Produtores sofrem para dar final à altura do sucesso de 'Friends'

Mark McGuire
Albany Times Union

O episódio final de "Friends" será especial. Só não espere que seja um episódio super-especial, daqueles que são radicalmente diferentes de toda a série. Alguns finais assim, de fato, funcionam -como o de "Mash", de duas horas, um filme de televisão único que concluía as histórias da série.

Outros -"Seinfeld" vêm à mente- não funcionam . Um programa sobre nada não devia ter feito nada. Em vez disso, a série apresentou um episódio completamente diferente.

Não espere um final incrível para "Friends", que ascenderá ao paraíso da TV -revenda- depois do episódio de uma hora, que vai ao ar às 21h de quinta-feira (06/05, nos EUA). Antes, às 20h, haverá uma retrospectiva. Os produtores não descartam um casamento surpresa, mas insistem que não vão inventar algo completamente externo ao estilo da série.

"Tomamos muito cuidado em discutir o tipo de coisa que queríamos fazer. Assistimos outros capítulos de encerramento de outras séries... e o tipo de armadilhas envolvidas", diz o produtor executivo David Crane.

"Desde o começo sabíamos que queríamos fazer um final que se parecesse com o programa, que não fosse uma aberração. Não queríamos dar um salto para o futuro, nem sair do nosso mundo. A série será 'Friends' até o fim."

A produtora Marta Kauffman avisou para que não se esperasse que o grupo dos seis sofresse um destino cataclísmico, apesar dos boatos da mudança de Rachel para Paris. (Não, os produtores não sabiam do final similar de "Sex and the City" quando estavam escrevendo o episódio).

Sabemos também que o personagem de Matt LeBlanc, o tolo amável Joey Tribbiani, sobrevive: Ele terá sua própria série, "Joey",na próxima temporada.

"Tentamos fazer parecer que tudo vai ficar bem", disse Kauffman.

Crane conversou com os repórteres em uma conferência telefônica: "A definição de 'tudo bem' pode ser diferente para cada pessoa... você quer contar uma história que satisfaz, mas que também surpreenda; equilibrar essas duas coisas é muito difícil".

O que é certo é que, depois de 10 temporadas, o episódio final será um dos programas de maior audiência do ano. Ainda aposto que não vencerá "Mash" -nas duas décadas que se passaram, o cabo estratificou radicalmente o cenário televisivo- mas o público promete ser comparável ao de apresentações do campeonato de futebol ou à transmissão do Oscar.

A história dos seis nova-iorquinos solteiros (na maior parte do tempo) promete ter uma longa vida de reapresentações. No entanto, seus produtores executivos têm dificuldades em definir qual o papel dessa comédia na história.

"Friends" não foi pioneira, nem fez comentários sociais ácidos, que marcaram algumas séries cômicas lendárias. Os modelos para Ross e Rachel, Mônica e Chandler, Joey e Phoebe podem ser encontrados em personagens anteriores, apesar de Crane e Kauffman os terem inspirado em amigos antigos da cidade.

Qual será o seu legado? Ou seja, além de gerar uma onda de imitações que tiveram mortes rápidas e indolores, para seu próprio bem -como "Coupling". Talvez o fato de ser um programa genuinamente engraçado baste.

Depois de pensar um pouco, Crane identifica a natureza única do programa: "Ninguém nunca fez um grupo verdadeiro, em que todos os personagens são absolutamente equivalentes", disse ele. "Todos os seis personagens têm sua história. Dessa forma, esperávamos dar pernas à série".

Dez anos? Isso é mais perna do que uma centopéia. "Acho que paramos na hora certa", disse Kauffman. Crane concorda, dizendo que 11 temporadas seria um exagero. "Acho que teríamos desistido. Não se deve abusar de uma boa recepção". Preocupação está em fazer último capítulo marcante sem se diferenciar da série Deborah Weinberg

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