Paris e Nicole caem na estrada na 2ª safra de "A Simple Life"

Choire Sicha

"A Simple Life 2" - a segunda temporada do programa-realidade em que a celebridade Paris Hilton e sua Melhor Amiga na Vida, a filha de pop star profissional Nicole Richie, fazem uma viagem rodoviária pelo país - mais uma vez pega os temas mais pesados e os torna tão leves quanto um raio X social.

A partir desta quarta-feira (17/06) às 21h, na Fox americana, a dupla se desloca para oeste, de Miami Beach para Beverly Hills, sem o baú de cartões de créditos que geralmente acompanha suas aventuras. Aliviadas de sua tremenda fortuna, e sem experiência nos fundamentos da conduta diária, elas saltam de família em família como qualquer criança aos cuidados de um órgão de assistência oficial.

Revirando os olhos na perfeita maneira pós-adolescente para milhões de espectadores na TV-lândia, Hilton e Richie de alguma forma se transformam em adoráveis e perturbadas órfãs. As piadas são sempre sobre como elas são inadequadas à sobrevivência. Enquanto isso, o fato menos hilariante de que elas fingem ser necessitadas, enquanto os estranhos que vivem em trailers e de cuja bondade elas dependem talvez estejam na verdade lutando para pagar as contas, de alguma forma é varrida para baixo do trailer.

Assim como muitos programas-realidade, parte da diversão de assistir a "A Simple Life 2" é se perguntar que lapso de julgamento, que momento de fraqueza, que negativas incriminadoras os produtores exploraram para fazer pessoas pensantes concordarem com dez episódios de infâmia no horário nobre.

Neste caso, Hilton e Richie deram uma explicação muito simples: é um trabalho. Cada jovem tem seu próprio filme, livro, disco, linha de perfume e maquiagem a ser lançados. "Sou aquariana, por isso adoro ter vários projetos ao mesmo tempo", disse Hilton recentemente, por telefone. "Sou uma mulher empreendedora - quero fazer meu império por minha própria conta, como meu avô."

Mas por que as famílias que as hospedam as suportam? Ao que parece, também é um trabalho, embora muito menos lucrativo. Perguntas referentes a pagamentos receberam respostas oficiais de "sem comentários" de um porta-voz da 20th Century Fox Television, Chris Alexander, e funcionários envolvidos em vários níveis da produção evitaram revelar qualquer detalhe financeiro. Mas um membro de uma família anfitriã, falando sobre a condição de anonimato, disse que esperava receber US$ 1.500.

É melhor que o salário mínimo, mas não o suficiente para explicar abrir a própria casa para equipes de TV, o escrutínio nacional e magricelas desdenhosas. Especialmente diante de sua reputação: "Todo mundo pensava que elas fossem esnobes", disse J.O. Batten, seu anfitrião em Hernando County, Flórida, no primeiro episódio da temporada.

Batten é um fazendeiro, agricultor, produtor de rodeio e candidato a vereador. Não é impossível que esse empresário considere sua exposição na TV como algo valioso.

Mas, perguntados sobre suas hóspedes famosas, muitos falam em um tom quase paternal. É claro que as duas louras podem se comportar como crianças solitárias e abandonadas. "A impressão que eu e minha família tivemos era de estar com duas garotas que não tiveram muita vida familiar", disse em uma entrevista recente J.L. Cash, seu anfitrião em Kissimmee, Flórida. É como se seus pais verdadeiros as tivessem abandonado para um mundo dickensiano de tablóides e escândalos - e elas fazem uma espécie de trabalho forçado para a celebridade.

Cash, um pregador há 36 anos, cuida de várias igrejas. "O verdadeiro cristianismo tem a ver com amor", ele disse, "o amor colocado em ação." Então ele explica seu plano: "E se pudéssemos apresentá-las à família e ao amor como nós os conhecemos?"

É uma idéia comovente, mas em termos de intercâmbio cultural Cash trouxe música gospel e Richie trouxe uma série de obscenidades para a mesa de jantar. "Nicole teve um pequeno problema de linguagem durante algum tempo", ele admitiu.

Laurette Mequet, que faz a anfitriã das garotas durante sua passagem por Breaux Bridge, Luisiana, teve um intercâmbio mais satisfatório, uma espécie de Ação de Graças cajun. Ensinou as meninas a caçar rãs e crustáceos e elas levaram sua filha para fazer compras para seu primeiro encontro romântico.

"Não é algo que teríamos feito normalmente, deixá-la sair com um rapaz", disse Laurette. "Ela só tem 14 anos. Elas lhe mostraram até como andar adequadamente em seu vestido e tudo o que eu não ensinei. Eu posso ensinar sobre o lago e a natureza, mas não sobre fazer compras e vestir-se."

Nesse sentido, o programa é encantador, mas também cruel. Como um míssil disparado do Shore Club em South Beach, Paris e Nicole passam voando pela cidade, destroem alguns valores, constroem alguns laços sólidos de cenário e com a mesma rapidez desaparecem, deixando uma trilha de alongamentos de cabelo e pequenas roupas de cachorro criadas por estilistas.

Mas quando a poeira e o brilho corporal residual se assentam, as famílias que elas deixam para trás continuam insistindo que os ricos são exatamente iguais a você e eu. "Eu conheci o avô de Paris, Conrad, e o pai de Nicole", disse Batten, "mas eles são apenas pessoas, não importa quanto dinheiro tenham. Você pode viver a vida sendo rico ou sendo pobre, e simplesmente desfrutá-la."

Em uma série que já nos trouxe Nicole Richie dando uma mão (até o ombro) para descobrir se uma vaca estava grávida, essa recusa educada a abordar as injustiças mais extremas da riqueza talvez seja a visão mais bizarra. Ao mesmo tempo piadistas e piadas, Paris e Nicole surgem como um veículo improvável para a reabilitação dos ricos indolentes, num ambiente não ameaçador que é meio teatro de revista e meio intervenção surrealista de valores familiares.

Apesar de suas fraquezas, as queridinhas da América se saem triunfalmente. Como uma rude e quase nua Lucy e Ethel, as duas semidelinqüentes permitem que o resto de nós se sinta nobre e pobre - não que estejamos nos queixando. Esse orgulho pode ser compartilhado: "Eu ganho meu próprio dinheiro", disse Hilton. "Não recebo dinheiro de minha família. Sinto-me melhor assim."

Esse objetivo também pode desperdiçar a oportunidade de gargalhadas. ("Estamos apenas tentando fazer uma comédia", explica Jon Murray, o produtor executivo do programa. "Não temos qualquer grande mensagem por trás do programa.") Na chamada de um futuro episódio, as garotas são exibidas trabalhando em uma cadeia. A imagem rápida de Hilton colocando uma bandeja de refeição numa cela é na verdade perturbadora - congela o calor do programa.

O público de TV-realidade já sabe que a bondade geralmente não é divertida. Mas Richie lembra um momento não gravado, na casa de Cash, quando "todas as filhas, Paris e eu ficamos sentadas no trailer uma noite e apenas conversamos sobre nossas diferenças e semelhanças. Elas nos contaram como vivem, e nós lhes contamos como vivemos". Claro, isso é mais PBS (a TV Cultura dos EUA) que Fox - mas seria bom ver Richie não se comportar com uma ciclista anfetaminada por uma vez.

"Elas representam para a câmera", disse Mequet. Batten concordou: "Quando as câmeras e os microfones estão desligados, são apenas garotas".

Hilton e Richie querem usar o programa como trampolim para sua nova carreira criando cultura popular, em vez de ser apenas ridicularizadas por ela. Seus anfitriões querem a validação da televisão e um pouco de dinheiro. Mas talvez tenham motivos para acreditar no antiquado mito da vida simples. Pelo menos na TV, a América é apenas um grande bairro de amigos queridos, pais bondosos esperando uma batida na porta, com suas camas humildes com colchas de retalhos já preparadas. "Você gostaria de experimentar isso, sair por aí e ver como outras pessoas vivem?", perguntou Mequet. "Eu gostaria." Programa é atração da Fox nos Estados Unidos e no Brasil, onde a emissora é paga Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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