Som pop do Duran Duran completa ciclo

Ricardo Baca
Do Denver Post

Examinar os 25 anos de história do pop sintético e da new wave é quase a mesma coisa que ler a biografia musical do Duran Duran. Esses subgêneros e essa banda ficaram famosos por meio da indulgência e do excesso, com uma trilha sonora de sintetizadores e baterias eletrônicas.

Os sintetizadores de Nick Rhodes em todo o catálogo do Duran Duran eram misteriosos, ousados, estrangeiros e, principalmente, uma nova força no mundo da música popular, que não tinha sido totalmente conquistado por Gary Numan, Human League ou Kraftwerk.

Os teclados de Rhodes deram vida às pinturas de Patrick Nagel dos anos 80. Por isso faz sentido que o Duran Duran esteja de volta depois de diversos rompimentos.

Seu renascimento é apropriado neste momento. O movimento new romantic/synth-pop/new wave que a banda liderou completou o ciclo, com artistas da corrente dominante como Gwen Stefani lançando discos eletrônicos que atingem o topo das paradas apenas gritando "Rio" e "Girls on Film".

"Eu sempre acreditei que os anos 80, especialmente no início, foram uma época extraordinária para a música", disse Rhodes, em entrevista por telefone. "Nós quase sabíamos disso na época, mas é que os 60 e os 70 foram tão incríveis para a música que não tínhamos certeza. De certa maneira, as pessoas demoraram um pouco para ver as coisas em perspectiva. Os anos 80 foram sobre experimentação. Depois, os 90 foram apenas realmente seguros."

O Duran Duran, com a ajuda de New Order, Depeche Mode e algumas outras, abriu caminho para grande parte da música popular que estava se desviando dos sons clássicos da guitarra elétrica. É claro que Dead or Alive, A-Ha e Frankie Goes to Hollywood a seguiram imediatamente. Mas mais tarde vieram Blur, Dandy Warhols, Radiohead e inúmeras outras bandas que se formaram nos anos 90 e ainda fazem música relevante.

Na verdade, o novo sucesso de The Killers e a constante criatividade de The Faint provam que a marca do Duran Duran é maior hoje do que foi nos anos 80.

"Eles não tinham medo de ter apenas órgão, bateria e baixo", disse Alice Gilbert, uma aficionada de pop indie e DJ num clube de Denver. "Além disso, o primeiro álbum de Duran Duran, que foi realmente bom e incrível, saiu em 81. Todas essas outras bandas foram de 84 ou 85."

Logo depois do lançamento com sucesso de seu disco de 2000, "Thirteen Tales From Urban Bohemia", os Dandy Warhols estavam querendo mudar sua estética drogada indie-rock. O vocalista Courtney Taylor estava numa overdose de rap da costa oeste, especificamente os estilos G-funk do Dr. Dre, mas a resposta para o dilema de sua banda veio enquanto assistia VH1 Classic.

"Quando escutamos a canção 'Planet Earth' de Duran Duran foi que percebi que não havia Bowies, nem Roxy Musics, nem Duran Durans, nem Japans - toda aquela atitude elegante, graciosa, linda, sofisticada e chique desapareceu da música hoje", disse Taylor em 2003. "Todo mundo está ocupado demais fazendo rock de garagem ou electroclash."

O resultado foi o neo-new wave de "Welcome to the Monkey House", um disco muito cuidado co-produzido por Taylor e seu "muso", Nick Rhodes. "Ele está simplesmente incrível", disse Taylor. "Suas impressões digitais estão em todo lugar."

A paixão de Rhodes pelos sintetizadores começou quando era criança, mas ele teve uma revelação em 1978. "Finalmente percebi quando tinha 16 anos que aquilo era realmente o futuro do rock 'n roll", disse Rhodes. "Essa coisa pode fazer o que nenhuma outra pode, e você mesmo ter uma e fazer as coisas acontecerem com seqüências e depois com sampling é incrível."

Muitos fãs de new wave e synth-pop consideram trovadores indie como The Faint uma atualização moderna da abordagem ágil, jovem e sexy do Duran Duran à música com teclados furiosos. Os vocais afetados de Todd Baechle são surpreendentes, só superados pelos teclados de Jacob Thiele.

"Lembro quando escutei 'Hungry Like the Wolf' pela primeira vez e lembro de uma sensação muito ousada", disse Joel Peterson, baixista de The Faint. "Não acho que houve uma influência direta em nossas cabeças com The Faint, mas Duran Duran foi definitivamente uma banda que estava na nossa consciência coletiva da história da música.

"Era uma coisa muito importante quando estávamos crescendo, e tínhamos consciência disso - assim como tínhamos consciência de Motley Crue e Van Halen -, mas desde então eu provavelmente voltei a escutá-la mais do que quando éramos garotos, e embora eu não esteja interessado em tocar aquele estilo, ainda acho que eles acertaram em cheio."

"Com sintetizadores, você consegue criar algo que é realmente único, um som que ninguém escutou antes, e foi isso que Nick deu à banda", diz Sara T., DJ de um clube em Denver.

Ela salienta que o estilo e a moda são tão importantes para o pop sintético - de qualquer era - quanto a própria música. E o Duran Duran, que cuidava do estilo, surgiu no momento perfeito para aproveitar as crescentes possibilidades promocionais do início dos anos 80.

"Lembro de alguém chegar para nós e dizer: Ei, olhe só: vamos para um lugar chamado MTV hoje", disse Rhodes. "O que é isso?, perguntamos. Oh, 'music television', e vai tocar música 24 horas por dia. Nós dissemos: Ótimo, e por que ninguém fez isso antes? Era muito conveniente e um ótimo formato."

A banda percebeu uma vantagem de vendas de 20 a 25% nos mercados que veiculavam na MTV. De repente nasceu um império. O Duran Duran, que já tocava em todas as rádios dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Ásia, foi uma das primeiras bandas a entrar no trem da MTV com clipes sensuais e polêmicos, que são ícones memoráveis dos primeiros dias da rede.

Embora o Duran Duran esteja reanimando suas raízes com essa reunião dos cinco membros originais --para não falar no atual interesse por tudo o que é sintético e eletrônico -, a MTV está muito distante do que já foi.

"Quando a assisto, fico muito triste com a falta de música", disse Rhodes, repetindo o sentimento muito comum de que é mais TV do que MTV. "Era tão excitante quando começou, porque era ousada e de vanguarda, e eles tocavam coisas que ninguém na rádio ousava tocar. Não era realmente movida a publicidade ou patrocínio. Era movida por pessoas que amavam música e entendiam disso, e faziam uma coisa nova."

"Hoje virou uma grande corporação velha e emperrada, que tem algumas coisas incríveis a seu favor - incluindo uma marca mundial que vale bilhões de dólares -, mas não acho que eles dêem tanto valor à música agora." Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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