Julianne Moore e Pierce Brosnan se enfrentam em briga de tribunal e fazem as pazes no quarto

Glenn Whipp

Ele é James Bond (ao menos por enquanto). Ela foi indicada ao Oscar quatro vezes e é uma das atrizes mais respeitadas de sua geração. É difícil de imaginar Pierce Brosnan e Julianne Moore como o tipo de atores que ficariam nervosos (com graça e dignidade) antes de um filme. Mesmo assim, ficaram. No primeiro dia de gravação de seu novo filme, "The Laws of Attraction" (leis da atração), contorciam as mãos e se perguntavam: E se eu não for engraçado?

O problema de "Laws" é que se trata de uma comédia romântica leve, um gênero em que Brosnan e Moore não têm experiência, em suas longas e memoráveis carreiras. Os dois fazem o papel de advogados de divórcio, cujas batalhas legais geram faíscas fora do tribunal. Se parece um pouco como "A Costela de Adão", essa é a idéia; os produtores quiseram fazer um romance para adultos.

Mas, antes, os atores principais tiveram que vencer seus temores. "Temos duas estrelas do cinema com currículos excelentes em diferentes campos. Mas ambas estavam realmente nervosas com o filme. E isso é bom. Elas estavam correndo um risco, para tentar algo diferente", disse o diretor de "Laws", Peter Howitt.

Brosnan e Moore se sentaram para uma entrevista - "nunca fizemos isso juntos", diz Moore, rindo. "Não tenho certeza se vamos conseguir". Falou-se sobre a possibilidade de opostos se atraírem, a indestrutibilidade dos Twinkies e porque Moore sempre parece estar chorando nos filmes.

Pergunta: Vocês já se conheciam, antes de fazer o filme?

Brosnan: Houve aquela noite na Estátua da Liberdade.
Moore: Não, não. Temos círculos completamente diferentes. Ele é mais pomposo, e eu sou mais circense (risos).
Brosnan: Isso é uma besteira total. Ela não me conhece. Ela tem essa imagem perversa de mim, distorcida, da revista People. Mas nos damos bem.
Moore: Na verdade, nos conhecemos uma vez em uma festa, anos atrás. Não nos vimos novamente até um coquetel de George Clooney. Então, já estávamos escalados para o filme. Você era muito mais alto do que eu imaginava. Pensei: "Isso vai significar algo inteiramente diferente para meu figurino".
Brosnan: Por que? Eu não ia caber nas suas roupas?

Pergunta: Fora questões de figurino, houve outros conflitos?

Moore: Tivemos dificuldades em fazer Pierce parecer um porco, como seu personagem requeria, porque ele é tão atraente. Ele entrava e dizia: "Vejam só. Estou todo mal vestido." E nós dizíamos: "Não, Pierce. Sabe, isso não é mal vestido. Você não parece Oscar Madison."
Brosnan: Bem, aí vai: Julianne faz tudo parecer tão fácil. É só o que eu vou dizer. Ela tem um jeito de atuar... ela gosta de falar muito.
Moore: Isso o enlouquecia. Eu não paro de falar.
Brosnan: Então, em cenas de três páginas, de seis páginas, eu me preocupo com os diálogos e com as falas. E ela fica conversando e bebendo seu café e passando batom e sorrindo. Quando ouve "Ação", entra diretamente na cena. Eu acabo chegando lá, eventualmente.
Moore: Ele fica assim: "Fica quieta, estou tentando pensar".
Brosnan: Ainda bem que Stephen Rea me avisou: "Ela gosta de
conversar". "Bem, Stephen, você também gosta de conversar."

Pergunta: Peter Howitt disse que vocês dois ficaram nervosos de fazer uma comédia romântica.

Moore: Ah sim! Mas todo filme você começa com um pouco de trepidação.
Brosnan: Todo filme.
Moore: A cada novo trabalho, você pensa: "Será que eu vou fazer tudo errado?"

Pergunta: Peter disse que sua preocupação era: "E se eu não for
engraçado?"

Moore: Sim! Comédia é realmente difícil. É um talento. Tem muita técnica envolvida. E você pode errar tudo. É duro. Mas não tem nada melhor do que quando uma piada funciona.
Brosnan: "Remington Steele" foi leve. Foi montado em cima de "Ceia dos Acusados" e "Hart to Hart". Mas eu nunca fiz esse tipo de papel em um longa metragem. Nunca fiz uma comédia romântica. Hoje em dia, se pensamos em comédia romântica, pensamos em Hugh Grant. Ele é dono do gênero. Mas acho que o playground é grande o suficiente para outras pessoas.
Moore: Eu gosto de comédia romântica de qualquer jeito. Até para adolescentes. Mas sempre digo, (quando vejo os filmes): "As pessoas com 18 anos deviam estudar em escolas separadas". Ou: "Por que nos preocupamos tanto com eles ficando juntos? Eles devem namorar". O que é
tão bom sobre este filme é que essas são duas pessoas que deveriam estar se relacionando. É importante neste estágio da vida.
Brosnan: eu queria fazer um filme de adultos para adultos. Tem tanta coisa para adolescentes. Não contamos mais histórias sobre homens e mulheres que têm história, têm vida e alguma coisa a dizer sobre si e sua época.

Pergunta: O filme se encaixa no velho ditado dos opostos que se atraem. Mas, realmente, vocês já tiveram uma antipatia instantânea por alguém e depois se apaixonaram pela mesma pessoa? Vemos isso sempre nos filmes.

Moore: Eu nem notei meu marido quando o conheci. Nem me lembrava dele. Tivemos uma reunião em um hotel, na qual falamos sobre o filme que estávamos fazendo. Não o vi de novo até entrar em cena. Ele bateu na porta do apartamento que eu estava, eu abri e disse: "Sim? Não sei quem você é".
Brosnan: Pobre coitado.
Moore: Eu tinha esquecido seu rosto -e terminei me casando com ele. Então, nunca se sabe.

Pergunta: Comida e bebida são parte integral do filme. Que bebida você prefere?

Moore: Eu costumava beber cerveja, mas parei porque acho que engorda.
Brosnan: Ainda bebo cerveja e também acho que engorda. Gosto de um bom vinho. Quando você é um jovem ator, você não tem dinheiro para comprar bebida e é magro. Depois, você faz sucesso e pode pagar pela bebida e ainda tem que ficar magro. É chato.

Pergunta: Doces Sno Balls: néctar dos deuses ou perigo cor de rosa à saúde?

Moore: São terríveis. Particularmente se estiveram esquecidos em uma prateleira na Irlanda (onde o filme foi gravado) por dois meses. Então ficam realmente horríveis.
Brosnan: Vão viver mais do que qualquer um de nós nessa sala.
Moore: Uma amiga minha colocou fogo em um bolo Twinkie certa vez -e não queimou. Torrou e ficou lá duro. Não se dissolvia.
Brosnan: Extraordinário.

Pergunta: Falando em extraordinário, Peter Howitt disse que nunca viu alguém que chore melhor que Julianne. O que não entendo é que você está fazendo essa comédia leve e romântica e ainda tem cenas onde chora incontrolavelmente.

Moore: (Risadas). Mas a personagem não é deprimida, que é meu forte. Não está pronta para pular da janela. Mas, sim, consegui colocar algumas lágrimas. Deus me livre de um filme sem um pouco de choro. Eu estava trabalhando com Gary Sinise nesse filme e ele disse: "Meu deus, lá vêm as lágrimas".
Brosnan: É um talento. Não o perca jamais. Atores falam sobre seu próximo filme, "Laws of Attraction", em entrevista Deborah Weinberg

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