Mulheres precisam se gabar para atingir sucesso

Melissa S. Monroe
San Antonio Express-News

Mais de 300 mulheres profissionais gritavam, corriam em círculos e saltavam sobre as cadeiras no hotel Marriott Rivercenter em San Antonio, no Texas (EUA), um dia desses. Não, elas não estavam apavoradas. Estavam apenas se aquecendo para os exercícios de gabolice (o ato de se gabar, contar vantagem, exibir-se).

Uma mulher trabalhadora nunca sabe quando vai se encontrar no elevador com o presidente da empresa. Ou subitamente terá de se promover em uma análise de trabalho, entrevista para emprego ou tentando salvar seu emprego, diz Peggy Klaus, autora de "Brag! The Art of Tooting Your Own Horn Without Blowing It" (Conte vantagem! A arte de tocar sua própria corneta sem assoprá-la").

"O problema que temos com a autopromoção é este: pensamos que é necessário escolher entre continuar obscura ou parecer bizarra", Klaus escreveu no livro. "Um bom autopromotor chega sorrateiramente, chama sua atenção e o conquista."

Os exercícios exagerados de gabolice que Klaus mostrou às mulheres nesse workshop motivacional são os que pratica antes de subir ao palco. Mas ela disse que a verdadeira sessão de gabolice geralmente é mais discreta.

A maioria das mulheres, disse Klaus, são ensinadas desde crianças a não contar vantagem, o que as prejudica no ambiente de trabalho. Quando menina, seu pai lhe dizia: "Não precisa tocar sua própria corneta, seu trabalho será recompensado".

Mas depois de ser recusada em muitas entrevistas de trabalho em Hollywood Klaus teve de fazer algo rapidamente para se destacar em uma cidade onde todo mundo sabe contar vantagem. Em vez de simplesmente ler seu currículo, ela se forçou a falar sobre suas capacidades. Afinal começou a fazer seminários sobre o assunto e a ser entrevistada pela mídia. Anos mais tarde, Klaus se tornou conhecida como a Senhora Exibida.

A gabolice eficaz, disse Klaus, é "usar maneiras normais de conversa e algumas informações impressionantes que são ditas com paixão, sentido de urgência e prazer".

Andrea Howard, uma gerente de operações do Chase Card Services, descobriu da maneira mais difícil como é valioso estar preparada rapidamente para contar vantagens sobre si mesma. Ela foi escolhida por Klaus para explicar o que faz diante da platéia.

Antes que o nervosismo a dominasse, Howard primeiro recebeu um pouco de treinamento da autora da Califórnia. "Eu estava muito nervosa, mas Peggy tem muita energia e me deu a percepção para contar minhas realizações", ela disse. "Na verdade tinha a ver com pôr uma história na minha cabeça. Todos nós crescemos pensando que é errado se auto-elogiar. Mas tudo tem a ver com o modo como você se apresenta."

A estudante colegial Maria Sandoval disse que também cresceu pensando que é melhor falar pouco. Mas desde então aprendeu que essa filosofia não ajuda a progredir no atual ambiente competitivo.

E as mulheres têm de recuperar muito espaço, segundo o Comitê Nacional sobre Igualdade Salarial. A diferença entre o rendimento médio de trabalhadores em tempo integral aumentou em 2003. Naquele ano, os rendimentos das mulheres eram 76% do dos homens, contra 77% em 2002 nos EUA. A última vez em que a proporção de rendimentos entre homens e mulheres diminuiu foi em 1998-99.

Os rendimentos médios das mulheres negras continuam sendo menores que os dos homens em geral. Em 2003, os rendimentos das mulheres hispânicas foram apenas 55% dos rendimentos dos homens. As negras ficavam em 66% e as asiáticas em 80%.

Embora as mulheres tenham subido lentamente na escada da igualdade salarial, disse Klaus, os homens também têm muito a aprender para suas técnicas de gabolice. Ela disse que os homens não sabem usar histórias e muitas vezes parecem agressivos e bizarros.

Julie Herrington, que assistiu à apresentação de Klaus, disse que é difícil dizer coisas "que sejam lembradas" e acredita que é preciso pensar muito e praticar para se gabar direito.

É por isso que Klaus faz suas participantes responder a "Gabolices ou Fatos" sobre uma pessoa, variando do que elas fazem para ganhar a vida ao que elas apreciam em sua profissão. Então, disse Klaus, as dicas ajudam a pessoa a montar um breve "Gabolodiálogo".

Mas mesmo que uma pessoa não adote as dicas de Klaus --estar pronta rapidamente, ter senso de humor e manter as coisas curtas e simples--, ela diz que devem ter no mínimo uma boa história para contar. Curso ensina que contar vantagem as ajuda a serem bem sucedidas Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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