Phil Collins anuncia que nunca mais fará turnês

Fred Shuster
Los Angeles Daily News

O astro trabalhador e megabem-sucedido de música adulta contemporânea está deixando o carrossel do rock após três décadas quase ininterruptas de turnês. Apesar de que continuará gravando, Collins se cansou de cruzar o globo, fazer o check-in e o check-out em hotéis para tocar em capitais estrangeiras enquanto sua família espera em casa.

Ao longo do caminho, a carreira de Collins tem estado entre as mais impressionantes do pop, atuando como baterista, cantor, compositor, produtor e ator, começando no auge do art-rock britânico dos anos 60 com o Genesis e posteriormente com o grupo de fusion Brand X antes de atingir imenso estrelato mundial, envolvendo uma big band, trilhas-sonoras, Motown e baladas de apelo de massa.

Apesar de estar encerrando a vida na estrada, Collins ainda tem um forte presença nas ondas de rádio. A poderosa rádio FM de música adulta contemporânea, Kost, por exemplo, conta com cerca de 18 canções de Phil Collins na programação. "São suas letras e voz. As canções são incríveis e elas têm apelo junto a homens e mulheres."

Dave Burns, diretor de programação da KMLT FM em Thousand Oaks, explica o motivo: "As pessoas realmente gostam dele. Ele é um sujeito comum: ele parece alguém que poderia trabalhar em uma fábrica, mas quando ele canta, é mágico. Além disso, você não escuta nenhuma notícia ruim sobre ele".

Para marcar a decisão de guardar suas malas no depósito, Collins está realizando sua "First Final Farewell Tour" (primeira turnê final de despedida), que cruzará os EUA, começando em Arrowhead Pond, nesta quinta-feira (26/08), antes de seguir para Staples Center, em 31 de agosto, e encerrando na Flórida no final de setembro.

Com cerca de 100 milhões de álbuns vendidos (250 milhões contando o trabalho dele com o Genesis) e sete prêmios Grammy na estante, Collins tem apelo junto ao mesmo público que adora Elton John, Celine Dion e Rod Stewart.

No próximo mês será lançado um álbum duplo com 25 canções, "Love Songs", reunindo sucessos como "One More Night", "Against All Odds", "Groovy Kind of Love" e "Two Hearts", juntamente com algumas favoritas pessoais, raridades e performances ao vivo inéditas. Entre as faixas está "You'll Be in My Heart", do desenho animado "Tarzan", que deu a Collins a tripla coroa do Oscar, Globo de Ouro e Grammy.

O cantor britânico, de 53 anos, concedeu entrevista em sua casa na Suíça, onde mora há 10 anos.

Los Angeles Daily News - Então, você se cansou.

Phil Collins
- Se eu não parasse agora, eu excursionaria até morrer, e eu tenho um filho de 3 anos e meio que entrará na escola em 2006 e outro bebê que nascerá em novembro. Eu preciso estar aqui para isto. Assim, chegou a hora de me adaptar. Mas não estou me aposentando. Eu ainda vou gravar álbuns, compor, fazer vídeos e até mesmo um concerto ocasional. Mas as turnês em que você faz as malas, diz adeus e fica fora por cerca de dois anos --isto acabou para mim.

LADN - Tirando a ausência em casa, a vida na estrada em si provavelmente não é tão ruim.

Collins
- Não mesmo. Eu estou em um estágio em que voamos em nosso próprio avião e ficamos hospedados nos melhores hotéis. Não há dificuldade. Eu adoro. Eu não estou abandonando porque odeio. É apenas uma questão de um ser humano com uma agenda pessoal. Eu percebi que quero estar aqui para os meus filhos. (Phil Collins tem três outros filhos, com idades variando de 15 a 32 anos, de casamentos anteriores.)

LADN - Você teve um longo e frutífero casamento com o rádio. Você está desapontado com a forma como tal meio mudou tão drasticamente?

Collins
- Eu fui até uma emissora de rádio em Nova York em 96, quando saiu "Dance Into the Light", para dar uma entrevista, e só tocaram minhas músicas antigas. Eu disse: "Tome, aqui está meu novo CD. Você pode tocar algo?" E o DJ disse: "Não, não podemos mais tocar CDs porque tudo é computadorizado e automatizado".

Assim, mesmo há quase 10 anos, a rádio deixou de ser espontânea. Eu costumava viajar com discos (de outros artistas) que eu trazia de casa, assim quando dava alguma entrevista em rádio, eu podia tocar algumas das minhas músicas favoritas. Eu não quero soar como se tivéssemos perdido toda a esperança. Eu sei que mudanças acontecem, mas talvez o preço seja alto demais.

LADN - Eu vi outro dia uma pessoa vestindo uma camiseta que dizia: "Música, sim... Grammys, não".

Collins
- Provavelmente é alguém que nunca ganhou um Grammy. Conquistar um Grammy, um Oscar ou qualquer um destes prêmios de grande prestígio... não há nada igual. É maravilhoso. Às vezes eu questiono como são feitas as indicações. E não acho que o mundo necessite de mais um prêmio, mesmo com grande esforço de imaginação. Mas me orgulho destes prêmios.

LADN - Com 13 anos, você esteve no filme clássico dos Beatles, "A Hard Day's Night - Os Reis do Ié-Ié-Ié".

Collins
- Eu estava na seqüência do concerto, na platéia. Um grupo de alunos da escola foi levado de ônibus até este teatro no West End, mas não fomos informados sobre o motivo. Quando os Beatles apareceram no palco, nós fizemos naturalmente o que fazíamos. Eu fiquei escutando, mas todos meus amigos ficaram gritando.

Nós sabíamos que era importante, e posteriormente assistimos 20 vezes no cinema quando foi lançado, em 1964. Anos depois (em 1994), eu narrei "The Making of 'A Hard Day's Night'" (disponível em DVD nos EUA), e congelei a cena em que apareço na platéia. Na verdade, fiz um círculo em torno da minha cabeça para provar que realmente estive lá.

LADN - Você despontou em uma época em que havia cerca de uma dúzia de semanários de música no Reino Unido. Agora, eles não existem mais, incluindo a antiga "Melody Maker".

Collins
- A "Melody Maker" era o "Sunday Times" da imprensa musical. Mas quando o punk surgiu no final dos anos 70, a atitude se tornou muito negativa e vingativa, e muitos dos redatores saíram e garotos assumiram seus lugares. A certa altura, a circulação despencou, e a revista sumiu aos poucos devido à falta de interesse. Eu assinava a "Mojo".

Qualquer revista que consiga ter Miles Davis, Beatles, Jimi Hendrix e Aretha Franklin na mesma edição é uma verdadeira revista de música. Eu até mesmo escrevia para ela de vez em quando para parabenizar pela diversidade. É o que o rádio costumava ser: Zappa, Miles, Zombies, Hendrix... algo bem abrangente. Do Genesis à revelação, cantor diz ter percorrido sua estrada George El Khouri Andolfato

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