"Fahrenheit 9/11" causa expectativa nos conservadores dos EUA

Julie Mason
Em Washington

A borbulhante estréia do filme "Fahrenheit 9/11" dominou os assuntos em Washington nessa semana, mas o assunto não chegou aos comitês dos dois candidatos à presidência. Tentava-se escapar do assunto frenético do dia, para evitar embaraços políticos.

"Não temos nada o que responder sobre o assunto", disse o coordenador da campanha de Bush, Ken Mehlman, aos repórteres que buscavam as repercussões, acrescentando: "A questão é saber como o senador Kerry irá reagir."

Ainda não houve reação por parte de Kerry, que estava a caminho de um evento para angariar fundos em Los Angeles, que teria a participação de Barbra Streisand e de Willie Nelson.

Para a maioria dos políticos Michael Moore representa uma batata quente, difícil de segurar. Resta saber se os eleitores sofrerão alguma influência da artilharia de 110 minutos de Moore contra o presidente e a guerra no Iraque.

O filme apresenta o presidente Bush como um sujeito inepto, ou um preguiçoso crônico que foi a Guerra contra o Iraque basicamente para ajudar os investidores do Carlyle Group, uma empresa que tem relações com a família Bush e também com parentes de Osama bin Laden.

"Acho que a influência sobre as eleições dependerá da capacidade do filme de se tornar uma polêmica nacional ou um fenômeno capaz de atrair os que buscam a curiosidade", disse Mark Glaze, um consultor de mídia que trabalha em Washington e que compareceu à estréia.

O filme já tem sessões esgotadas em Nova York e Washington, e muita gente comprou previamente os ingressos para o final de semana. Nos dois cinemas onde estreou em Nova York, "Fahrenheit" bateu os recordes de frequência num só dia.

Mas as vendas nas bilheterias dificilmente irão superar as pesquisas de opinião como medida de avaliação do sentimento do eleitor.

"As pessoas não irão ver esse filme por engano; elas sabem o que irão ver, e estão pagando por isso", segundo Stephen Hess, um cientista político da Brookings Institution.

Hess não descarta inteiramente a influência da cultura popular sobre a política, lembrando que uma vez um primo dele disse que votou no presidente Reagan só porque o republicano tinha o apoio do ator Tom Selleck.

Enquanto isso, "Fahrenheit 9/11" desperta uma guerra de retóricas um tanto semelhante à que envolveu o filme "A Paixão de Cristo".

Opositores do filme de Moore, como a coalizão conservadora "Citizens United" (Cidadãos Unidos), lançaram uma campanha por e-mail, ameaçando de boicote os proprietários de salas que exibirem a nova produção. A "Citizens United" registrou uma queixa junto à Comissão Federal Eleitoral, alegando que as chamadas de televisão para o filme de Moore deveriam estar sujeitas às regras de financiamento da campanha presidencial.

No lado oposto, também há atividade. O cineasta contratou um estrategista democrata para responder aos ataques dos conservadores. O estrategista é Chris Lehane, que já foi conselheiro do vice-presidente Al Gore e do general Wesley Clark.

Os defensores de Moore estão comprando ingressos em grande quantidade para garantir uma venda expressiva no primeiro final de semana, o que sempre significa uma medida do poder de alcance de um filme.

Andrew Johnston, crítico de mídia para a revista semanal "Time Out" de Nova York, acredita que o filme está se beneficiando do senso de oportunidade e de tanta promoção.

"Michael Moore se autopromove de maneira brilhante, é um grande vendedor e agora está ultrapassando todos os seus limites", disse Johnston . "Mas a grande e decisiva questão é- como o filme renderá junto ao público de todo o país?"

A "Paixão" de Mel Gibson despertou tanto controvérsia como sucesso comercial. Já o penúltimo filme de Moore, "Tiros em Columbine", teve alguma controvérsia e depois borbulhou, na avaliação de Johnston. Ainda é incerta a reação do público ao documentário de Michael Moore, que ataca Bush Marcelo Godoy

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