Uma pesquisa empírica sobre as bebidas energéticas cafeinadas

William Grimes

Gradativamente, as latas finas vêm dominando as prateleiras da minha loja de conveniência. Seus nomes são estranhos. Rush. Liquid Ice. New York Minute. Seu propósito é claro: reavivar minha carcaça decadente e flácida, com uma dose de combustível de foguete não adulterado. Depois de uma boa dose de cafeína, estarei pronto para levantar 300 kg, correr um quilômetro em quatro minutos, dançar freneticamente até 4h da manhã, resolver até as mais difíceis palavras cruzadas e, como disse timidamente um dos produtos, "levantar e manter de pé". Tudo isso em uma lata de 250 ml.

Os produtos são a prole endiabrada da Jolt Cola, refrigerante que foi brevemente popular e dava um poderoso soco de cafeína com uma lata de 350 ml. A idéia, de criar o efeito de um expresso com um refrigerante gelado, era um pouco à frente de seu tempo.

Jolt nunca chegou a fazer muito sucesso, mas uma nova geração de bebidas energéticas cafeinadas sim. Liderada pela Red Bull, a categoria é a que mais tem crescido no setor de bebidas, superando a da água engarrafada.

Eu precisava saber por que. Era hora de abrir uma Stacker2 Stinger Pounding Punch. Em três sessões cheias de divertimento, tomei 13 dessas bebidas energéticas. Minha pesquisa não foi, nem de longe, exaustiva. Em uma rápida visita ao site bevnet.com, que fornece uma breve descrição de virtualmente todas as bebidas não alcoólicas do mercado, contei quase 200 produtos, de Airborne até Yohimbe, passando pelas tentadoras Dark Dog, Mad Croc, Raw Dawg e Pimp Juice. Em meio a essa enxurrada, ficaram evidentes algumas características comuns à categoria. Quase todas são vendidas em latas de 250 ml. Todas contêm cafeína, guaraná ou uma combinação dos dois. (Guaraná, fruto encontrado no Amazonas, tem um efeito estimulante similar ao da cafeína). Algumas também usam ginseng, para maior estímulo. Em geral, uma lata tem o efeito de uma forte xícara de café, que contém cerca de 80 mg de cafeína.

Todos os energéticos também incluem vitaminas e ingredientes obscuros, anunciados como renovadores ou promovedores da saúde. No alto da lista estão a vitamina C e o complexo B. Depois vem o taurine, um componente químico cult, cujo nome, "touro" em latim, aparentemente fez muitos acreditarem que é derivado de testículo de touro. Seus efeitos são desconhecidos. Gingko também é popular. A maior parte dos energéticos é adoçada com sacarose ou frutose; é gaseificada e busca um sabor vagamente cítrico, próximo ao Seven Up. A maior parte custa US$ 1,99 (em torno de R$ 6).

Sentado na mesa da cozinha, certa manhã, comecei meu New York Minute, cuja lata escura mostra duas pessoas correndo à noite, ou talvez um corredor fugindo de um ladrão. Com 80 mg de cafeína e uma pitada de guaraná e ginseng, de fato dá um sério impulso de energia para seu cliente ideal: "pessoas com estilo de vida ativo".

Normalmente, extraio minha energia matutina de uma boa xícara de chá, que oferece uma dose de cafeína leve, talvez de 28 mg. Dois minutos depois de engolir o New York Minute, senti meus olhos esbugalharem-se. Estava pronto para terminar todo tipo de tarefas adiadas, como separar minhas roupas de verão das meias de inverno. O sabor de limão, ligeiramente azedo, foi uma surpresa razoavelmente agradável, muito mais agradável do que o aroma de banana com chiclete.

Stacker2 Stinger, que tem uma abelha com uma cara terrível na lata, vem em dois sabores: Pounding Punch ou Sinful Citrus. Pounding Punch tem gosto de uma versão não alcoólica de Pagan Pink Ripple, um vinho barato com sabores tropicais que marcou minha vida. Sua ressaca, uma amostra de uma morte barata e de mau gosto, me fez entender, ainda na faculdade, porque é muito importante beber com moderação. Sinful Citrus combina um sabor insípido, que lembra vagamente o limão, com uma cor azul esverdeada gritante. Parece um produto feito para se jogar no vaso sanitário. De qualquer forma, foi esse
seu destino em minha casa. Para me recuperar, tomei o KMX, que parece Tang, e terminei com uma lata na forma de munição de Bottle Rocket.

Nessa altura, meu nível de energia não só estava elevado, mas passando dos limites. Meus olhos pareciam fazer buracos na tela do computador; eu estava digitando cinco vezes mais rápido que de costume e pensando de forma criativa demais sobre as questões da vida, como quantas pilhas AA precisava comprar quando fosse à farmácia. Meu humor estava para cima. Animado demais.

Comecei a entender por que as vendas de Red Bull, o energético mais vendido na Europa, foram restringidas a farmácias em alguns países, por causa de seu alto conteúdo de cafeína. Jovens em boates misturam energéticos com vodca.

Péssima idéia às 8h da manhã, resolvi. Melhor catalogar minhas gravatas. Na manhã seguinte, peguei uma lata gelada de Rush!, bebida que não deve ser confundida com Rushh, uma competidora. Era uma forma repulsiva de começar o
dia. A bebida tem uma cor pálida estranha, de lima. Não sei como é a cara de um efluente de uma usina nuclear, mas é assim que imagino. Rush! cheira estranho, como uma bala vagabunda, mas o gosto, que lembra um SweeTart derretido não é mal, certamente muito melhor do que o Hansen's Energy Pro, bebida de surfista que tem gosto de Alka Seltzer de limão.

Respirei fundo e abri uma lata de 500 ml de Rockstar. Rockstar se anuncia como "dupla força, duplo tamanho", que é a mais absoluta verdade. É o dobro do tamanho de uma lata de 250 ml e portanto tem o dobro da cafeína. Mesmo uma estrela de rock pode entender isso. Sua estratégia de venda é a silimarina, um suplemento que supostamente ajuda o fígado a se recompor. Com gingko, taurine, ginseng e guaraná, compõe um tônico "cientificamente formulado para encurtar o tempo de recuperação dos que têm uma vida ativa e estilo de vida exaustivo -desde atletas até estrelas de rock".

Se ao menos o produto estivesse disponível na juventude de Keith Richards, talvez ele estivesse sem rugas e de bochechas rosadas hoje. É uma espécie de bebida de segunda classe, com aroma de chiclete e um sabor cítrico suficientemente agradável. Depois, passei logo ao Monster, mistura doce floral cujo sabor me lembrou de uma pasta de dente de maçã que comprei certa vez na União Soviética.

Por último, no cardápio de alto índice de octana, estava Liquid Ice, inspirado e promovido pelo rapper Ice-T. É um de vários energéticos voltados ao público do hip-hop, inclusive DefCon3 e, é claro, Pimp Juice. Me arrependo de não ter colocado as mãos no Crunk!!!, bebida com sabor de romã associado com Lil'John, rei do Crunk. Mas Crunk!!! Não tem CoQ-10, que é uma enzima, não um artista. Liquid Ice parece exatamente com Windex e o gosto, de limão azedo refrescante colocou-o entre os primeiros da pilha.

Deixei a mesa de café refrescado e assustadoramente pronto para enfrentar o dia. Subi as escadas procurando tarefas.
Minha esposa olhou-me com curiosidade. "Você andou bebendo aquelas coisas esquisitas?" perguntou. Um sorriso patético, fora de contexto, entregou a resposta.

"Sabe, acho que você fica um pouco melhor quando bebe essas coisas", disse ela. "Elas tornam você uma pessoa melhor." Vou analisar essa declaração com cuidado, nos próximos vários meses.

Guardei as coisas pesadas para o terceiro dia. Adrenaline Rush, francamente, me assustava. Produzido por SoBe, é o segundo mais popular energético dos EUA, com pouco mais de 10% do mercado. O nome é verdadeiramente ameaçador. Foi surpreendentemente delicioso. O sabor básico é de maracujá, mas detectei pêssego, manga e abricó. De todos as bebidas energéticas gaseificadas, essa foi a única que pude me imaginar bebendo de manhã. É como uma mimosa sem álcool. Red Bull, por outro lado, pareceu fraco. A bebida parece uma cerveja fraca e com um sabor de limão agradável, mas não muito original. Ainda assim, foi essa marca que criou o mercado e ainda controla metade dele, inspirando uma série de pálidos imitadores, de Red Stallion a Red DEvil e Pit Bull e Viva Toro.

Mas, depois disso, vinha Invigor8, bebida de morango e toranja, sem gás, sem morango e sem toranja. Lançada no início do ano, Invigor8 entrou na cidade como um xerife de chapéu branco, com uma Bíblia na mão e um livro de direito na outra. A bebida, produzida pela Campbell Soup Co., tem um logotipo V8 tranqüilizador em cada lata, que é branca enfeitada com elipses cor de laranja e prateadas.

É o Pat Boone dos energéticos, uma mistura de maçã, pêra e suco de cenoura, com alguns ingredientes que puxam na direção da toranja e do morango. Esse é o sabor equivalente científico de fazer a Britney Spears falar na voz que canta, mas o resultado é bastante positivo. Os sabores são agradáveis e claros com um que a mais, apesar de não ter a força de alguns rivais.

Depois de três dias fritando meu metabolismo, entretanto, estou pronto para um tipo de bebida diferente. Certamente, deve haver algo para os clientes mais velhos, que não vão a boates, evitam exercícios e vão para a cama antes de meia-noite. Acho que a encontrei, escondida na categoria de energéticos. É norueguesa; chama-se Blaa. Deborah Weinberg

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