Cientistas esperam dar grande passo em inteligência artificial

Stephanie Earls
Em Troy, Nova York
Do Albany Times Union

Há algumas coisas que Selmer Bringsjord, diretor do Laboratório de Raciocínio e Inteligência Artificiais do Instituto Politécnico Rensselaer (RPI), simplesmente não pode divulgar. Por exemplo, os detalhes específicos sobre um projeto subvencionado para desenvolvimento de computadores capazes de raciocinar, para eventualmente reforçarem a segurança interna. Não é "altamente confidencial", mas sim "pode saber".

Sendo alguém que lida com dedução de coisas e então compartilhá-las com o mundo, manter informação em segredo não é um estado natural para Bringsjord. Seu currículo, por exemplo, tem 23 páginas repletas de feitos e conhecimentos concedidos. Ele escreveu seis livros, inúmeros comentários de livros e documentos de pesquisa com títulos como "O Ataque Zumbi aos Conceitos Computacionais da Mente".

Ele já escreveu artigos de opinião para "The Troy Record" e "The Los Angeles Times". Ele é procurado por repórteres de todo país cada vez que Hollywood lança um novo filme sobre robôs ou quando alguém faz qualquer nova alegação ou avanço no campo da Inteligência Artificial (IA).

Freqüentemente, é claro, tal avanço é realizado por Bringsjord e sua equipe da RPI. Como foi o caso quando o laboratório desenvolveu um robô com inteligência robótica experimental psicométrica, ou Peri, capaz de passar em partes de um teste padrão de QI.

E então surgiu o Brutus.1, um programa capaz de escrever contos originais (apesar de contendo temas sinistros, limitados), que provocou agitação global. Bringsjord, na verdade, está agora tentando definir o mal, de forma que Brutus.1, cujas caracterizações eram "terríveis", possa desenvolver um bandido mais crível.

"Isto implica em definir o mal, definir mentira, o que não é tão simples quanto parece", disse Bringsjord.

Em dezembro passado, Bringsjord e o co-pesquisador Konstantine Arkoudus receberam um subvenção de US$ 400 mil da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa), a organização de pesquisa e desenvolvimento do Departamento de Defesa, para investigar questões sobre aprendizado e raciocínio para um projeto chamado Pronto para Aprendizado. A subvenção poderá ser prorrogada por três anos e totalizar US$ 1,2 milhão.

Resumindo, Bringsjord e sua equipe tentarão produzir um computador capaz de ler, compreender e refletir sobre o que aprendeu. É um passo crucial no avanço rumo à inteligência artificial.

"O trabalho da RPI investigará o aprendizado e o raciocínio, áreas que são chaves para a obtenção da visão dos sistemas cognitivos", disse Jan Walker, uma porta-voz da Darpa. "Além disso, apesar do aprendizado e do raciocínio serem importantes, também é importante ser capaz de medir quanto um sistema cognitivo aprendeu. O projeto da RPI desenvolverá formas para ajudar a medir quando um sistema realmente aprendeu algo."

Bringsjord tem 46 anos, é um esquiador e pai de dois adolescentes que atualmente estão alegremente superando atleticamente seu pai.

Não foi a matemática ou os computadores, mas sim uma fascinação pela lógica e pela teologia natural que atraiu Bringsjord para o campo que ele agora domina. Quando era criança, buscando uma boa discussão, ele perguntava para sua mãe e outros freqüentadores da igreja sobre o motivo que os levava a acreditarem em Deus.

Ao crescer, as pessoas lhe pediam para que se tornasse advogado. Reconhecidamente não inclinado para matemática ou mecânica, ele obteve seu Ph.D. em filosofia na Universidade Brown antes de seu amor pela lógica -ao estilo Sherlock Holmes e sr. Spock- lhe conduzirem diretamente para o crescente campo da IA, em 1980. Ele chegou com algumas idéias próprias.

"Eu sou tremendamente cético de que robôs conseguirão algum dia alcançar a inteligência humana, o que torna minha própria vida um tanto paradoxal", disse Bringsjord, que posteriormente se mudou para o RPI para chefiar os departamentos de filosofia e ciência cognitiva e posteriormente o laboratório de raciocínio e IA.

A idéia de consciência é um assunto acalorado nos círculos de IA: é conhecida como a palavra "C". "As pessoas não medem esforços para evitar tal palavra em IA", disse Bringsjord. "Se você usar a palavra 'C' você terá que ser capaz de nos mostrar em termos de programas de computador funcionais ou algoritmos o que é, e se não puder, então cale a boca."

Discutir consciência em termos de computadores é, no presente, uma perda de tempo, disse Bringsjord. "A verdade é, como uma máquina poderia experimentar esquiar a 60 quilômetros por hora, sabendo que é possível morrer a qualquer momento? Ela não pode."

Mas Bringsjord se esforça, lutando para provar que está errado, um feito que ele duvida que ocorrerá em seu tempo de vida, mas um cujos blocos de construção fundamentais parecem estar firmemente ao seu alcance.

Um fã ávido de filmes de ficção científica (os favoritos são "Blade Runner" e, é claro, "2001: Uma Odisséia no Espaço"), Bringsjord notou achando graça como, na tela grande, os humanos parecem obcecados por visões sombrias e altamente cinematográficas da dominação dos computadores (veja "Matrix", "O Exterminador do Futuro") e de supercomputadores onipresentes caçando a humanidade. A ficção científica na vida real é bem mais mundana, tediosa e nada sensual, dizem aqueles que conhecem.

Ler é uma das melhores e mais eficientes formas de aprendizado, mas "o fato é que as máquinas, apesar de freqüentemente apregoadas como tendo aprendido isto ou aquilo, não conseguem ler", disse Bringsjord. "Se você puder realmente ensinar a um computador lógica e raciocínio, então você realmente poderá ensiná-lo a fazer qualquer coisa." George El Khouri Andolfato

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