Quem ou o quê matou Diana? Escolha sua versão

Sarah Lyall

LONDRES - Talvez a princesa tenha fingido sua morte e esteja vivendo em um esconderijo tropical. Talvez Henri Paul, o motorista da noite fatídica, fosse um agente do MI6, o equivalente britânico da CIA, contratado pela família real para matá-la (e a si próprio, ops!), acelerando a Mercedes em um túnel parisiense.

Ou, como disse o colunista exasperado Simon Hoggart, do The Guardian, na quinta-feira (08/1), talvez Diana, Princesa de Gales, tenha morrido no dia 31 de agosto de 1997 porque o "príncipe Charles, com seus companheiros gays em um helicóptero, atirou contra seu carro, assim que entrou no túnel".

Pode-se especular para sempre sobre a morte de Diana -e 27% do público britânico, segundo uma pesquisa, acredita que foi assassinada- mas, até a semana passada, era difícil encontrar uma figura pública que admitisse alguma teoria de conspiração.

Tudo isso mudou na terça-feira. Em estranho desdobramento, Michael Burgess, que preside o inquérito britânico da morte de Diana e seu namorado, Emad Mohamed al-Fayed, misteriosamente recusou-se a descartar a hipótese de assassinato.

"Tenho consciência das especulações que essas mortes não foram causadas por um acidente de trânsito triste, mas natural, em Paris", disse Burgess, antes de mandar que a Polícia Metropolitana investigasse a questão.

Burgess não estava anunciando a Comissão Warren dos tempos modernos. Entretanto, seu espantoso pedido reforçou as teorias de assassinato. Seria como dar uma migalha de legitimidade aos que acreditam que o pouso lunar de 1969, na verdade, aconteceu em um quintal em Hollywood e que Elvis vive (talvez com Diana) em um parque na Flórida.

No que se refere à morte de Diana, a maior parte das teorias não acidentais foi desacreditada. Em 1999, as autoridades francesas concluíram que o acidente ocorreu porque Paul, o motorista, estava alcoolizado e perdeu o controle do veículo em alta velocidade. Na quinta-feira, Jean-Claude Mules, policial que cobre a investigação, disse ao Daily Telegraph que os boatos de assassinato e acobertamento eram "absurdos" e que sua equipe já tinha averiguado as várias "hipóteses, teorias e alegações" em torno do acidente.

Mesmo assim, os rumores persistem, como mosquitos chatos. Algumas pessoas talvez gostem de usar o assunto para quebrar o gelo, como se fala do tempo na Inglaterra; outras talvez sejam entusiastas do "Arquivo X" e vejam atiradores por trás de cada arbusto e complôs por trás de todo detalhe mal explicado; outros, diz Cary Cooper, professor de psicologia e saúde da Universidade de Lancaster, simplesmente tiram conforto emocional dessas teorias.

"As pessoas precisam de explicações", disse Cooper em entrevistas. "Diana era atraente, jovem e célebre, e muitas pessoas não conseguem entender a morte de uma pessoa jovem. Elas precisam encontrar alguma teoria, alguma explicação por trás do fato."

Cooper disse que algumas pessoas preferem acreditar em agências do governo poderosas, secretas e cruéis do que aceitar que a morte é imprevisível.

"Se as coisas podem acontecer conosco ao acaso, isso significa que somos vulneráveis", disse ele. "Preferimos pensar que em algum motivo por trás da morte, porque assim podemos controlá-la. Se soubermos quem matou Kennedy, talvez possamos encontrar uma forma de impedir que aconteça novamente, com um Kennedy ou outra pessoa."

Enquanto isso, o pai de Fayed, Mohamed al-Fayed, que é proprietário da rede de lojas de departamento Harrods, disse que tem "99% de certeza" que o desastre não foi acidental. Ele vem colocando lenha na fogueira dos boatos, com uma série de pedidos na justiça para, por exemplo, forçar vários governos a liberar seus arquivos sobre o acidente.

A própria fragilidade emocional de Diana, sua dependência de terapeutas New Age e videntes e sua tendência a compartilhar tudo, até idéias absurdas e paranóicas, com muitos amigos, serviçais e terapeutas também mantiveram as teorias vivas. Agora que está morta, muitos daqueles que receberam as confidências da princesa andam conversando com os tablóides, que estão sempre ávidos para abocanhar material relacionado à Diana.

Assim, o Daily Mirror informou, na quarta-feira, que Diana tinha previsto a própria morte, reproduzindo uma carta com a sua caligrafia que dizia que seu marido (príncipe Charles) estava planejando matá-la em um acidente de carro. A carta foi entregue por Paul Burrell, ex-mordomo de Diana, que acaba de publicar um livro que conta "tudo sobre a princesa".

No dia seguinte, o Daily Mail desencavou outra confidente, a terapeuta Simone Simmons, contratada por Diana em 1993 para tirar a "energia negativa" do Palácio de Kensignton. Simmons, disse ter, por vezes, passado dez horas por dia ao telefone com Diana e que a princesa sentia-se vulnerável e perseguida, não apenas por Charles.

Simmons disse ter recebido cartas similares de Diana, listando diferentes pessoas que a princesa acreditava tramar contra ela. "Em 1994, ela estava convencida que havia uma conspiração árabe, que a família real saudita queria matá-la", disse Simmons ao jornal. "Outra vez ela achou que a CIA queria eliminá-la."

Vários anos atrás, James Hewitt, oficial de cavalaria que era amante de Diana, disse em um documentário de televisão que pessoas conectadas com a família real ou do serviço secreto o tinham advertido que, se não rompesse com a princesa, teria um final terrível, como o ex-guarda costas e confidente de Diana, que morreu em um acidente de motocicleta suspeito em 1988. (Hewitt foi visto pela última vez vendendo cartas privadas de Diana).

Diante do Palácio de Kensington, na quinta-feira, Mark Jamieson, um faz-tudo australiano em visita a Londres com suas duas filhas, disse que, para ele, as teorias de conspiração são tão plausíveis quanto qualquer outra.

"Provavelmente, foi um acidente trágico", disse ele. Depois, pensou um minuto. "Mas não ficaria surpreso se fosse uma conspiração. Talvez Charles tenha sugerido a alguém que preferia se ela estivesse morta, e a pessoa tenha levado a sério".

"De fato, prefiro acreditar que Charles causou sua morte, porque não gosto nada dele", completou. Deborah Weinberg

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