Políticos americanos já se preparam para as primárias das eleições de 2008

Margaret Talev
McClatchy News Service
Em Plymouth, New Hampshire

O líder da maioria republicana no senado americano, Bill Frist, diz que seria muito cedo para alguém começar a fazer campanha para a eleição presidencial de 2008, agora, na primavera de 2005.

Mas os republicanos do Tennessee que organizam um encontro de ativistas, um café-da-manhã que deverá ocorrer em um centro de convenções de New Hampshire, não parecem convincentes ao insistirem em dizer que as suas ambições presidenciais nada têm a ver com o motivo da sua segunda visita em um mês a um Estado conhecido por ser o palco das primeiras primárias presidenciais a cada quatro anos.

"Apoiar as nossas bases republicanas. Fazer com que no futuro este Estado deixe de ser 'azul' (cor dos democratas --em 2004, Kerry venceu no Estado, que elegeu governador democrata) e se torne 'vermelho (cor dos republicanos). É isso o que estamos fazendo", afirma Frist.

Os organizadores do café-da-manhã distribuíram cópias de um panfleto impresso pela biblioteca política estadual, cujo título é "New Hampshire: O Campo das Primárias Presidenciais Testado ao Longo do Tempo".

O líder do partido e republicano do Condado de Grafton, Bill Gabler, deu a Frist um chapéu com protetores de orelhas. Gabler brincou dizendo ter ouvido um boato de que Frist teria que voltar ao Estado com freqüência para ter oportunidade de usar o chapéu, um acessório para climas frios".

Apenas quatro meses se passaram desde a última eleição, e, na Nova Inglaterra, montículos teimosos de neve ainda estão sobre o solo desde a época em que o democrata John Kerry descobriu que perdeu a corrida presidencial.

Mas os próximos pré-candidatos à presidência já aparecem, mostrando-se acessíveis, e até mesmo familiares, tentando conhecer agora as pessoas que podem ajudá-las a obter mais tarde um apoio crucial, caso as suas candidaturas mostrem ser viáveis.

Isso vem acontecendo há anos, mas os habitantes locais suspeitam de que a campanha perpétua possa se tornar ainda mais perpétua desta vez, já que há a convergência de dois fatores.

Com o fim do mandato do presidente Bush, e a improbabilidade do vice-presidente Dick Cheney concorrer à presidência, vários republicanos, assim como democratas, vêem 2008 como a eleição aberta a todos.

Enquanto isso, alguns democratas de outras partes do país argumentam que New Hampshire é um Estado pequeno demais, de população muito branca e talvez demasiadamente liberal para continuar sendo o primeiro palco das primárias.

Se ativistas deste Estado apelidado de "Live Free or Die" ("Viver Livre ou Morrer") enxergarem as mais recentes tentativas de tirar as primárias daqui como uma ameaça, eles podem trabalhar no longo prazo para melhorar o desempenho da economia estadual e contribuir para definir aquilo que significa morar no Estado.

"Nova York tem a Estátua da Liberdade, e nós temos as primárias. Isso é algo que nos deixa muito orgulhosos", afirma o secretário de Estado de New Hampshire, Bill Gardner.

Mas isso não significa que a população em geral já esteja pronta para uma outra temporada eleitoral.

Quando um jornalista mencionou a frase "corrida presidencial de 2008" a transeuntes em cidades do Estado, em uma recente pesquisa destituída de metodologia científica, vários responderam com manifestações de desagrado, com aquele ar de resignação mal-humorada típico de um trabalhador que desliga o alarme despertador na segunda-feira pela manhã.

"A maioria de nós aceita as primárias como fato inevitável", explica Andy Subbiondo, 61, propagandista de rádio, enquanto toma uma cerveja no The Barley House Restaurant & Tavern, em frente à Assembléia Legislativa, em Concord. "É algo quase que contínuo, penso eu".

Faltando quase três anos para as primárias de 2008, ninguém é considerado um azarão. Desde novembro, Kerry e o seu ex-companheiro de chapa, John Edwards, visitaram o Estado separadamente. Newt Gingrich tinha uma visita planejada. Ativistas republicanos disseram que em breve o Estado poderá ser visitado pelos senadores Chuck Hagel, de Nebraska, Lindsey Graham, da Carolina do Sul, e pelo ex-deputado J.C. Watts, de Oklahoma.

O novo diretor do comitê de ação política do senador Evan Bayh, democrata de Indiana, esteve recentemente em New Hampshire, segundo um ativista democrata estadual. Durante viagens recentes a Washington, líderes empresariais de New Hampshire se reuniram com o senador John McCain, republicano do Arizona, que ainda possui fãs no Estado desde que participou das primárias de 2000, e com a senadora Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York.

Houve gestos similares entre ativistas democratas de New Hampshire e assessores de outros possíveis candidatos para 2008, incluindo o governador do Novo México, Bill Richardson, e o governador de Virgínia, Mark Warner.

Tom Rath, membro do Comitê Nacional Republicano e ex-procurador-geral de New Hampshire, uma das principais figuras políticas do Partido Republicano no seu Estado, disse que os candidatos têm-se engajado em "uma dança muito elegante e elaborada" nos últimos meses. "É preciso demonstrar interesse, mas não um engajamento ativo".

Para os políticos que disputarão a reeleição em 2006, a isso se soma a necessidade de se concentrarem, até lá, nas suas próprias bases eleitorais.

"A senadora Clinton não pode sequer pisar em New Hampshire até ser reeleita", diz Rath. "E o mesmo acontece no campo republicano, com o governador de Massachusetts, Mitt Romney, o senador por Virgínia, George Allen, e o senador pela Pensilvânia, Rick Santorum, todos possíveis candidatos à presidência".

Entre um grupo de alunos de segundo grau que visitavam Concord em um programa da YMCA (associação de jovens cristãos), havia bastante interesse sobre quais candidatos virão ao Estado.

"Há boatos sobre quem será o próximo a aparecer", diz Eoghan Kelley, 17, de Randolph. "Ouço esses boatos na escola e dos meus pais".

"Na minha escola há muita conversa sobre se o Partido Democrata será capaz de encontrar um candidato elegível em 2008", conta Jane Flegal, 17, de Nashua.

Segundo Flegal, vários dos seus colegas de escola gostam do senador Barack Obama, democrata de Illinois, mas acham que ele seria um candidato mais provável para 2012. Ela diz que alguns alunos usam pulseiras com a inscrição "Kerry 2008", e acrescenta:: "Vi broches de Hillary Clinton. E outros de Barack".

Romney é uma presença constante no Estado vizinho, onde passa férias. Se Romney decidir não tentar a reeleição, e em vez disso se concentrar inteiramente na campanha presidencial, alguns ativistas republicanos da Nova Inglaterra acham que o chefe de gabinete da Casa Branca, Andrew Card, que concorreu uma vez ao governo do Estado, possa se interessar pelo cargo.

Alguns republicanos que participaram recentemente de um jantar em Rockingam County, no Dia de Lincoln, indagaram se esse cenário teria influído na decisão de Card de fazer um discurso durante o evento, ou na de falar naquela mesma noite sobre o presidente Bush e a liberdade.

Embora Kerry tenha vencido em New Hampshire no outono passado, o Condado de Rockingam votou em Bush. O discurso de Card foi visto como um agradecimento a um condado leal. Mas a área de Hampstead, onde Card falou durante uma convenção especial, a Granite Rose, também fica próxima a Boston, e é a moradia de líderes empresariais que poderão influir ativamente na corrida ao governo de Massachusetts.

Na Granite Rose, estavam na audiência John Lyons Sr. e sua mulher, Maureen, um casal aposentado que há muito tempo exerce atividades políticas. John Lyons disse que gostaria de ver o ex-secretário de Estado Colin Powell disputar a presidência em 2008, tendo McCain como companheiro de chapa. Maureen Lyons disse que a chapa dos seus sonhos seria McCain para presidente, com a substituta de Powell, Condoleezza Rice, disputando a vice-presidência. "Isso tornaria a eleição muito interessante", afirmou.

Para John Lyons, é responsabilidade dos eleitores de New Hampshire pensar nos candidatos a candidatos à presidência com uma antecedência de meses, ou até de anos, com relação a outros eleitores norte-americanos, caso desejem que o Estado mantenha o seu cobiçado papel na próxima temporada de eleições primárias.

"Se não fôssemos os primeiros no país (para as primárias), não enfrentaríamos essa febre prematura de campanhas", disse. "Levo isso muito a sério. Seria um grande desapontamento se perdêssemos essa conquista".

Maureen Lyons disse que não quer perder o status e as vantagens associadas às primárias --conhecer pessoalmente todos os principais candidatos, dizer a eles quais são as principais questões que a preocupam, e descobrir, para satisfação própria, qual é a posição desses candidatos. Mesmo assim, ela admite que é possível ficar saturada.

"É ridículo", afirma entre risos. "Quanto tudo acabar não estaremos mais suportando as primárias". Republicanos e democratas agendam visitas para New Hampshire Danilo Fonseca

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