"Meu nome é trabalho", diz Matt Damon

Bob Strauss
Losa Angeles Daily News
Em Hollywood

Matt Damon admite que a antiga descrição de só trabalho/nenhuma diversão
pode se aplicar a ele. Mas talvez o resultado não seja tão chato. Apesar de o ator de 33 anos ter trabalhado constantemente nos últimos anos, ele é tão interessante hoje quanto em 1997, quando Damon e o amigo de infância Ben Affleck tornaram-se estrelas (e logo depois, roteiristas premiados com um Oscar) com "Gênio Indomável".

Em 2004, saem as continuações dos recentes sucessos "A Identidade Bourne" e "Onze Homens e um Segredo", e não há nada de exagerado na carreira de Damon no momento. Há também no horizonte filmes resultantes das tendências pensativas e experimentais do ator -um filme dirigido por Terry Gilliam, sobre os irmãos Grimm, e "Syriana", um filme sobre a política de petróleo, do autor de "Traffic" (Steven Soderbergh, também diretor de "Doze Homens e um Segredo", a continuação de "Onze").

Damon insiste, convincentemente, que está se divertindo muito. Outros não estão tão certos.

"Matt é muito concentrado; muito, muito sério e responsável com seu trabalho. Ele trabalha muito. Algumas vezes, você sai para jantar depois das filmagens, e ele não para de falar em trabalho. Ele repassa o que fizemos durante o dia e fala sobre o dia seguinte. Você quer sacudi-lo e dizer: 'Ao menos por meia hora, vamos falar de outra coisa!'", observa Franka Potente, atriz alemã que faz o papel do amor do assassino da CIA com amnésia, Jason Bourne, em "Identidade" e no novo "A Supremacia Bourne", que estreou nesta sexta-feira (16/07) nos cinemas dos EUA.

"Sim, acho que faço isso", admite Damon sem se sentir culpado. "Mas, sem querer generalizar, também acho que é uma forma de ser americana. À noite, se temos um jantar ou algo assim, o diretor ou o produtor e eu sempre estamos em um canto, repassando as coisas, porque elas sempre podem ser melhoradas. Franka dizia: 'Vocês não podem parar? Bebam um copo de vinho!' A realidade é que o trabalho não parece enfadonho para mim. É realmente uma diversão."

O diretor britânico de "Supremacia", Paul Greengrass, apreciou o vício de trabalhar de sua estrela -e sua habilidade de se divertir com isso. "Nos esbaldamos; acho que isso foi o principal", diz Greengrass, veterano de documentários ("Domingo Sangrento").

Jason Bourne

Apesar de os filmes de Bourne serem inegavelmente de ação, a série é mais inteligente do que a atual leva de aventuras escapistas de Hollywood. Livremente adaptados dos populares romances da Guerra Fria de Robert Ludlum, os filmes apresentam Damon como Jason Bourne, agente supersecreto do governo que perdeu sua memória -e não gosta das coisas que descobre sobre seu passado, enquanto foge de atentados contra sua vida.

Em "Supremacia", Bourne é vítima de uma armação para incriminá-lo por algo que não cometeu. Ele sofre uma perda devastadora e percorre de Munique a Moscou em busca de vingança. Gradualmente, ele entende que cometeu pecados terríveis que precisa reparar.

Para Damon, que é filho de um professor em Boston e que estudou em Harvard e só precisaria de mais 12 créditos para se graduar, os demônios escondidos na psique de Bourne dão aos filmes uma interessante dimensão extra. "Ele é um sujeito complexo", diz o ator. "Gosto do fato de ele ter falhas profundas, ter seu passado negro e estar tentando entender o que fez. E ele realmente está tentando voltar para a humanidade."

Antes de "A Identidade Bourne" estrear, há dois verões, os analistas riam até da sugestão de uma seqüência para o filme. "Identidade" foi dirigido por Doug Liman, que, como Greengrass, era veterano de brilhantes produções alternativas, como "Swingers" e sobretudo "Go - Vamos Nessa". O diretor fazia sua primeira grande produção de Hollywood.

Assim, o filme sofreu com muitos conflitos e extensas refilmagens. Mesmo assim, o produto final se provou um surpreendente sucesso de verão, e seu DVD foi o mais alugado do ano seguinte.

"Os sinais da indústria eram: 'Meu Deus, essa coisa vai ser horrível'", lembra-se Damon. "Na época, ninguém verdadeiramente estava me oferecendo papéis. Então fui e fiz uma peça em Londres. Fechamos em uma noite de sábado e 'Bourne' tinha começado naquela sexta-feira. Quando voltei para Nova York, havia cerca de 30 ofertas de roteiros."

Os tempos de seca tinham começado muito antes de "Bourne" parecer problemático. O sucesso de "Gênio Indomável" abriu para Damon uma série de projetos interessantes, como "Cartas na Mesa", e o belo e complexo "O Talentoso Ripley". Damon também esteve em "Lendas da Vida", "Espírito Selvagem"- que se tornaram comerciais ou desapontamentos artísticos.

Os sucessos desse período, como "O Resgate do Soldado Ryan", "Dogma" e "Onze Homens e um Segredo", foram esforços de grupo que colocavam Damon ao lado de estrelas maiores. "Em termos de sucesso, sempre foi meio tênue", admite Damon. "Não acho que ninguém se sente realmente seguro".

Mesmo assim, ironicamente, nos últimos dois anos ele conseguiu a difícil tarefa de estabelecer boa credibilidade em bilheteria sem trair seu impulso de fazer os filmes mais interessantes possíveis (depois de "Onze Homens", ele foi direto para o Deserto do Mojave para fazer o experimental "Gerry", com o diretor de "Gênio Indomável", Gus Van Sant).

Dessa forma, Damon parece estar vivendo a estratégia de seu amigo Affleck, que tem tendência mais comercial: faça um para eles (eles sendo os executivos de estúdios e grande público) e alterne com um para você (o artista sério).

Mas talvez não.

"Obrigado por dizer isso, aliás", diz Damon, sinceramente. "Mas eu nunca tive uma estratégia. São coisas simples que me atraem: um bom roteiro, um bom diretor, um bom papel. "Não estou falando de Ben. Estou falando sobre como muitos artistas que conheço fazem decisões com base em uma estratégia. Eles fazem um filme porque acham que vai se dar muito bem nas bilheterias e, depois, fazem o que querem. Mas tantas vezes, nesses grandes filmes, todo mundo entra por essa mesma razão -e ninguém é apaixonado por ele. Então você acaba com um negócio realmente medíocre e caro, que morre na praia. E tudo que você tem realmente para mostrar é a perda do seu tempo -e sua carreira anda para trás".

Esse tipo de maturidade aparece na vida pessoal de Damon com um lema que é mais ou menos assim: não corra atrás de atenção e assim não atrairá muito da má atenção. Hoje em dia, ele mantém sua vida amorosa discreta e evita os lugares quentes das celebridades, guarda costas e outras armadilhas de estrelas. Ele diz que pode sair na rua, ir ao cinema e restaurantes com um mínimo de confusão.

"Eu entendo que, um dia, tudo isso irá embora", disse Matt Damon com um sorriso. "Fico tranqüilo com essa perspectiva. Enquanto isso, vou tentando fazer as coisas interessantes e diferentes -e que me desafiam." Ator está nas seqüências "A Supremacia Bourne" e "Doze Homens e um Segredo" Deborah Weinberg

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