Moore convida Bush para ver "Fahrenheit 9/11"

Benneth Roth
Houston Chronicle
Em Boston

Os democratas estão tentando concentrar as atenções de sua convenção partidária em John Kerry, sem transformá-la num mero festival de ataques contra o presidente Bush. Só falta combinar isso com Michael Moore, o cineasta liberal que adora boas brigas com a Casa Branca, como ficou provado com "Fahrenheit 9/11", que estréia nesta sexta-feira (30/07) no Brasil.

Moore partirá nesta quarta-feira (28/07) de Boston em direção ao Texas, onde pretende realizar uma projeção do seu filme na cidade de Crawford -bem perto do rancho do presidente, na região central do Estado.

Moore convidou Bush, que está no rancho durante essa semana, mas a porta-voz da Casa Branca Claire Buchan já adiantou que dificilmente o presidente irá comparecer.

"Quem sabe mês que vem em Nova York.", disse Moore nessa terça, antecipando que já tem as credenciais para assistir à convenção nacional do Partido Republicano.

Embora os democratas tenham-lhe concedido credenciais para participar da convenção, não estão deixando ele chegar perto do palanque. Ainda assim, Moore tem recebido tratamento estelar por parte dos delegados, ativistas liberais e pela mídia em geral.

Em entrevistas a televisão e discursos do lado de fora da arena da convenção, Moore vem "agitando a massa" com sua retórica cheia de matizes, muitas vezes impublicável, com abordagens implacáveis sobre vários assuntos, que vão da guerra no Iraque às eleições de 2000.

Vestido com calças baggy, camiseta lamentável e o indefectível bonezinho de beisebol, Moore anda pela convenção cercado por um esquadrão de seguranças que afasta fãs, fotógrafos e repórteres.

Nessa terça, ele promoveu uma exibição exclusiva de "Fahrenheit 9/11" para membros da Federação Americana de Funcionários Públicos Municipais, Distritais e Federais. Depois Moore acompanhou num comício o ex-candidato à indicação presidencial Howard Dean.

Na segunda à noite, Moore ficou no camarote do ex-presidente Jimmy Carter, observando os discursos da convenção. Numa das entrevistas à televisão, Moore acusou severamente os executivos dos noticiários da TV, por não questionarem os motivos que levaram o governo Bush a declarar guerra contra o Iraque e por não relatarem as baixas de civis iraquianos.

Moore já havia dito no Encontro de Congressistas Negros que seu filme se tornou popular porque os americanos "estão cansados de não lhes dizerem a verdade", enganados tanto pelo governo como pelas organizações de mídia.

"Eles estão assistindo a um filme de não-ficção porque tiveram que viver sob quatro anos de ficção vinda da Casa Branca", disse Moore, sugerindo que Bush deveria ganhar uma indicação ao prêmio de melhor ator por sua interpretação como presidente.

O libelo anti-Bush "Fahrenheit 9/11" ocupou a sétima posição nas vendas de ingressos nos cinemas semana passada, já se consagrando como o documentário que mais faturou em todos os tempos nos Estados Unidos. Uma pesquisa recente do instituto Gallup descobriu que 58% dos adultos americanos pretendem assistir ao filme. Segundo os apuradores, 38% dos eleitores republicanos declararam que querem ver o documentário.

Dirigentes republicanos acreditam que, se realmente se associarem a Moore, os democratas poderão afetar as possibilidades de Kerry em novembro. "Esse é um homem de visões extremistas", declarou Ed Gillespie, presidente do comitê nacional Republicano. Cineasta diz já ter as credencias para a convenção dos republicanos Marcelo Godoy

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