados para servir no Iraque.

Cerca de 270 reservistas foram convocados a voltar à ativa desde os ataques de 11 de setembro de 2001, informa Julia Collins, especialista em questões públicas civis do Comando de Recursos Humanos do Exército, em Saint Louis.

Após a Guerra Fria, o Pentágono reduziu o tamanho das suas tropas que atuam em tempo integral, recorrendo aos cidadãos da reserva e aos que servem na Guarda Nacional de acordo com as necessidades. Mas, agora, o efetivo das forças armadas está disperso, devido às guerras e à conjuntura que se seguiu aos conflitos no Iraque e no Afeganistão.

No segundo trimestre deste ano, quando o exército finalizar um processo de transferência de pessoal de grande monta, quase 40% dos 105 mil soldados no Iraque serão compostos por membros da reserva e da Guarda Nacional. Para facilitar tal substituição, o exército baixou uma ordem nesta semana, determinando que 7.000 soldados estacionados no Afeganistão, no Kuait e no Iraque não deixem a força ao final do seu tempo de serviço.

A reserva é composta por membros das quatro forças militares (Marinha, Exército, Força Aérea e Fuzileiros Navais) que, apesar de afastados dos quartéis, ainda estão subordinados ao Departamento de Defesa. Em tempos de paz, as guardas nacionais aérea e terrestre ficam subordinadas aos governos estaduais.

Há 800 mil reservistas nos Estados Unidos. O Pentágono está solicitando a eles que forneçam endereços atualizados e informações para contatos.

Os soldados podem passar diretamente para a reserva após completarem o treinamento individual básico e o avançado. Mas o Pentágono pode ordenar que passem até oito anos na ativa. Os reservistas contam com pensões e com o privilégio de fazerem compras em instituições militares, onde os produtos são mais baratos.

Muitos norte-americanos passaram para a reserva nos anos 90, achando que seriam "guerreiros de fim de semana", com obrigações mínimas, a maioria delas treinamentos.

"A grande maioria dos reservistas foi convocada mais que uma vez", afirma o coronel reformado Tim Eads, salientando que convocações repetidas podem fazer com que os soldados fiquem anos longe de casa. As repetidas mobilizações fizeram com que aumentasse a preocupação com a possibilidade de que esses voluntários deixem as forças armadas quando puderem, o que poderia tornar difícil encontrar substitutos.

"Muitos deles estão me dizendo que, quando voltarem, vão deixar o serviço. Estou totalmente surpreso", diz o sargento Phillip Thomas, que supervisiona cerca de 300 reservistas no Centro Bradt da Reserva do Exército dos Estados Unidos, em Niskayuna, Estado de Nova York.

Ele disse que os reservistas não se importam em voltar à ativa por seis meses, mas que qualquer período extra se transforma em um peso para aqueles que deixaram para trás famílias e carreiras. Alguns temem que seus casamentos não resistam às convocações seguidas.

Embora os patrões sejam obrigados a garantir o emprego dos reservistas, aqueles que foram convocados para servir por períodos longos acabam perdendo as promoções e outras oportunidades de suas carreiras, que depois não poderão compensar.

Entre os mais prejudicados estão os membros das unidades de operações civis que ajudam a reconstruir cidades no Iraque, diz Michele Flournoy, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. Segundo ela, o Pentágono acabará tendo que expandir o tamanho dos seus efetivos na ativa para realizar essas tarefas, já que não poderá confiar tanto nos reservistas. Danilo Fonseca

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