Série de fracassos de bilheteria abala os estúdios Disney

Greg Hernandez
Los Angeles Daily News
Em Burbank, Califórnia

No espaço de um ano, a Disney passou do sucesso dos peixes de "Procurando Nemo" até a atual pesca infrutífera por mais um sucesso de bilheteria- e a fase ruim da empresa não poderia ter vindo num momento pior para o presidente da companhia, Michael D. Eisner, que está sob fogo cerrado tanto dos críticos como dos acionistas.

Até agora em 2004, o estúdio que foi o campeão das bilheterias do ano passado ainda não conseguiu emplacar um filme que tivesse faturado nos Estados Unidos a marca de US$ 100 milhões (ou cerca de R$ 300 milhões). E o ultimo lançamento da Disney,"O Rei Arthur", não deverá ser esse sucesso tão esperado. "Arthur" faturou apenas US$ 23,6 milhões (pouco mais de R$ 70 mi) desde que estreou, na quarta-feira passada.

Por outro lado, "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore, que a Disney não quis que sua subsidiária Miramax Films distribuísse, faturou US$ 80,1 milhões até o domingo passado, estabelecendo um recorde de bilheteria entre os documentários americanos.

Mais problema - Michael Eisner não conseguiu prolongar o contrato com a Pixar, a divisão criadora de uma série de espetaculares sucessos da animação, como "Procurando Nemo", "Monstros S/A" e "Toy Story". E agora o presidente da Disney está em plena rota de colisão com o chefe da Miramax, Harvey Weinstein. O lendário produtor independente comprou os direitos de "Fahrenheit 9/11" e distribuiu o documentário por meio da Lions Gate Films, apesar de toda a pressão contrária de executivos da matriz, como Roy Disney.

"Disney tem sido sempre um dos estúdios mais consistentes do ponto de vista comercial, estando freqüentemente ou no topo ou perto do topo do mercado. Então podemos considerar 2004 como um ano basicamente ruim", disse o analista de desempenhos nas bilheterias Brandon Gray, presidente da empresa Box Office Mojo.

O rendimento da Disney em 2004 parece ainda pior se comparado ao do seu verão dourado nos Estados Unidos em 2003, quando "Procurando Nemo" e "Os Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra" foram fenômenos que faturaram cerca de US$ 300 milhões cada um, e a comédia "Sexta-Feira Muito Louca" ("Freaky Friday") mais de US$ 100 milhões.

Esses e outros filmes com bons resultados deram a Disney uma liderança folgada sobre os rivais durante o verão de 2003. A liderança foi tão ampla que levou o estúdio ao melhor ano de sua história nas bilheterias, com US$ 1,5 bilhão (R$ 4,5 bi) faturados apenas nos Estados Unidos. Foi a oitava vez em dez anos que a Disney alcançou ou superou faturamento de US$ 1 bilhão.

Mas agora em 2004 a história é bem outra.

Com filmes considerados como "bombas" de grande orçamento, como "The Alamo", "Nem que a Vaca Tussa" e "Hidalgo" - todos com orçamentos de cerca de US$ 100 milhões - a Disney atualmente ocupa apenas a sexta posição entre os grandes estúdios, no que diz respeito ao faturamento nas bilheterias.

Outros fracassos recentes foram "Matadores de Velhinhas" e "Um Presente para Helen". Sem falar que o novo lançamento da Disney, "Volta ao Mundo em 80 Dias", estrelando Jackie Chan, normalmente um grande conquistador de bilheterias, também está decepcionando. Se bem que o estúdio comprou por um preço relativamente barato os direitos de distribuição dessa produção independente, orçada em US$ 100 milhões.

"Em condições normais, filmes de entretenimento não importam muito. Mas para a Disney isso é assunto sério, porque no verão passado os filmes do estúdio tiveram ótima performance. Então quando chegaram os resultados das vendas em DVD o impacto na receita foi realmente significativo", disse o analista de mídia Paul Kim, da empresa Tradition Asiel Securities de Nova York.

Com os custos de imprensa e marketing já faturados, os dispendiosos fracassos de 2004 colocam sob enorme pressão a Divisão de Home Video da Disney, que tentará salvar a carreira de alguns dos títulos lançados. Tarefa especialmente difícil num filme como "The Alamo", que não parece ter grande apelo para as bilheterias internacionais.

"Todo mundo coloca muita ênfase em se obter um grande sucesso logo no início da temporada de verão", segundo Chuck Viane, presidente da Distribuidora Buena Vista, ligada à Disney. "Obviamente acreditamos que "O Rei Arthur" será um grande sucesso internacional e também em DVD."

O formato DVD já ajudou a fechar bons resultados para a Divisão de Home Video da Buena Vista. Eles tem uma tradição de incrementar a renda das bilheterias com desempenho significativo na venda e aluguel de DVDs.

"'The Alamo' foi um desastre completo, assim como 'Matadores de Velhinhas' e 'Nem que a Vaca Tussa'. Ainda assim, no ultimo quadrimestre, a Disney teve uma receita de US$ 153 milhões no faturamento com filmes de entretenimento. E isso não é um desastre", assegura David Miller, analista de mídia da empresa Sanders Morris Harris de Los Angeles.

Boas perspectivas

De acordo com o analista Paul Kim, as vendas de ingressos dos filmes da Disney esse ano poderão chegar a apenas metade do que foi faturado no ano fiscal de 2003, a não ser que o estúdio emplaque novos sucessos em breve.

Essa oportunidade poderá chegar dia 30 de julho, com o lançamento de "The Village", filme de suspense do diretor e roteirista M. Night Shyamalan, que tem uma lista de sucessos lançados pela Disney, como "O Sexto Sentido", "Sinais" e "Corpo Fechado". Também está previsto para lançamento nesse verão americano "Diários de uma Princesa 2: Noivado Real", estreando dia 11 de agosto.

E há também claros sinais de expectativa em torno do filme "The Incredibles", a nova produção dos estúdios de animação da Pixar, que será lançado pela Disney dia 5 de novembro. Todos os produtos anteriores da Pixar - "Vida de Inseto", "Toy Story", "Toy Story 2," "Monstros S/A" e "Procurando Nemo" - foram retumbantes sucessos de bilheteria.

"Tenho certeza de que todos estão preocupados, mas vamos responder a esses questionamentos nas bilheterias. Disso eu tenho certeza", garante o distribuidor Viane . "Sempre o que conta é o ano inteiro, e temos muito trabalho pela frente, com 'The Village', 'Diários de uma Princesa 2' e 'The Incredibles'". Faturamento de 2004 será metade do de 2003 - se tudo der certo daqui para frente Marcelo Godoy

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