Maroon 5 comemora sucesso após tropeço inicial

Sandra Barrera
Los Angeles Daily News

Momentos antes de ser anunciado o vencedor na categoria de melhor artista estreante, mês passado na entrega dos prêmios Grammy, o líder do grupo Maroon 5, Adam Levine, deu um tapinha nas costas do rapper Kanye West. "Aí cara, acho que você ganhou esse prêmio", é o que ele lembra que disse a West, considerado o favorito na disputa.

Reuters

Banda Maroon 5 antes da cerimômia do Grammy; o hit "She Will Be Loved" faz sucesso no Brasil
Mas o Grammy foi para o Maroon 5, que começa nesta sexta-feira (11/03) à noite sua turnê Honda Civic Tour, em Los Angeles, no Universal Amphitheatre, com um show adicional no domingo.

"Havia muita atenção dos críticos em relação a Kanye, então logicamente penso que ele provavelmente achava que seria o vencedor --e para ser franco, nós também achávamos isso", diz Levine, 25 anos. "Mas nós vencemos. Tivemos sorte, acho que foi isso."

Tendo ou não a sorte algo a ver com isso, ninguém pode duvidar de que o Maroon 5, vencedor do Grammy, conquistou o mundo com a força de seu multiplatinado álbum de estréia, "Songs About Jane".

O disco, na verdade lançado em 2002, e que a revista Rolling Stone dois anos depois incensou como "um rock 'n' soul funky e sexy", foi composto por Levine --o autor que, segundo outra revista, a Entertainment Weekly, "parece o bastante ser a porção roqueira do grupo, a ponto de observadores casuais ficarem surpresos com o fato de que fãs chegam a compará-lo com Terence Trent D'Arby."

Quando começou a escrever o álbum, Levine estava obcecado com as estilizações hip-hop de Lauryn Hill e com o soul dos anos 70. As letras foram inspiradas por desgosto amoroso.

Levine escreveu "Songs About Jane" (Canções sobre Jane) como forma de canalizar a agonia emocional por uma separação que era recente.

"Eu registro meus sentimentos quando escrevo as letras", ele diz, acrescentando que esse tem sido um jeito dele de se expressar, pelo menos desde os oito anos de idade. "Mas eu não ousava contar isso a ninguém, porque me dava tanta vergonha...não era nada cool."

Claro que tudo isso mudou quando ele começou a tocar guitarra, aos 10 anos. Quando estava no ensino médio, Levine fazia parte do grupo de rock alternativo Kara's Flowers. Ele formou a banda em meados dos anos 90 com seus amigos --o baixista Mickey Madden, o tecladista Jesse Carmichael e o baterista Ryan Dusick.

Mas em 1998, depois do fracasso do álbum de estréia desse grupo, o Kara's Flowers se dispersou. Um ano depois, os amigos se reagruparam como o Maroon 5, e isso não foi uma simples mudança de nome.

A banda, acrescida do guitarista James Valentine em 2001, tinha um som contemporâneo baseado num soul clássico semelhante ao Jamiroquai. E na raiz desse som estava Stevie Wonder.

"É meio tolo atribuí-lo a só uma pessoa, mas se eu tivesse que fazê-lo, seria a Stevie", diz Levine, que evoca Wonder tanto na voz como na sonoridade de "Songs About Jane."

Evidentemente se passaram dois anos desde o lançamento, para que alguém finalmente se desse conta.

O álbum ficou assim meio incógnito e em banho-maria, até que a banda fez a abertura da turnê de John Mayer no último verão americano. E um vídeo atraente para o single "This Love", com a participação da ex-namorada de Levine, a modelo Kelly McGee, chamou a atenção de vez para o grupo.

Desde então, o álbum já vendeu mais de 3 milhões de cópias e conduziu a banda para o sucesso fora dos Estados Unidos.

"É divertido fazer sucesso em sua própria terra, mas quando o trabalho atinge o resto do mundo, é aí que o negócio fica excitante", diz Levine. "Quer dizer, nenhum de nós poderia acreditar que esse disco pudesse ir tão longe. E ele tem mesmo longas pernas."

Ainda assim, apesar de toda a atenção que recebe da MTV, da rádio comercial e de um bando de revistas de adolescentes, o Maroon 5 sabe que ainda tem muito o que provar, se quiser ter longevidade no ramo musical.

Levine diz que fazer sucesso só faz aumentar as dificuldades para a próxima etapa.

"Quanto mais hype tivermos, pior estará a nossa situação, porque de repente você tem essas grandes expectativas que devem ser preenchidas", diz Levine. "No final das contas, nenhuma banda fica tão boa quanto o seu próprio hype. É por isso que ficamos tão animados, porque não nos deram tanta atenção assim no início, e isso nos deu a oportunidade de provar que todo mundo estava errado. E foi o que fizemos."

Levine diz que, após conquistar o Grammy, ele foi contactado para cantar no próximo álbum de Kaye West. Ele aceitou.

"O lance é que, no final das contas, ficamos amigos do Kanye", diz o líder do Maroon 5. "É, nós ganhamos... e ele também levou uns Grammys, então está tudo bem." Antes de "Songs about Jane", eles formavam a banda Karas Flowers Marcelo Godoy

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