Eleição nos EUA tem vários cenários possíveis

John Aloysius Farrel
The Denver Post

Washington - Tudo poderá se reduzir à disputa em Ohio. Ou aos eleitores hispânicos recém-registrados no Colorado e no sudoeste do país. Ou aos fiéis correligionários de Ralph Nader no meio-oeste.

O eleitorado feminino é fundamental. Ou os católicos de Wisconsin. Ou a segunda-geração de cubano-americanos no sul da Flórida. E o comparecimento às urnas é a chave de tudo: em todas as localidades.

Faltando duas semanas para a eleição de 2004, os Estados Unidos continuam nitidamente divididos, não havendo um sinal claro de um movimento nacional favorável ao presidente Bush ou ao senador John Kerry.

"Mais próximos: é onde estamos", diz William Schneider, analista político do American Entreprise Institute. Pesquisas nacionais revelam que a corrida eleitoral está praticamente empatada. E o Colégio eleitoral está igualmente dividido, com mais de 100 dos 538 votos eleitorais ainda indefinidos.

Os cenários para a eleição são diversos. Por exemplo, existe um axioma segundo o qual o vitorioso será aquele candidato que vencer nos dois ou três maiores Estados onde a eleição é muito disputada: Ohio, Pensilvânia e Flórida.

Mas, e se Bush, com a ajuda de Nader, conquistar a Flórida e três Estados do meio-oeste - Minnesota, Wisconsin e Iowa - nos quais os democratas venceram em 2000? Nesse caso Kerry poderia vencer em Ohio e Pensilvânia, e ainda assim perder a presidência.

Kerry poderia desfechar um golpe equivalente sobre as esperanças do presidente caso o comparecimento dos hispânicos às urnas disparasse no oeste. Bastaria então que ganhasse no Colorado, Arizona, Nevada e Novo México para que os democratas não precisassem de Ohio e Flórida.

Cada um dos dois campos alardeia estar em ascensão e espera, como aconteceu em algumas eleições presidenciais, que ocorra uma avalanche de eleitores atualmente indecisos na reta final.

Ralph Reed, coordenador da campanha de Bush no sul, diz que a campanha de Kerry está abrindo mão de Estados anteriormente considerados imprevisíveis, como Missouri e Arizona.

Joe Lockhart, assessor de Kerry, insiste em dizer que o seu candidato pretende na verdade expandir a sua fatia do mapa eleitoral. Os republicanos sonham em vencer em Nova Jersey; os democratas investiram uma quantia substancial no Colorado. Bush venceu a batalha das convenções, mas Kerry utilizou os três debates para recuperar o ímpeto e estreitar a dianteira aberta pelo presidente. Com a votação antecipada em andamento em vários Estados, e faltando apenas duas semanas para o dia da eleição, cada um dos campos se concentra agora em motivar os eleitores e em fazer com que estes compareçam às urnas.

Ambas as campanhas estão registrando eleitores, obtendo urnas de votação à distância, identificando os seus apoiadores mais confiáveis e buscando os votos.

"Tudo indica que o índice de comparecimento às urnas será elevado", diz Schneider. "E há certas evidências indicando que os democratas têm se saído excepcionalmente bem, especialmente na Flórida e em Ohio".

Kerry, porém, continua atrás de Bush no que se refere a uma pergunta importante das pesquisas de opinião: "Quem seria o melhor candidato para liderar os Estados Unidos, e garantir a segurança dos norte-americanos, na guerra contra o terrorismo?".

"O presidente Bush fez, no cargo, aquilo que disse que faria", afirma o diretor de comunicação da Casa Branca, Dan Bartlett. "A disputa será acirrada, mas no final eu creio que a mensagem e a visão do presidente prevalecerão".

A força do presidente no Colégio Eleitoral reside no sul e no oeste. É quase certo que ele vença no Texas e no restante da velha Confederação, assim como nas Grandes Pradarias e nos Estados da porção norte das Montanhas Rochosas.

Já a base de Kerry está em estados dotados de panoramas aquáticos. A Califórnia é o centro das suas esperanças no oeste; Illinois é a sua peça-chave na região dos Grandes Lagos; e a sua nativa Nova Inglaterra e os Estados do Meio-Atlântico fomentarão o domínio dos democratas no leste.

Salvo por alguma alteração importante de última hora, é quase certo que as bases de cada um dos candidatos lhes assegurem 180 votos no Colégio Eleitoral. A marcha de Kerry rumo a vitória depende dos Estados do "Rust Belt" ("Cinturão da Ferrugem"), onde os problemas econômicos nos últimos quatro anos custaram caro a Bush. Kerry tem boas chances em Michigan (17 votos no Colégio Eleitoral), Minnesota (10), Pensilvânia (21), Iowa (7), Wisconsin (10) e Ohio (20), que, conjugados a uma dupla de Estados menores, como New Hampshire (4) e Novo México (5), fariam dele presidente.

Já Bush necessita de uma vitória ampla no oeste, no sul e em Estados de fronteira, como a que obteve (com a exceção do Novo México) em 2000, além de garantir novamente os 27 votos eleitorais da Flórida. Caso consiga tal façanha, ele só precisará vencer em Ohio ou em dois ou três Estados menores para garantir a sua reeleição.

Assim, o campo de batalha encolheu nas últimas semanas, limitando-se ao Rust Belt e à Flórida e a algumas poucas potenciais surpresas remanescentes que poderiam ocorrem em Estados como Nevada e Colorado. De fato, 44 das principais campanhas políticas na televisão se concentram em apenas dez Estados, segundo uma pesquisa da Universidade de Wisconsin.

"Não há nenhuma dúvida quanto ao ponto em que se encontra a corrida presidencial", diz o especialista em pesquisas de opinião do Partido Democrata, Stan Greenberg. "Existe um consenso nacional: esta corrida está empatada". Na reta final, Bush e Kerry contam com eleitores indecisos Danilo Fonseca

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