Problemas de Bush dão aos democratas esperanças de reconquistar o Senado

Scott Shepard
Cox News Service

Os problemas políticos do presidente Bush fizeram com que aumentassem as esperanças entre os democratas de, no próximo outono, reconquistar não só a Casa Branca, mas também o Senado dos Estados Unidos.

Os republicanos, é claro, esperam ampliar a sua maioria no Senado (51 cadeiras ocupadas pelo Partido Republicano, 48 pelo Partido Democrata e uma por um senador independente), mas até mesmo os seus mais sólidos aliados dizem que os sonhos democratas de controlar o Senado não se constituem mais em fantasias, como ocorria há apenas alguns meses.

O ativista conservador Paul Weyrich, por exemplo, observou recentemente que "há pelo menos uma chance palpável de que o presidente Bush, caso reeleito, venha a enfrentar um Senado hostil", sob controle dos democratas. Até o momento, neste ano, acrescentou Weyrich, os democratas estão amealhando todas as vantagens na corrida eleitoral pelo Senado.

Por exemplo, o índice de aprovação do presidente está atolado em pouco mais de 40 pontos percentuais, o Partido Democrata está lançando alguns candidatos surpreendentemente fortes, até mesmo no sul, e as aposentadorias inesperadas de republicanos estão criando oportunidades não antecipadas para os democratas.

Como resultado, os democratas parecem estar quase extasiados quanto às suas perspectivas neste outono. Depois que o senador Jim Jeffords, de Vermont - um republicano que abandonou o partido para se tornar independente -, se aliou aos democratas, estes precisam conquistar apenas duas cadeiras para ganhar o controle sobre o Senado. Eles necessitam de pelo menos 51 votos porque, em caso de empate nas votações da Casa, o vice-presidente Dick Cheney, um republicano, tem permissão para votar.

"Vi os números, eles são reais, e podemos fazer tal coisa acontecer", declarou confiantemente um animado senador Jon Corzine, de Nova Jersey, presidente do Comitê de Campanha Senatorial Democrata, a uma platéia de ativistas progressivos, em uma conferência em Washington na semana passada.

Joe Trippi, responsável pela campanha presidencial do ex-candidato Howard Dean, estava ainda mais confiante durante um evento na semana passada para arrecadação de fundos para o "ReDefeat Bush" (algo como "Re-derrotar Bush"), um novo "grupo 527" - em uma referência ao código da categoria do imposto de renda na qual os seus integrantes se enquadram - que está tentando registrar novos eleitores em Estados ainda indecisos.

"Acredito que recuperaremos o Senado e a Câmara", disse Trippi.

Os democratas venceram as duas eleições especiais da Câmara neste ano, conquistando assentos previamente ocupados por republicanos em Dakota do Sul e em Kentucky, diminuindo a vantagem do Partido Republicano. Compõem atualmente a Câmara 228 republicanos, 206 democratas, e um deputado independente que simpatiza com o Partido Democrata.

Mas embora a líder dos democratas na Câmara, Nancy Pelosi, da Califórnia, tenha dito na semana passada que o seu partido "possui ímpeto" para tentar reconquistar a maioria que o Partido Democrata manteve na Casa por 39 anos consecutivos, até a eleição de 1994, poucos analistas independentes enxergam a possibilidade de a liderança republicana na Câmara chegar ao fim neste outono.

"Simplesmente não existem tantas cadeiras potencialmente conquistáveis na Câmara como havia em 1994", explica Amy Walter, analista de eleições parlamentares da Cook Report, uma organização não partidária de pesquisas políticas. Ela diz que há apenas 37 cadeiras sendo disputadas atualmente na Câmara, comparadas às 108 do ano em que Newt Gingrich conduziu os republicanos a uma vitória histórica sobre os democratas.

O Senado, por outro lado, pode estar ao alcance dos democratas.

Trinta e quatro das cem cadeiras do Senado serão disputadas neste outono, 15 das quais pertencem atualmente aos republicanos, e 19 aos democratas.

Embora neste ano não mais que 12 disputas por vagas no Senado sejam particularmente concorridas, alguns dos ganhos antecipados pelo Partido Republicano, especialmente no sul, com a aposentadoria de cinco parlamentares democratas, não parecem mais tão garantidos como antes.

E a aposentadoria de senadores republicanos por Oklahoma, Colorado e Illinois, assim como a fúria dos eleitores do Alasca com o nepotismo, são fatores que deram aos democratas oportunidades de vitória nesses redutos republicanos.

A iminente saída dos senadores democratas John Breaux, da Louisiana, John Edward, da Carolina do Norte, Bob Graham, da Flórida, Fritz Hollings, da Carolina do Sul, e Zell Miller, da Geórgia alimentou especulações de que o Partido Republicano conquistaria todos as cinco cadeiras sulistas. Bush ganhou em todos esses cinco Estados em 2000, sendo que em quatro deles por uma vantagem confortável sobre Al Gore.

"Mas não se surpreendam se os democratas mantiverem quatro dessas cadeiras no sul", diz Jack Bass, um autor conhecido por seus livros sobre a política nos Estados do sul.

Segundo Bass, a Geórgia é a mais certa das apostas dos republicanos. "Mas eles na verdade já têm o Estado nas mãos, com Miller, um democrata que apoiou a reeleição de Bush", acrescentou.

Larry Sabato, fundador e diretor do Centro de Política da Universidade de Virgínia, classifica a Louisiana, a Carolina do Norte e a Flórida como "eleitoralmente imprevisíveis" e descreve a Carolina do Sul e a Geórgia como "pendendo para os republicanos". Mas a Cook Report classifica também a Carolina do Sul como "imprevisível" com base na hábil campanha conduzida pela democrata Inez Tannenbaum, a superintendente das escolas estaduais.

Embora a Geórgia represente uma boa chance para uma vitória republicana, segundo as bolas de cristal de Sabato e da Cook Report, os democratas poderiam conquistar cadeiras parlamentares nos seguintes Estados:

- Alasca, onde os eleitores estão furiosos com o fato de Frank Murkowski ter nomeado a filha, Lisa, para a sua cadeira no Senado Federal, após ter sido eleito governador, em 2002. Os democratas estão apoiando o ex-governador Tony Knowles, que governou por dois mandados.

- Colorado, onde o senador Ben Nighthorse Campbell, que trocou o Partido Democrata pelo Republicano, abalou a estrutura política do Estado, ao anunciar, em março deste ano, que não tentaria se eleger para um terceiro mandato, fazendo com que o Partido Republicano estadual tivesse que escolher entre o executivo do setor de cervejarias, Peter Coors, e o ex-deputado Bob Schaffer, nas primárias de agosto. Os democratas estão unidos em torno do procurador-geral Ken Salazar.

- Illinois, onde o senador republicano estreante, Peter Fitzgerald, desistiu de tentar a reeleição, pavimentando o caminho para uma disputa entre o ex-banqueiro Jack Ryan, o indicado pelo Partido Republicano, e o democrata Barack Obama, um senador estadual polido e articulado.

- Oklahoma, onde o senador Don Nickles, que já foi membro da liderança republicana no Senado, anunciou a sua retirada da vida política após quatro mandatos, criando o cenário propício para aquela que provavelmente será a eleição mais observada neste outono por uma vaga ao Senado. Os principais candidatos à nomeação republicana são o ex-congressista Tom Coburn, e o ex-prefeito de Oklahoma City, Kirk Humphreys. O favorito para a indicação democrata é o deputado Brad Carson.

Sabato e a Cook Report discordam quanto a Dakota do Sul, onde o líder democrata do Senado, Tom Daschle, deve se defrontar com um forte adversário, o ex-deputado John Thune. A Cook Report considera o Estado como "imprevisível", enquanto que Sabato diz que "há uma inclinação para o Partido Democrata".

O que a Casa Branca e o Partido Republicano mais gostariam seria derrotar Daschle, que eles acusam de obstaculizar grande parte da agenda legislativa do presidente. O desejo por uma derrota de Daschle é tão intenso que o líder da maioria no Senado, Bill Frist, do Tennessee, rompeu recentemente com o protocolo do Congresso para fazer campanha para Thune em Dakota do Sul.

Mas a democrata Stephanie Herseth venceu a eleição especial na semana passada para preencher a vaga deixada pelo ex-deputado republicano Bill Janklow, em janeiro, após este ter sido condenado em agosto do ano passado por homicídio. Os democratas celebraram a sua eleição como sendo o arauto do sucesso que estaria por vir no outono.

"Acreditamos que não há dúvidas de que estamos presenciando o presidente arrastar para baixo os candidatos republicanos em toda a nação", afirma o porta-voz do Comitê da Campanha Senatorial Democrata, Brad Woodhouse, referindo-se ao resultado em Dakota do Sul.

Entretanto, o senador George Allen, da Virgínia, presidente do Comitê Senatorial Nacional Republicano, contesta a avaliação democrata da disputa em Dakota do Sul.

"Os democratas estão mais uma vez se segurando em um outro argumento tênue ao sugerir que o presidente será um empecilho à agenda republicana", disse Allen em uma declaração do comitê.

Na verdade, as pesquisas eleitorais em Dakota do Sul revelam que Bush conta com uma taxa de aprovação um pouco maior que 50%, cerca de dez pontos percentuais mais elevada que a sua média nacional, mas próxima aos 60% dos votos que recebeu no Estado na eleição de 2000. Porém, mais da metade dos eleitores de Dakota do Sul disse aos entrevistadores que o país está rumando para a direção errada.

Thune desafiou o outro senador democrata por Dakota do Sul, Tim Johnson, em 2002, e perdeu por apenas 524 votos. E, embora Daschle seja um candidato mais forte que Johnson, Sabato diz que a sua disputa com Thune no outono deverá ser acirrada, e que a briga possivelmente ajudará a decidir o controle sobre o Senado. EUA

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