Trabalhadores negros não se beneficiam da recuperação de empregos

Mike Meyers
Em Minneapolis, Minnesota

Novos empregos têm surgido às centenas de milhares a cada mês, à medida que a economia americana continua a ganhar impulso.

Mas diferente das recuperações das recessões do início dos anos 80 e 90, as perspectivas para os adultos negros que estão à procura de emprego têm piorado, e não melhorado, após três anos de expansão econômica.

Barry Jennings, 40 anos, tem procurado por bolsas de estudo para ajudá-lo a aprender um ofício. Mas no ano passado ele ganhou muito pouco dinheiro no seu emprego em um restaurante para ter uma vida confortável, mas demais para poder se qualificar a um auxílio estudantil.

Ele disse que apenas a orientação de uma agência sem fins lucrativos, o Employment Action Center, o impediu de cair no desespero. Ele agora passa parte de seu dia nos computadores da agência à procura de auxílio estudantil e oportunidades de emprego.

"Eles dispõem de recursos para ajudar a guiá-lo em uma direção diferente", disse Jennings. "Eu teria desistido há muito tempo e estaria desesperançoso e desolado".

O forte mercado de trabalho dos anos 90 ajudou até mesmo ao mais problemático daqueles que procuravam emprego, já que as empresas lutavam para encontrar ajuda onde quer que pudessem achá-la diante de uma maior oferta de vagas do que de candidatos.

"Nós não apenas esperamos que o aumento da maré levante todos os barcos, mas geralmente esperamos que os barcos a remo recebam o maior impulso", disse Jared Bernstein, diretor do programa de padrão de vida do Instituto de Política Econômica, um centro de estudos de Washington, D.C.

Mas na atual recuperação, a taxa de desemprego corrigida pela sazonalidade para os homens negros com 20 anos ou mais está aumentando. Em fevereiro ela foi de 10,9%, um aumento em comparação aos 9,3% do ano anterior. A taxa de desemprego para as mulheres negras adultas foi de 9,1% no mês passado, em comparação a 8,8% no ano passado.

Em comparação, a taxa de desemprego para homens brancos foi de 4,1% em fevereiro, uma queda em comparação a 4,6% no ano passado. A taxa de desemprego para mulheres brancas foi de 3,9% no mês passado, uma queda em comparação a 4,2% em fevereiro de 2004.

Em 1992, após outra recessão, a taxa de desemprego para homens negros atingiu o pico de 13,7%. Em 1995, ela era de 7,7%.

No boom do mercado de trabalho dos anos 90, um estudo de William Rodgers, um economista da Universidade Rutgers, e de Richard Freeman, um economista da Universidade de Harvard, revelou que o percentual de homens negros empregados como parcela da população negra do sexo masculino tinha crescido 2,6%. Entre os novos trabalhadores, aqueles com menos de 10 anos de experiência de trabalho, a parcela de homens negros trabalhando cresceu 3,3%.

Na recessão de 2001, a percentual de pessoas empregadas nestes dois grupos caiu 0,8% e 2,2% respectivamente -e então piorou depois que a economia do país começou a crescer novamente. Durante 2002 e 2003, a percentual de homens negros empregados caiu 3,3% e de novos trabalhadores no mercado de trabalho caiu 5,4%.

Parte da explicação para o desemprego entre os negros pode ser encontrada na diferença de formação educacional que existe segundo as divisões raciais.

O censo de 2000 revelou que 34% dos cidadãos brancos de Minnesota, com idades entre 25 e 34 anos, possuíam formação superior. O número para os negros na mesma faixa etária era de 16%; 19% dos negros apresentavam 2º grau incompleto, enquanto apenas 4% dos brancos não concluíram o 2º grau.

"Nós corremos o risco de perder parte da natureza especial de Minnesota de ser um Estado de alta escolaridade, alta renda e baixa pobreza se não fizermos algo a respeito das diferenças de escolaridade", disse Tom Gillaspy, um demógrafo do Estado de Minnesota.

Gillaspy notou que a diferença de renda entre pessoas de formação superior e aquelas apenas com o 2º grau tem aumentado em todo o país.

Em 2001, homens de todas as raças com idade de 25 anos ou mais com diploma universitário ganhavam 175% a mais do que pessoas com diploma do 2º grau. Oito anos atrás tal diferença era de 171%. Mulheres com diploma universitário ganhavam 173% a mais do que mulheres sem um diploma universitário em 2001, um aumento em comparação a 168% a mais em 1993.

Explicar o motivo dos trabalhadores negros estarem encontrando mais dificuldade para arrumar emprego, mesmo durante uma recuperação, é uma questão complexa que provoca um debate considerável. Mas observadores apontam para uma série de possíveis explicações:

- O aumento do custo da educação torna o diploma universitário menos acessível para pessoas de famílias de baixa renda. Pessoas que vivem de assistência pública apresentam um problema especial.

Quando Samuel Presswood, 48 anos, um cidadão de Minneapolis passou a precisar da assistência pública, ele foi avisado que teria que parar de cursar a faculdade. As regras do bem-estar social exigem que ele passe 35 horas por semana à procura de emprego.

Ele sente como se tivesse entrado "em um sistema que diz que vai ajudar você, mas que lhe impõe uma série de obstáculos".

- A globalização transferiu para o exterior centenas de milhares de trabalhos de baixa qualificação para o exterior, e a tendência tem aumentado nos últimos anos.

- Conhecimento tecnológico é exigido em empregos que até recentemente eram considerados de baixa qualificação -motoristas de caminhões de entrega agora carregam rotineiramente computadores para registrar seus trajetos.

- Com o excesso de pessoas à procura de emprego, alguns empregadores podem considerar mais fácil selecionar os candidatos por uma série de critérios -incluindo raça.

"No boom, é mais caro para os empregadores discriminarem contra os trabalhadores", disse Rodgers. Mas quando o crescimento do emprego é baixo, "os empregadores utilizam uma série de critérios. É consistente a somatória de maior experiência com discriminação".

A situação traz implicações além das vidas daqueles em desvantagem.

"Altos índices de desemprego, particularmente entre jovens negros do sexo masculino, levam a uma maior criminalidade, vício em drogas e rompimentos familiares", disse William Julius Wilson, diretor do Programa de Pesquisa de Desemprego e Pobreza Urbana da Universidade de Harvard.

"A questão da pobreza realmente tem o potencial de crescer rapidamente", disse John Budd, um economista da Universidade de Minnesota. "Se você encontra bolsões onde pessoas realmente não vêem qualquer futuro, qualquer esperança, isto é transmitido para a geração seguinte." George El Khouri Andolfato

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