Os dogmas do islamismo que o Ocidente não conhece

Por Mansour O. El-KiKhia
San Antonio Express-News

O islamismo foi seqüestrado pelo radicalismo, e os muçulmanos precisam se empenhar para libertar a sua religião. Convencer os não muçulmanos de que o islamismo não é bárbaro é tarefa muito difícil quando regimes como o Taleban decepam mãos e cabeças ao seu bel-prazer.

Desde o 11 de setembro, tornou-se crucial para os muçulmanos explicar as diferenças entre aquilo que eles enxergam como sendo o verdadeiro islamismo e a maneira como os extremistas distorceram a religião. Entender o islamismo se tornou uma necessidade política.

Com a exceção da unidade da figura de Deus, não há valores absolutos no islamismo. Uma boa maneira de explicar tal coisa é examinar a punição e a recompensa na fé islâmica. O islamismo é simultaneamente secular e espiritual, e encoraja uma relação direta com Deus, baseada na congruência de fé e ações.

Não há padres para ouvir confissões dos fiéis e tampouco atalhos para o paraíso. Somente as ações e pensamentos positivos podem negar atos e idéias negativas.

Não é fácil ser um bom muçulmano, já que isso exige o constante autocontrole em face de tentações enormes. Essa luta para resistir à tentação é considerada a "Grande Jihad", ou a maior batalha da vida.

O islamismo possui leis pessoais e públicas. As primeiras dizem respeito a questões como orações, caridade, mentira, cobiça, suicídio, usura e consumo de alimentos e bebidas proibidos. Não existe prescrição de punições para os que infringem tais leis, já que elas têm caráter particular.

No entanto, sob determinadas circunstâncias, quando existe uma ameaça à vida e à liberdade, permite-se que aos muçulmanos certas exceções. Por exemplo, se não houver outra opção, a não ser comer carne de porco, que é proibida no islamismo, a obrigação do indivíduo é ingerir esse alimento. Se um remédio contiver álcool, tomá-lo passa a ser também um dever. Os atos são julgados pelas intenções.

As leis públicas são aquelas que regulam as interações políticas, econômicas e sociais entre os seres humanos. Devido ao fato de a infração dessas leis ter conseqüências para as vidas, direitos e propriedades de outros, as punições são intencionalmente sérias e consideráveis.

Por exemplo, os assassinos condenados em um sistema legal muçulmano são decapitados, a menos que as vítimas os perdoem e peçam que tal pena deixe de ser aplicada. A punição para o roubo é o decepamento da mão esquerda, seguido pelo da mão direita, caso o ladrão reincida em roubar.

Porém, a lei proíbe a amputação de membros daqueles indivíduos que roubam para se alimentar. A fé determina que os muçulmanos combatam a fome e a pobreza. A amputação de membros é uma punição reservada exclusivamente para aqueles indivíduos que não precisam roubar para sobreviver.

O islamismo também prescreve o apedrejamento de adúlteros. O casamento e o divórcio são ações extremamente fáceis, o que implica em que não existe desculpa para a traição sexual e o sofrimento que ela acarreta. A punição é idêntica para ambos os sexos.

Mas o islamismo reconhece que essa punição é de fato severa e, devido ao fato de ela entrar no campo das leis pessoais, são exigidas provas mais concretas.

Não havendo a confissão sob juramento dos indivíduos envolvidos, é necessário que várias testemunhas tenham presenciado o ato sexual. Sob tais circunstâncias, a condenação é quase impossível, e deveria ficar claro que a intenção não é punir, mas coibir a prática do adultério. O islamismo diz que, em última instância, Deus é o juiz.

Atualmente, a esmagadora maioria das comunidades muçulmanas sequer pratica a lei islâmica, apesar dos apelos entre os seguidores da fé, que pregam o seguimento dos preceitos religiosos para que a proliferação do crime e da ilegalidade seja combatida.

E qual é a recompensa suprema almejada pelos fiéis? Uma vida eterna de prazeres e contentamentos, ainda que para isso seja necessário passar primeiro pelo inferno para que tal graça seja alcançada.

O tempo que o indivíduo penará no inferno dependerá da avaliação das boas e más ações feitas durante a vida. Alguns passam pelo inferno rapidamente, enquanto outros se arrastam por ele lentamente.

As imagens físicas e psicológicas do paraíso são tão vivazes e poderosas que poucos muçulmanos são capazes de resistir a tal apelo.

Os clérigos lhes dizem que o paraíso é composto de sete céus, onde aos homens e às mulheres de fé é garantida uma eternidade de prazeres. É um paraíso de sensualidade, cortado por rios de vinho que não provocam ressaca, cheio de prazeres físicos e mentais, de serenidade, de contentamento e onde impera a imortalidade.

Qualquer desejo ou capricho é satisfeito por um mero pensamento. Não há dor, necessidade, ódio, inveja ou conflito - apenas paz.

Tudo isso é bem diferente da imagem atual do islamismo que prevalece no ocidente. Danilo Fonseca

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