Saiba como "atrasar" seu relógio biológico e ficar mais jovem

Suzanne Brown
The Denver Post
Em Denver, Colorado

Donna Evans chega no estacionamento da Cara Mia Medical Day Spa em sua Mercedes SLK conversível. Ela estaciona e entra no consultório da doutora Leslie Capin.

É quase meio dia, em um dia de semana, e Evans, agente de viagens, veio fazer uma mircrodermeabrasão e tratamento com luz ativadora celular. Cliente da Cara Mia no subúrbio de Denver, Evans injetou Restylane nos lábios e Botox entre os olhos. Sua pele foi massageada com óleos, escovada com sais, depilada com cera e tatuada com maquiagem permanente nas sobrancelhas e cílios.

Ela é recebida com um abraço por Capin, antes de se sentar na cadeira da sala de espera e contar sobre suas visitas. O rosto de Evans tem poucas rugas e seu cabelo louro passa dos ombros, o que torna difícil dizer sua idade. Sua roupa é jovem -paletó preto com calças curtas, brincos grandes e sandálias que revelam unhas pintadas com flores.

Evans diz que sua intenção "não é parecer ter 20 anos, mas manter a melhor aparência". Quando lhe perguntam sua idade, ela revela somente "em torno de 50".

As visitas ocasionais à clínica de Capin ajudam-na a manter a competitividade, sem precisar se ausentar ou explicar onde está. "Gosto disso porque posso voltar ao trabalho ou sair para jantar imediatamente", diz ela. Seu marido só sabe que ela "vai ao spa".

Como milhões de americanos que entram e saem dos consultórios médicos todos os dias, Evans combate o processo de envelhecimento pinta por pinta, ruga por ruga. Há mais em jogo do que sua vaidade nessas épocas economicamente difíceis: as pessoas que desafiam ferozmente o envelhecimento dizem que a aparência jovem é importante para o sucesso na carreira e a auto-estima.

A cirurgia cosmética está prosperando graças, em parte, a séries de televisão de realidade como "Extreme Makeover" (que vai ao ar no Brasil pelo canal pago Sony) e "The Swan". Apesar de essas séries mostrarem transformações radicais, dos pés à cabeça, elas tornam mais fácil para os outros tomarem medidas menos drásticas.

O número de procedimentos cosméticos minimamente agressivos aumentou 41% entre 2002 e 2003. Foram feitos 1,8 milhão de tratamentos, a um custo de US$ 2,7 bilhões (em torno de R$ 8,1 bilhões), de acordo com uma pesquisa da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos. Esses números não incluem procedimentos feitos por dermatologistas e outros que praticam terapias médicas cosméticas.

"As pessoas querem ter uma aparência melhor, mas não querem perder tempo", diz Keith LaFerriere, presidente da Academia Americana de Cirurgiões Plásticos e Reconstrução Facial. Uma pesquisa com seus membros revelou que o uso da técnica de "resurfacing" de laser aumentou em 171% e a microdermeabrasão aumentou 90%, entre 2002 e 2003.

Pacientes mais jovens também buscam os tratamentos. O uso de injeções de Botox subiu 133% entre pessoas com menos de 40 e o peeling químico em 369%.

O aumento nos procedimentos disponíveis, a facilidade com que podem ser feitos e sua acessibilidade estimulam as pessoas, diz LaFerriere, que tem uma clínica de cirurgia plástica em Springfield, Missouri. "Temos um novo leque de opções", diz ele, acrescentando: "não é mais uma escolha entre algo superficial, como uma limpeza de pele, ou algo grande, como esticar o rosto com cirurgia plástica."

Não somente os pacientes estão conscientes do cardápio de escolhas, mas freqüentemente experimentam várias. Jean Semith, artista de Denver com 50 e poucos anos, diz que começou a fazer tratamentos faciais há quase 10 anos. A imagem que viu no espelho não era da jovem em forma que queria ser -apesar de exercitar-se regularmente.

"Eu estava começando a ter manchas marrons perto das orelhas e na testa", lembra-se. "Peguei sol demais quando era jovem. Estava começando a parecer desleixada", diz ela. "Estava empapada, parecia ter queixo duplo. Na minha cabeça, eu me dizia que realmente não era tão velha."

Ela participou de uma palestra informativa sobre procedimentos cosméticos e começou a fazer tratamentos de pele abrasivos e injeções de Botox. Há quase um ano, Smith deu um passo maior e fez um lift facial. "Foi leve", diz ela. "Contei para algumas pessoas, mas muitas nunca ficaram sabendo."

"Freqüentemente, as pessoas comentam como está bonita minha pele. Se me perguntam o que faço para mantê-la assim, eu lhes digo", diz Smith. Os que optam por cirurgia plástica sofrem com o tempo de recuperação pós-operatório, passam dor e correm riscos de saúde. Mas Smith não liga para essa parte do processo. "Você fica em casa e deita no sofá por um tempo", diz ela.

"No tempo das nossas mães, era um sofrimento fazer um lift facial. Você esperava até realmente precisar", diz Smith. "A idéia hoje é fazê-lo antes de realmente precisar".

Como artista autônoma, ela encontra com o público em vernissages e diz que é importante ter uma boa aparência. "Me ajuda a me sentir bem." Alicia Carlo também considera uma aparência jovial uma vantagem no trabalho. "É realmente importante aparentar estar bem e mostrar que você está na mesma onda que as pessoas com quem está trabalhando", diz Carlo, gerente de relações com os clientes da Avaya, nas quais, freqüentemente, é a mais velha.

Carlo aparenta facilmente ter 10 anos a menos que seus 48. Ela atribui seu rosto claro a visitas regulares à Facial Aesthetics, onde faz tratamentos abrasivos, máscaras, limpeza profunda e produtos para a pele há 11 anos.

Outra questão era seu pêlo facial. "As pessoas me disseram que fiquei tão bonita sem bigode e costeletas", diz ela. "Nós (afro-americanos) não éramos, inicialmente, bons candidatos para tratamentos com laser, porque eles atingem o pigmento e queimam ou descoloram a pele."

Quando a tecnologia de laser melhorou e tornou-se mais segura para peles negras, Carlo aproveitou. Ela diz que tudo mudou quando se livrou dos pêlos do buço e nos lados do rosto. "Agora, as pessoas não acreditam na minha idade."

As mulheres perfazem 86% dos pacientes buscando os chamados procedimentos da hora do almoço. No entanto, cada vez mais homens visitam as clínicas. Assim como as mulheres, os homens se preocupam com sua imagem, não só por vaidade, mas por razões de trabalho.

Particularmente quando trabalham em indústrias como arte e design. Ron Nelson, consultor de arte e sócio em uma empresa que produz arte e exibições científicas, no início do mês visitou a clínica de Capin para fazer um tratamento Thermage. O Thermage estica a pele abaixo da superfície, usando um aparelho de freqüência de rádio que esfria a superfície antes de esquentar o colágeno em níveis mais profundos da pele e, no fim do tratamento, volta a esfriar a pele.

Nelson diz que escolheu o tratamento por dois motivos: não precisava ficar internado e veria os resultados em um período de semanas ou meses. "Como trabalho em um campo estético, minha aparência é importante para mim", disse Nelson, que também é presidente da fundação do Museu de Arte de Long Beach.

"A maior parte dos meus amigos está chegando aos 50, como eu", disse ele por telefone. "A idéia de fazer uma cirurgia cosmética tornou-se assunto de discussão, apesar de discreto."

"Não me incomodo de aparentar minha idade, mas não quero parecer acabado", diz ele. "Eu estava olhando no espelho e vendo meu pai. Gosto de dizer que arruinei minha pele em algumas das melhores praias do mundo. Foram férias maravilhosas, mas estou pagando por isso."

Apesar do Sul da Califórnia ser a Meca da cirurgia plástica, Nelson diz que escolheu uma clínica de Colorado. Ele disse: "O nível de serviço e atendimento é muito melhor. Escuto muitas histórias de horror." Nelson não desistiu da idéia de fazer serviços cosméticos dramáticos mais tarde.

"Fico intrigado com as mudanças tecnológicas e acho que os equipamentos vão melhorar", diz ele. "Também achei que esse tratamento ia me ajudar a adiar a necessidade de algo mais drástico."

Tawyna Cooke, 40, conhece o drástico. Moradora de Arvada, Colorado, foi uma das "cisnes" da série da Fox "The Swan", nessa primavera. Cooke passou três meses fazendo cirurgias plásticas no rosto e no nariz, lipoaspiração, injeções de Botox e colágeno e limpeza de dentes. Ela teve sessões de exercícios e consultas semanais com um psicoterapeuta.

Tão dramática foi sua mudança que seu namorado não a reconheceu quando foi apanhá-la no Aeroporto Internacional de Denver. "Acho que eu parecia comigo, mas 10 anos mais moça", diz Cooke. "As pessoas dizem que sorrio mais do que antes. (O tratamento) aumentou minha auto-confiança".

Cooke, que tem duas filhas de 17 e 20 anos, diz que não se preocupa que programas como "The Swan" passem a mensagem errada às jovens e as faça se concentrar demais em sua aparência. "Acho que você tem que saber no que está se metendo", diz ela. "Manter os olhos bem abertos e compreender que pode mudar sua aparência, mas precisa ter algo acontecendo internamente também".

Regina Cowles não recrimina ninguém, mas diz que a ênfase na aparência está fora de controle. "A propaganda e a pressão social em cima de nós é enorme", diz Cowles, presidente da Organização Nacional de Mulheres em Boulder, Colorado. "Olho para minha sobrinha de 12 anos, que é uma ginasta maravilhosa, e espero que quando faça 15 anos não seja consumida por sua aparência mais do que pelo esporte ou pela escola."

Cowles diz que está começando a se sentir uma estranha no ninho, já que muitas de suas amigas e até sua mãe de 80 anos estão fazendo tratamentos cosméticos e cirurgias.

"Pessoalmente, tenho aversão", diz Cowles. "Prefiro fazer uma boa massagem, um jantar maravilhoso com os amigos ou uma viagem. Mas se faz as pessoas se sentirem bem, tudo bem. Existe uma espécie de vício no processo", diz ela, depois que sua mãe fez os olhos, começou a falar de mais cirurgias.

"Será que, em algum momento, basta?" pergunta Cowles. Você começa com um tratamento e passa ao outro, diz ela. "Quando a aparência da pessoa fica alterada, é assustador." Donna Evans diz que não é isso que está buscando. "Apenas quero estar o meu melhor", diz ela. "Me dá mais confiança." Injeções, peelings e lasers reduzem o ritmo do envelhecimento em questão de minutos Deborah Weinberg

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