EUA e Brasil decidem ouro no futebol feminino

Anthony Cotton
The Denver Post
Em Atenas

Uma equipe chega à final do futebol feminino nos Jogos Olímpicos aproximando-se do fim de uma longa jornada em que mudou a maneira como o esporte é visto nos Estados Unidos. A outra, de atletas consideradas secundárias em um país com uma rica história, gostaria de vencer para mostrar que é capaz de subir ao cume do jogo.

Além disso, elas simplesmente não gostam umas das outras.

Por qualquer critério que se escolha, o jogo pela medalha de ouro nesta quinta-feira (26/08) entre Estados Unidos e Brasil deverá ser uma conclusão adequada para o melhor torneio que a maioria das pessoas na Grécia não viu. Ambos os times chegaram a Atenas na terça-feira, tendo feito seus jogos anteriores em locais distantes como Volos, Patras e Thessaloniki.

Foi nessa última cidade que as americanas derrotaram o Brasil numa partida preliminar. Depois da derrota no dia 14 por 2 a 0, o treinador brasileiro, Renê Simões, acusou os Estados Unidos de jogar "um jogo muito sujo", dizendo que duas jogadoras brasileiras foram feridas intencionalmente.

Questionada durante uma teleconferência nesta quarta-feira (25) se esperava que as brasileiras tentariam retaliar, a treinadora americana, April Heinrichs, disse: "Deposito toda a minha fé na Fifa e em quem eles indicarem para o jogo --em termos de a Fifa estar muito interessada em garantir que as finais olímpicas sejam bem jogadas, bem arbitradas, e que eles deixem as personalidades atacantes jogar e mostrar sua força".

Uma das principais jogadoras americanas, Julie Foudy, é uma dúvida para o jogo. Depois de sofrer uma torção no tornozelo durante a vitória contra a Alemanha por 2 a 1 nas semifinais, a meio-campo estava usando muletas até quarta-feira.

"É um jogo muito físico. É difícil dizer neste momento", disse Heinrichs sobre Foudy, que nunca perdeu uma partida dos Estados Unidos na Copa do Mundo ou nos Jogos Olímpicos.

O jogo desta quinta deverá ser o último da carreira de Foudy. Também será o último para o grupo principal de jogadoras cuja vitória na Copa do Mundo de 1999 elevou a estatura do esporte nos Estados Unidos. Embora depois da vitória o esporte nunca tenha realmente chegado ao pique febril atingido durante aquele campeonato, não deverá diminuir as conquistas de Foudy, Mia Hamm, Brandi Chastain, Joy Fawcett, Kristine Lilly e Briana Scurry.

"Você pode rever virtualmente todas as vitórias que tivemos no jogo feminino e pode dar crédito a essas quatro, cinco ou seis jogadoras", disse Heinrichs.

Depois de não alcançar a vitória nas Olimpíadas de 2000 ou na Copa do Mundo de 2003, algumas pessoas acreditavam que o time americano estivesse muito aquém de sua melhor forma e que os jogos de Atenas seriam praticamente uma despedida do esporte.

No entanto, Heinrichs misturou diversas jovens jogadoras ao time, que está invicto em cinco partidas. Isso incluiu a vitória sobre a Alemanha, que venceu os Estados Unidos na final da Copa do Mundo de 2003.

Mesmo assim, conforme o torneio avançou, as jogadoras e treinadora enfatizaram que estão tentando ganhar o ouro para as veteranas.

"Sua história e sua conquista no nível mais alto deste esporte nos ajuda a ver diariamente o impacto que essas jogadoras têm", disse Heinrichs. "Não tenho certeza se podemos medi-lo, honestamente, exceto para dizer que Foudy, Hamm, Lilly e Fawcett, algumas das outras, Chastain, Scurry, realmente colocaram o futebol feminino em primeiro plano na mente de todo mundo."

"Se jogarmos como um time, se jogarmos para cada uma das outras e essas jogadoras que estão em seu jogo de despedida, então acho que as coisas poderão dar certo para nós."

É claro que as brasileiras têm seus próprios planos. Em quarto lugar nos jogos de 1996 e 2000, elas sofreram tentando achar seu caminho em um país onde os homens conquistaram cinco Copas do Mundo e são considerados deuses. Uma vitória aqui, à sombra do monte Olimpo, dizem elas, poderia ser o primeiro passo para conquistar seu próprio espaço. Americanas e brasileiras jogam com objetivos bem diferentes Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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