Boca Jrs. e Maradona são o que o futebol mundial tem de melhor

Brian Forbes
The Denver Post

Para compreender a aura do Club Atlético Boca Juniors -assim como a série de estrelas que adornam o time- é preciso uma lição de lógica circular. Diego Maradona é igual ao Boca Juniors que é igual à Argentina que é igual a Maradona.

Por muitos considerado mais talentoso do que o ícone do futebol, o brasileiro Pelé, Maradona levou a Argentina para duas finais da Copa do Mundo durante uma década que dominou com habilidade, controvérsia e brilho sem paralelos.

A lenda de Maradona nasceu em Buenos Aires, com o Boca Juniors, muito antes de chegar à Europa, em meio a boatos de uso de drogas. Ele deu ao Boca Juniors reconhecimento nacional, enquanto o clube e seus fãs apaixonados lhes deram amor e lealdade inabaláveis.

Apesar de Maradona ser a mais alta estrela do clube, não é a única. A habilidade do Boca Juniors de colher os melhores talentos argentinos tornou-o um dos times latino-americanos mais populares do mundo.

"Para mim, é especial (jogar no time) porque estamos falando de um dos maiores clubes do mundo", disse o artilheiro do Boca Juniors, Martin Palermo, por intermédio de um tradutor. Palermo deixou o Boca Juniors em 2000, depois de fazer 79 gols em 70 jogos. Ele voltou ao time pouco antes da temporada de verão.

"Quero devolver ao time o sentimento das pessoas e da torcida, que estão por trás do que as cores representam", disse ele.

Para compreender as pessoas, é preciso tentar entender seu filho favorito.

O Boca Juniors foi fundado em 1905, em Buenos Aires, por um grupo de imigrantes italianos. Setenta e cinco anos depois, a fama de Maradona foi levada a um clímax febril quando ele fez mágica na vitória do Boca Juniors, por 3 a 0, contra seus inimigos do River Plate. Seu último gol foi brilhante, em que superou o famoso goleiro Fillol e a defesa de Alberto Tarantini.

A história de Maradona, que saiu da pobreza para o estrelato, agradou as massas e a muitos que cresceram no bairro colorido de La Boca.

Marcelo Balboa, ex-astro do Colorado Rapids, passou parte de sua infância em Buenos Aires. "Você nasce com uma bola no pé. Beisebol e futebol americano não existem", disse Balboa, hoje embaixador do Rapids. "Se as crianças não têm bola, fazem uma de meia; só precisa ser redonda e rolar. Elas encontram um pedaço de gramado para jogar ou jogam nas ruas. É um estilo de vida."

A economia da Argentina também fez da venda de grandes jogadores de futebol um estilo de vida, e Maradona foi vendido para o gigante espanhol Barcelona, depois da temporada de 1982. Mas ele ficaria para sempre no coração dos fãs do Boca Juniors, que acompanharam de perto sua carreira com paradas em Nápoles, na Itália, e em Sevilha, na Espanha, antes de voltar ao Boca Juniors, em 1995.

Maradona deu ao Napoli seu primeiro campeonato italiano e a Copa da Uefa, em 1989. Ele levou a Argentina para a final da Copa do Mundo de 1986 e fez o passe que garantiu a vitória ao seu país, por 3 a 2, sobre a Alemanha.

Ele levou a Argentina de volta à final da Copa do Mundo em 1990, mas um pênalti deu à Alemanha a vitória por 1 a 0. Pouco depois, Maradona foi suspenso por 15 meses, quando seu exame antidoping deu positivo.

Na Copa do Mundo de 1994, nos EUA, Maradona fez um gol e colaborou em dois, nos dois primeiros jogos da Argentina. Sua celebração amalucada do gol levou a outro teste de drogas, que também deu positivo -e foi expulso da competição.

Ele voltou ao Boca Juniors por duas temporadas, completando 35 gols em 71 jogos.

Quando sua saúde permite, Maradona volta a Buenos Aires para ver seu time amado. Ele tem um suíte em La Bombonera, onde o Boca Juniors joga. Um mero aceno de mão seu faz a galera vibrar.

"Não é pressão para mim. É uma sensação boa fazer parte de um time em que o melhor jogador do mundo jogou", disse Palermo. "Quando você está no campo e você o vê na arquibancada... astros e lendas nascem no mesmo lugar."

Outro famoso ex-jogador do Boca Juniors é Gabriel Batistuta. Ele marcou dez gols em três Copas do Mundo para a Argentina, superando o recorde anterior de Maradona, de oito.

"Vestir a camisa do Boca provavelmente significou mais para mim do que para qualquer outro jogador", disse Batistuta quando chegou à casa de seus pais, em Buenos Aires. "Boca Juniors se traduz em dois nomes: paixão e o povo."

Essa paixão atinge seu máximo quando o Boca Juniors joga contra o rival River Plate. "Realmente, não tem comparação com qualquer outro jogo no mundo", disse Batistuta. "É um país inteiro envolvido em um único jogo de futebol."

Batistuta jogou para os dois times antes de estrelar nos maiores jogos da Itália pelo Fiorentina, Roma e Inter de Milão.

Recém nomeado treinador do Boca Juniors, Miguel Brindisi jogou ao lado de Maradona no início dos anos 1980. "Tendo jogado para o time e defendido suas cores, é uma honra especial e grande responsabilidade e prazer ser seu técnico", disse ele.

Vencedor de 19 títulos nacionais, o Boca Juniors a chance de vencer sua sexta Copa Libertadores da América, que escolhe o melhor time da América do Sul, quando perdeu a final no mês passado. Nos últimos cinco anos, o clube venceu duas Copas Intercontinentais contra as forças européias como o Real Madrid. Time e jogador simbolizam o talento máximo no esporte e a paixão de toda uma nação Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos