Governador de Virgínia diz que Kerry vence em Estados do sul

Stewart M. Powell Hearst Newspaper

Se a história servir como parâmetro, o Estado da Virgínia será uma sólida base eleitoral de Bush em novembro, já que os eleitores do Old Dominion (apelido do Estado) votaram majoritariamente em candidatos republicanos em 12 das 14 eleições presidenciais desde a Segunda Guerra Mundial.

Nem mesmo o sulista Jimmy Carter, o candidato democrata da Geórgia, foi capaz de derrubar a supremacia do Partido Republicando em Virgínia em 1976, quando venceu facilmente nos dez outros Estados do sul na sua jornada rumo à Casa Branca.

Mas o atual governador de Virgínia, Mark Warner, que está no seu primeiro mandato, disse possuir uma estratégia para que o senador John Kerry, democrata por Massachusetts, saia vitorioso em alguns Estados do sul, apesar da ampla dianteira do republicano George Bush na região.

"Creio que, neste outono, a Virgínia terá uma chance de ser um Estado bastante competitivo", disse Warner, o próximo presidente da Associação Nacional dos Governadores, e um possível candidato a vice-presidente na chapa de John Kerry. "Acho que é bem possível que vençamos em determinadas partes do sul".

Uma pesquisa de opinião em 11 Estados do sul, realizada pelo especialista John Zogby em meados de maio revelou que Bush ganha de Kerry na região. O presidente tem 52% das intenções de voto, contra 37% de Kerry. Várias outras pesquisas mostraram que Kerry está muito próximo a Bush na Flórida, no Tennessee, na Carolina do Norte e em Arkansas.

Mas essa tendência não perturba Warner, um industrioso empresário multimilionário do setor de alta tecnologia que em 2001 ganhou a eleição para o governo da Virgínia com uma vantagem de 5% dos votos sobre o seu adversário.

Esse advogado que virou investidor negociou recentemente um compromisso inédito com o Legislativo estadual, controlado pelos republicanos, a fim de conjugar cortes drásticos do orçamento e reduções nos serviços estatais com aumentos de impostos para ajudar o Estado a superar o seu déficit orçamentário, estimado em US$ 6 bilhões.

Na semana passada Warner disse aos jornalistas que Kerry poderia avançar em Virgínia e outros Estados sulistas caso enfatizasse as reduções no déficit orçamentário federal, a assistência aos trabalhadores rurais prejudicados pelo comércio global e os aumentos dos benefícios para os veteranos.

Kerry acendeu as especulações quanto às suas intenções de competir em Virgínia ao incluir o Estado em uma campanha publicitária de US$ 17 milhões que teve início na semana passada em 19 unidades da federação. Calcula-se que 13% dos moradores da Virgínia com idade para votar sejam veteranos de guerra.

Merle Black, um cientista político da Universidade Emory, em Atlanta, que se especializou em política nos Estados sulistas, diz que Kerry enfrentará desafios tão grandes em dez dos 11 Estados do sul, que a sua melhor chance de sucesso está na Flórida. Pesquisas recentes mostram que Kerry está praticamente empatado com Bush na Flórida, onde Jeb, o irmão mais novo do presidente, é o atual governador.

"Eu ficaria muito surpreso se Kerry fosse capaz de vencer em Virgínia, Arkansas, ou mesmo na Louisiana", afirma Black. "Caso os estrategistas da campanha de Bush percebam ameaças em quaisquer desses Estados, lançarão realmente uma propaganda negativa contra o candidato democrata, pintando-o como um liberal do nordeste".

Bush venceu em todos os Estados do sul em 2000, derrotando o democrata Al Gore no Tennessee, Estado nativo do vice-presidente, e conquistando a Flórida em uma final disputada, decidida pela Corte Suprema dos Estados Unidos. Bush venceu Gore em Virgínia por uma diferença de oito pontos percentuais.

Em uma entrevista, Black disse que o entusiasmo demonstrado por Warner quanto às chances de Kerry no sul poderiam ser um reflexo do desejo do governador de ter um sulista na chapa democrática. Toda candidatura democrática de sucesso desde a Segunda Guerra Mundial incluiu ou um sulista ou um político de um Estado fronteiriço à região sul dos Estados Unidos. O caso mais recente foi o da chapa integralmente sulista formada por Bill Clinton, de Arkansas, e Al Gore, do Tennessee, em 1992 e 1996.

Entre os nomes dos possíveis companheiros de chapa de Kerry estão os de alguns sulistas, como o general reformado do Exército Wesley Clarck, e os ex-senadores John Edwards, democrata da Carolina do Norte, e Bob Graham, democrata da Flórida.

"Creio que o fato de Warner promover Kerry no sul significa que o governador está de olho na chapa democrática", diz Black. "A Flórida, e não a Virgínia, é o Estado onde Kerry poderia ser capaz de conseguir uma vitória".

Warner diz que não está interessado em fazer parte da chapa de Kerry. "Gosto do meu emprego atual", disse ele à imprensa.

Warner também reconheceu que o fato de colocar um sulista na chapa de Kerry não garantiria sucesso no sul.

"Não estou certo de que qualquer candidato à vice-presidência seja capaz de garantir a vitória dos democratas no seu Estado", afirmou Warner.

A última vez em que um candidato à vice-presidência conseguiu a vitória no seu Estado para a chapa presidencial democrata foi em 1960, quando o então líder da maioria no Senado, Lyndon B. Johnson, democrata do Texas, deu ao senador John F. Kennedy, democrata de Massachusetts, a vitória no seu "Estado da Estrela Solitária" e em outros cinco Estados sulistas.

Naquele ano, a Virgínia votou na chapa republicana, Mas, quatro anos depois, Johnson venceu na Virgínia em cinco outros Estados do sul. Foi a última vez em que a Virgínia votou em um democrata para a Presidência da República. Danilo Fonseca

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