American Film Institute premia a carreira da atriz Meryl Streep

Valerie Kuklenski
Los Angeles Daily News

Talvez ninguém na indústria cinematográfica se esforce tanto para viver cada personagem como Meryl Streep. Seja domando leões em "Entre Dois Amores" (Out of Africa), enfrentando ondas poderosas rio acima em "Rio Selvagem" (The River Wild), ou tocando um concerto de violino no Carnegie Hall em "Música do Coração".

Foi essa combinação de talento, paixão e habilidade que levou o American Film Institute a conceder seu Life Achievement Award (Prêmio de Reconhecimento à Carreira) a Meryl Streep, quinta à noite, no Kodak Theatre.

Há poucas pessoas de qualidade na indústria que ainda não passaram pela vida e obra de Streep, como ficou evidente nas homenagens de atores que contracenaram com ela, como Kurt Russell ("Silkwood"), Shirley MacLaine ("Lembranças de Hollywood"), Goldie Hawn ("A Morte Lhe Cai Bem"), Jack Nicholson ("Ironweed"), Robert De Niro ("O Franco Atirador"), Diane Keaton ("As Filhas de Marvin") e Clint Eastwood ("As Pontes de Madison").

"Ela teve uma diversidade de papéis maior que a de Katharine Hepburn, utilizou mais vozes e sotaques que Peter Sellers ou Laurence Olivier ... e na série 'Angels in America' atravessou a barreira dos sexos para viver um rabino de 80 anos", disse o presidente do American Film Institute, Howard Stringer.

Streep, que completa 55 anos dia 22 de junho, está habituada ao reconhecimento através de premios, com dois Oscars e o recorde de 13 indicações. Mesmo assim ela disse numa entrevista estar "realmente espantada" em saber que seria a homenageada de 2004 pelo AFI, se juntando à companhia de Orson Welles, Henry Fonda, James Stewart, Bette Davis e Barbara Stanwyck.

"Também achava que era muito jovem para isso", ela ri. Embora Streep seja mais reconhecida por suas densas interpretações dramáticas, ela tem um senso de humor cheio de charme, gerando muitas risadas ao longo das mais de três horas da cerimônia.

James Woods contou que inventou um romance com Streep enquanto filmavam a minisérie "Holocausto" só para que pudessem evitar as conversas monótonas e auto-promocionais que aconteciam nas refeições do elenco. "Não dá nem pra descrever como é inacreditavelmente delicioso jantar com Meryl Streep a cada noite, durante quarto meses e meio," disse Woods.

Tracey Ullman ("Plenty") saudou Streep por ganhar o prêmio "sem bancar a coquete nem abusar da sexualidade nesse negócio que ainda é dominado pelos homens." Mas Ullman questionou com ironia o momento da premiação da "musa do milênio". "Isso está acontecendo agora, e eu acho engraçado porque você está apenas entrando nos 50 -um período maravilhoso para muitas atrizes", Ullman acrescentou com um toque sarcástico.

A escritora Nora Ephron falou sobre a experiência de ser interpretada por Streep no roteiro autobiográfico "A Difícil Arte de Amar" (Heartburn), o que ela considera ter sido "o verdadeiro maior esforço" na carreira da atriz. "Eu recomendo com entusiasmo chamar Meryl Streep para viver a vida de cada um de vocês," disse Ephron. "Ela vive cada um de nós melhor do que nós mesmos viveríamos, embora seja meio depressivo saber que, se você fosse para uma audição interpretar a você mesmo, perderia para ela."

Streep aceitou o prêmio em forma de estrela com uma reverência profunda. "Será que não dava pra gente fazer isso todos os anos?", brincou. Depois ela alertou o público sobre o perigo permanente de viver um mal degenerativo que ela chama de "tributíase".

"Há muitos doentes crônicos neste salão", ela comentou, "e entre os sintomas está o inchaço, especialmente na cabeça." "A doença ainda é incurável" disse Streep. "A humildade, que é um remédio homeopático, não funciona nesses casos".

Ela agradeceu ao marido, o escultor Don Gummer, pela força e pelo "maravilhoso DNA" que deu a eles quatro crianças -Henry, Mamie, Grace e Louisa.

Streep também agradeceu a várias pessoas que foram importantes na vida dela e que já morreram, entre elas o ator John Cazale; os pais dela, "que brigaram um contra o outro durante 60 anos , me ensinando tudo o que eu sei sobre drama"; e à atriz Colleen Dewhurst, "que me ensinou a curtir um drink entre a matinê e a apresentação da noite". 'Ela é capaz de interpretar cada um de nós melhor do que nós mesmos interpretaríamos' Marcelo Godoy

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