Mundo esportivo não deixa gay saír do armário

Brian Ettkin
Albany Times Union

E lá vamos nós de novo. A cada ano, aproximadamente, circulam rumores sobre a orientação sexual de algum atleta. Desta vez, quem deu pernas aos boatos foi Terrell Owens. Em uma entrevista, a revista Playboy perguntou se achava que seu colega do time de futebol americano San Francisco 49ers, Jeff Garcia, era gay. Ele respondeu: "Como dizem meus filhos: se parece um rato e cheira como um rato, meu deus, é um rato."

Owens tentou retirar a declaração nesta semana, dizendo: "Era apenas uma conversa informal... não sei se Jeff é gay ou não."

Não sei qual é orientação sexual de Garcia e pouco me importo.

Mas sei que, se eu fosse um atleta homossexual de um esporte de equipe profissional, eu nunca o admitiria publicamente. Em vez de quebrar um tabu para que os próximos não tivessem que carregar tal fardo --ou seja, o de viver com medo constante de ser exposto-- eu me comportaria covardemente --e você também.

Há uma razão por que nenhum atleta profissional de equipe jamais se revelou (e poucos o fizeram depois do fim de suas carreiras): sua vida estaria arruinada.

Billy Bean, ex-atleta da liga, que só se revelou depois de se aposentar do beisebol, me disse certa vez: "Preferia ser atropelado por um ônibus a dizer para as pessoas."

Porque seria menos doloroso.

Você pode esganar sua esposa e ir jogar sem o menor problema. Mas, se você for homem, não pode amar outro homem. Um vestiário esportivo é fonte de muitas coisas: de fraternidade, de machismo e de adolescência tardia --não é bem a descrição de um local de civilidade e esclarecimento.

Perguntaram a Tiki Barker, do Giants, como os jogadores reagiriam se um colega revelasse sua homossexualidade. Ele respondeu: "Alguns levariam bem, e alguns não saberiam como reagir."

"Há um grupo de atletas muito religiosos, uma comunidade grande. Eu penso que muitos desses teriam problemas com isso", disse Amani Toomer do Giants.

Há vários anos, perguntei a alguns jogadores de beisebol o que aconteceria se um colega admitisse ser gay. Para seu crédito, responderam com honestidade.

"Eu não ia achar grande coisa", disse Steve Cox, na época do Devil Rays. "Se você me respeitar o suficiente para não me deixar inconfortável, eu vou respeitar você para que você não fique inconfortável. Se você entender que é bom falar para todo mundo, faça-o. Se você achar que não será vantagem, não o faça. Todos sabem como é um vestiário. Não sei se são corretos, mas são do jeito que são, e temos que aceitar isso. As coisas são como são. Muitas pessoas não gostam de mudanças."

Para ter sucesso em um esporte de equipe, você tem que se sentir bem em seu ambiente. Você tem que sentir que pertence ao grupo. É difícil sentir que pertence ao time quando o fato de amar gera desconfiança, incompreensão e vingança.

"Muitas pessoas acreditam que a pessoa nasce homossexual", disse Paul Wilson do Reds, quando jogava no Devil Rays. "Acredito que uma pessoa nasce com uma raça, um credo, mas que certas coisas na vida são escolhas da pessoa. Você cresce e tem sensações estranhas e, subitamente, 'oh, acho que sou gay'. Muitas pessoas têm esses sentimentos. Alguns os interpretam mal, outras não."

Fiquei chocado quando ele disse isso publicamente.

Agora, imagine o que seria dito e feito quando as portas do vestiário se fechassem.

Alguns jogadores sentir-se-iam traídos que um amigo ou colega tivesse escondido isso deles. Outros se sentiriam inconfortáveis de tomar banho ou trocar de roupa na frente do jogador homossexual. Outros ainda dariam apoio.

Mas o primeiro jogador a se expor seria avaliado como se fosse um vírus. Tornar-se-ia a história esportiva do ano, maior do que o fato de Kobe Bryant, astro do basquete profissional americano, ter sido acusado de violência sexual. Seria uma distração e quase certamente um fator de divisão. Um jogador de pouca importância colocaria em risco a segurança de seu emprego. Um jogador famoso perderia patrocínios.

"Digamos que o jogador tivesse confiança em seu agente e dissesse: 'Olha, estou realmente tendo problemas com isso e preciso lhe contar'", disse Bean, autor de "Going the Other Way".

"Eu te garanto que o agente diria: 'Nunca diga isso a ninguém. Você pode fazer o que quiser quando seu tempo tiver passado e ninguém mais se importar.'"

Sua identidade também mudaria. Ele não seria mais o famoso marcador ou o astro da cesta. Seria o "jogador gay".

Mesmo assim, esse dia está chegando, em que um jogador romperá a barreira da condição sexual.

"Vai acontecer, com certeza, nos próximos 10 anos", disse Barber.

É um sentimento bonito de um jogador homossexual, com coragem sobrenatural, querer pavimentar o caminho para outros, mas parte de mim espera que esteja errado. Porque eu não gostaria que ninguém sofresse as conseqüências. Atletas homossexuais jamais se sentirão parte de uma equipe Deborah Weinberg

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