Chegou a hora de Schwarzenegger?

Gary Delsohn
do The Sacramento Bee

Talvez esteja na hora, na opinião de um crescente coro de líderes empresariais e estrategistas políticos, de o governador Arnold Schwarzenegger fazer um gesto corajoso.

Como alguém cujos erros políticos ultimamente superaram os triunfos, dizem eles, Schwarzenegger precisa declarar rapidamente que será candidato a governador no ano que vem, para reforçar sua impopular agenda do referendo em novembro próximo.

Com Schwarzenegger tentando levantar US$ 30 milhões a mais para a campanha antes da votação em 8 de novembro, anunciar que ele se candidará novamente pode ser a melhor aposta do governador republicano para angariar dinheiro e ganhar um impulso político muito necessário.

"A melhor certeza que ele poderia dar é dizer: 'Vejam, não apenas estou apoiando essas iniciativas como estou me candidatando à reeleição", disse Ken Khachigian, um advogado do sul da Califórnia e antigo estrategista republicano que foi um dos principais assessores de Ronald Reagan.

O motivo, segundo Khachigian e outros, é simples e pragmático.

"Há um punhado de contribuintes que vão ficar bem não importa o que aconteça, por isso eles não se expõem muito", disse Khachigian. "Mas depois há o pessoal da comunidade empresarial que contribui na faixa de US$ 10 mil a US$ 100 mil.

"No fundo de suas mentes eles estão pensando: se o governador não se candidatar e nós perdermos o governo, e investimos só um trocado para estrepar os sindicatos e os democratas e tudo o mais sobre essas questões, vamos pagar uma penalidade com o Legislativo se vier um governo democrata. E vai nos custar o dobro para voltar às boas com a liderança democrata."

Rob Stutzman, o principal porta-voz de Schwarzenegger, diz que o governador vai anunciar "quando ele tomar a decisão e estiver preparado".

Em particular, os principais assessores de Schwarzenegger não discutem a avaliação de Khachigian. Eles reconhecem que a comunidade empresarial e os apoiadores de Schwarzenegger estão ansiosos para saber que ele não voltará para Hollywood depois de apenas um mandato e uma atuação duvidosa. Os mais próximos de Schwarzenegger também dizem que ele percebe que não é mais possível esperar até o final do ano ou o início de 2006 para anunciar, como eles acreditam, que vai se candidatar novamente.

Larry McCarthy, presidente do Cal-Tax, um grupo de empresas que é contrário ao aumento de impostos e apóia fortemente Schwarzenegger, vê certa ansiedade de seus membros sobre os futuros planos do governador.
"Existe uma cautela excessiva de alguns em relação a contribuições, e eu acho que seria tranqüilizador para esses cautelosos se eles tivessem certeza dos planos do governador", ele disse.

A chamada agenda de reformas de Schwarzenegger enfureceu os democratas e os sindicatos de funcionários públicos, que já gastaram milhões em oposição a ele. Em momentos variados, ele defendeu a revisão das aposentadorias, a repressão aos maus professores e o reajuste da fórmula das verbas educacionais, aprovada pelos eleitores. Também se acredita amplamente que ele vai apoiar a Proposta 75, que alguns de seus apoiadores ajudaram a financiar. A medida visa dificultar a angariação de dinheiro pelos sindicatos de funcionários públicos para campanhas políticas.

Há duas propostas de Schwarzenegger sendo votadas neste momento. A Proposta 74, que dificultaria para os professores conseguirem estabilidade no emprego, e a Proposta 76, que daria ao governador novos poderes para cortar gastos. Uma terceira medida que ele apresentou, a Proposta 77, que mudaria a forma de delimitar os distritos legislativos, está pendente nos tribunais.

Se Schwarzenegger não se recandidatar, muitos especialistas políticos dizem que seria difícil para os republicanos manter o governo, já que não há um candidato forte do partido esperando nos bastidores.

O tesoureiro do Estado, Phil Angelides, e o auditor contábil, Steve Westly, ambos empresários ricos com gordos cofres de campanha, já disseram que estão tentando a nomeação democrata.

"Ele realmente se colocou em uma caixa", disse Ray McNally, um estrategista político republicano que se opôs a Schwarzenegger em diversas questões. "Parte do problema é que ele está tentando convencer a comunidade empresarial a gastar milhões de dólares em uma guerra que a maioria deles não quer, uma guerra que a maioria deles observa e se pergunta: que vantagem levamos nisso?"

McNally, que trabalha para o sindicato de guardas prisonais, que está em guerra com Schwarzenegger há pelo menos um ano, também disse que há um risco político para o governador se ele anunciar sua candidatura à reeleição cedo demais.

"No dia em que ele anunciar, se pensa que sofreu ataques nos últimos meses, espere para ver o que virá", disse McNally. "Há muitas pessoas que não querem vê-lo de volta, e elas vão persegui-lo com vingança. Ele será um alvo ainda maior."

Jack Stewart, presidente da Associação de Industriais e Tecnologia da Califórnia, admitiu que alguns de seus mais de 800 membros demoraram para preencher cheques para a campanha do referendo de Schwarzenegger.
Mas ele atribuiu a relutância às "indecisões sobre esta votação". Quando Schwarzenegger começar a fazer campanha para valer e não houver mais dúvida sobre o que está em jogo, o dinheiro deverá aparecer, disse Stewart.

"Ele já levantou US$ 20 milhões. Há possibilidade de outros 30 milhões... Não foi um caminho suave, mas não acho que o outro lado teve um caminho melhor. Todo mundo entrou nisto com as armas carregadas e começou a atirar", ele disse.

"Mas a maior pergunta este ano são as reformas que ele pôs em votação... Nós achamos que é absolutamente preciso mudar a cultura do Legislativo e que a iniciativa de gastos e a iniciativa da reorganização de distritos vão muito nessa direção."

O republicano Jim Brulte, um ex-líder no Senado estadual que apóia a agenda de Schwarzenegger, disse que o governador continua tendo forte apoio da comunidade empresarial da Califórnia.

Como McCarthy do Cal-Tax, Brulte acredita que o ex-governador Gray Davis foi exonerado e Schwarzenegger eleito em grande parte devido às preocupações sobre os déficits orçamentários crônicos do Estado e por causa da conversa democrata sobre aumentar impostos para cobrir o buraco. Mas Brulte também disse que potenciais contribuintes de campanha se sentiriam muito melhor sabendo que Schwarzenegger será novamente candidato no ano que vem.

"Há muitas pessoas na comunidade empresarial que estão contentes em seguir o governador na batalha", disse Brulte. "Elas apenas querem ter certeza de que ele está preparado para ser o general no comando nos próximos cinco anos."

Schwarzenegger pode angariar o que ele precisa para novembro mesmo que não declare antecipadamente que é candidato, acrescentou Brulte. Mas se o fizer "será simplesmente mais fácil". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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