Estrela Sandra Bullock está de volta formidável

Evan Henerson
Los Angeles Daily News

Pode chamá-la de Sandy.

Quando a encontramos pela última vez, a agente do FBI Gracie Hart tinha acabado de salvar o concurso Miss USA, embonecada para parecer uma candidata viável, fez muitos novos amigos e atraiu o afeto do colega agente Eric Matthews. "Miss Simpatia", com Sandra Bullock estrelando no papel de Gracie, faturou cerca de US$ 106 milhões nas bilheterias apenas nos EUA.

Com cerca de dez minutos da seqüência, "Miss Simpatia 2 - Armada e Perigosa", que estreou nesta quinta-feira (17/03) nos Estados Unidos, a nova celebridade de Gracie a obriga a abandonar seu trabalho como agente secreta.

E pior, ela fica sem namorado. O agente Matthews desaparece e não é substituído, e Gracie tropeça numa espécie de relação de amor e ódio com sua guarda-costas durona e parceira Sam Fuller (interpretada por Regina King).

Epa! Vamos repetir: uma comédia de um grande estúdio, estrelada pelo protótipo da garota que mora ao lado, Sandra Bullock, em que seu personagem é infeliz no amor e não termina com o mocinho.

Isso existe? Pode apostar suas flores murchas e bombons estragados do Dia dos Namorados, diz a produtora, Sandra Bullock.

"Para começar, não era uma comédia romântica", diz Bullock, que produziu "Miss Simpatia 2", assim como o filme original, por meio de sua produtora, Fortis Film. "Quero que as mulheres sejam capazes de fazer as mesmas coisas que os homens nas comédias e dizer: 'Isso é uma comédia'. Por que sempre tem de ser uma comédia romântica? Por que a garota tem de ficar com o cara? Por que não pode ser um 'filme de amigos'?"

Como é ela quem manda, as respostas para as últimas perguntas parecem ser: "Ela não fica" e "Pode".

"Sandy é muito inteligente e sabe o que já fez", diz Enrique Murciano, que faz um agente do FBI bonitinho com quem Gracie Hart não se envolve romanticamente. "Acho que ela pensou: 'É uma ótima oportunidade para fazer um filme de amigos'. Acho que ela reconheceu essa oportunidade e a perseguiu."

Benjamin Bratt, Michael Caine e Candice Bergen --que participaram da primeira versão-- estão ausentes da seqüência, mas Heather Burns, Ernie Hudson e William Shatner continuam.

Apesar de não ter romance, "Miss Simpatia 2" certamente é uma comédia. Além de Bullock e King quase se matarem constantemente, a história --ambientada principalmente em Las Vegas-- apresenta figurinos incríveis, uma estilista pessoal exagerada (interpretada por Diedrich Bader), piadas e muitas perseguições. Mais importante para os objetivos da estrela/produtora, o filme também tem algo a dizer.

"Acho que é uma mensagem importante para qualquer pessoa que se sinta deslocada, única ou que não pertence às massas", diz Bullock. "O que é normalidade? Isso não existe. A sociedade está tentando nos controlar como gado. Todos podemos viver juntos e ter opiniões diferentes."

Bullock --"Sandy" para o elenco e equipe do filme-- está usando um casaco pesado sobre jeans. Folheando uma brochura em um hotel elegante de Beverly Hills, a nativa de Washington (DC), hoje com 40 anos, murmura: "É bom saber onde você pode comprar relógios Christian Dior, se desejar. Eu não desejo. Mas tudo bem, vou guardar isto".

Dizendo que não é uma "boa celebridade", Bullock conduz as tarefas promocionais de seu filme com graça e humor. "Miss Simpatia 2" é seu primeiro papel desde "Amor à Segunda Vista" (2002), que faturou US$ 200 milhões e que ela também produziu.

Seus próximos projetos incluem um papel atípico no conjunto de "Crash", para o autor e diretor Paul Haggis (que escreveu "Menina de Ouro") e interpretar Nell Harper Lee no filme "Every Word Is True" sobre tema de Truman Capote. Ela também vai se reunir com seu astro de "Speed", Keanu Reeves, no próximo "Il Mare".

Nos bastidores, Sandra Bullock foi produtora-executiva de "The George Lopez Show" desde o início, fazendo ocasionalmente uma aparição como convidada. Ela doou recentemente US$ 1 milhão para o socorro às vítimas do tsunami. Quando se fala em filantropia, ela simplesmente diz: "Eu podia".

"Eu adoro o trabalho", ela diz. "O resto não sei muito bem como lidar, e não faço bem. Eu não faço as coisas que dariam uma boa celebridade. Fico irritada quando as faço. Eu penso: 'Isso não tem a ver com o trabalho'. Mas preciso lembrar que tem a ver com o trabalho. Eu o estou promovendo, mas não sinto que vou contribuir promovendo uma coisa que não tem a ver com o trabalho."

Segundo seus colegas atores e o diretor John Pasquin, Bullock é uma produtora "mão na massa", envolvendo-se desde a locação até a escolha da trilha sonora e do elenco, reescrevendo e até editando, "até que a tranquei fora da sala", brinca Pasquin.

"Ela tem uma opinião, não tem medo de expressar sua opinião, mas não é dogmática", diz Pasquin ("Meu Papai É Noel", "Jungle 2 Jungle"), que assumiu a função do diretor original de "Miss Simpatia", Donald Petrie. "Ela é o dinheiro e é o motivo pelo qual as pessoas vão ver o filme, por isso é importante. Certamente todo mundo na Warner e na Castle Rock acham que é melhor escutar o que ela diz."

"É o meu trabalho. Faço o que um produtor faz", retruca Bullock sobre um trabalho cujos deveres ela adora: selecionar, delegar, ficar obcecada sobre canções que não se encaixam bem ou o som que poderia ser mais engraçado.

"Três semanas atrás estávamos na dublagem final, tentando acertar a música, e chegamos ao último trecho deitados no chão", ela diz. "Eu gosto desse processo do drama e como o destrinchamos."

Antes de ser atriz, disse Bullock --filha de um treinador de voz e uma cantora de ópera--, ela gostava dos elementos técnicos da apresentação teatral. "Eu fazia teatro na escola e sempre ficava no lado técnico. Era preciso fazer isso. Quando você não conseguia um papel, trabalhava na iluminação."

Muitos anos depois, é claro, Sandra Bullock parece estar com múltiplas tarefas, mas diz que produzir tem tudo a ver com saber delegar, contratar as melhores pessoas --incluindo as que fazem a estrela/produtora brilhar mais-- e deixá-las fazer seu trabalho.

Isso também vale para a escolha do elenco. Desde o início Bullock diz que procurava um parceiro igual para ajudar Gracie a carregar o filme. Ela o encontrou na alma gêmea King ("Ray", "Jerry Maguire"). Assim, Fuller faz uma imitação de Tina Turner para ter acesso a um camarim importante, com Gracie/Bullock usando uma roupa de corista e dançando ao fundo.

"Ela é uma pessoa corajosa", disse King. "Ela permite que outra atriz entre e não se sente intimidada. Gosta de contar uma boa história, e não é do tipo 'Eu quero brilhar'. Ela é do tipo: 'Eu sou a produtora. Meu nome está acima do título. Se fizer um bom trabalho e garantir que tudo no filme seja bom, então eu sou melhor'."

"Nós vamos ser os novos Mel Gibson e Danny Glover [a dupla de "Máquina Mortífera]", diz Bullock. "Aguardem." A atriz e produtora, sumida desde 2002, está em "Miss Simpatia 2" Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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