Mulheres maduras que bebem moderadamente têm saúde mental mais duradoura

Catherine Clabby
Raleigh News & Observer
Em Wake Forest, Carolina do Norte

Durante muitos anos, a sabedoria convencional andou martelando que o ato de beber álcool acabava tornando o cérebro completamente inoperante. Hoje, chegou o momento de repensar esta opinião comum.

Pesquisadores da universidade de Wake Forest divulgaram nesta semana os resultados de um estudo segundo o qual as mulheres em idade avançada que bebem moderadamente, até mesmo todo dia, estão menos expostas a sofrer uma deterioração de suas capacidades mentais do que aquelas que nunca consomem álcool.

Isso não significa que as abstêmias deveriam começar a encher a cara, explica Mark Espeland, um epidemiologista que atua no departamento de pesquisas da universidade de Wake Forest, e que dirigiu este estudo. Continua sendo perigoso misturar certos remédios com bebidas alcoólicas, e toda pessoa que estiver seguindo uma terapia medicamentosa deveria abandonar imediatamente o hábito de beber.

Mas, os resultados do estudo desenvolvido pelos pesquisadores de Wake Forest, que deverão ser publicados oficialmente na próxima semana, reforçam as evidências crescentes de que algumas mulheres mais idosas que bebem moderadamente --isto é, uma e até mesmo duas taças de vinho no jantar, por exemplo-- podem estar proporcionando alguma vantagem para o seu cérebro.

"Isso pode de fato reduzir os riscos de elas sofrerem algum declínio cognitivo", precisa Espeland.

Mark Espeland e a sua equipe vêm trabalhando a partir de dados que foram colhidos para uma pesquisa mais ampla, realizada em nível nacional, e que foi iniciada em Wake Forest em meados dos anos 90. Esta visava a avaliar como e até que ponto as drogas utilizadas como substitutos hormonais depois da menopausa afetam as capacidades mentais das mulheres acima de 65 anos. Esta pesquisa apurou que os hormônios são mais prejudiciais do que benéficos.

Os cientistas estão agora garimpando as informações que foram obtidas a partir das entrevistas realizadas com mais de 4.600 mulheres no quadro daquela pesquisa, para explorar outras questões, inclusive a possível conexão entre o ato de beber moderadamente e uma melhor preservação das capacidades mentais.

As mulheres que declararam beber álcool uma ou mais vezes por dia apresentavam um risco inferior em 40% de sofrer um declínio significativo das suas funções cognitivas ao longo de um período de quatro anos, se comparado com os riscos que correm as mulheres que nunca beberam.

As formas de deterioração que a pesquisa detectou nos planos da memória, da fala e do raciocínio abstrato, entre outros, foram significativas o bastante para fazer com que as mulheres atingidas e os membros de sua família pudessem provavelmente se dar conta delas, acrescentou Espeland.

Os resultados obtidos pelos pesquisadores de Wake Forest vêm se somar a um bom número de outras descobertas que foram feitas nos últimos anos, segundo as quais o hábito de beber moderadamente parece reduzir os riscos de ser ver acometido de uma série extensa de males, tais como doenças cardíacas, diabetes e enfarte.

Contudo, os cientistas não sabem dizer por quê. Segundo eles, é possível que as bebidas alcoólicas reduzam a formação de coágulos, melhorem o fluxo do sangue, e até mesmo aumentem consideravelmente os níveis de "bom" colesterol no sangue.

A bebida alcoólica, é claro, tem também os seus lados negativos. O alcoolismo é raro entre as mulheres em idade avançada - o Instituto Nacional do Abuso de Álcool e do Alcoolismo recenseou menos de 1% de mulheres idosas acima de 65 anos dependentes de álcool -, mas ele existe.

O ato de consumir álcool em excesso, mesmo entre pessoas não-alcoólatras, apresenta sérios perigos. A embriaguez pode provocar quedas, as quais são muito perigosas para mulheres idosas com ossatura frágil. Além disso, muitas pessoas idosas também seguem tratamentos para lutar contra males crônicos, por meio de medicamentos que não deveriam ser misturados com álcool.

Primeiro, as pessoas idosas precisam avaliar atentamente os prós e os contras do consumo de álcool em função do seu estado de saúde pessoal, para decidirem então se o ato de beber, mesmo moderadamente, é seguro para elas, explica o médico Mark Willenbring, que é diretor da divisão de tratamentos e de pesquisas sobre a recuperação do Instituto Nacional do Abuso de Álcool e do Alcoolismo. O seu instituto define como "ato de beber moderadamente" a prática de consumir álcool não mais de oito vezes por semana.

Willenbring faz uma recomendação importante: as pessoas precisam consultar um especialista que esteja a par do seu perfil médico, tal como o seu médico pessoal, de modo a obterem uma opinião segura.

De maneira geral, resultados estatísticos tais como aqueles que foram divulgados pelos pesquisadores da universidade de Wake Forest nesta semana, não podem ser aplicados de forma indiscriminada para todo e qualquer indivíduo.

"A principal questão a ser esclarecida é: Qual seria o nível relativamente seguro de consumo de álcool para cada uma destas pessoas?", concluiu Mark Willenbring. Pesquisa indica que o consumo moderado de álcool pode fazer bem Jean-Yves de Neufville

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