James Cameron aprofunda-se na vida submarina e sua conexão com o espaço e no futuro do cinema

Evan Henerson
do Los Angeles Daily News

A frase "afundando com o navio" para sempre terá uma conotação especial para o diretor James Cameron, e não simplesmente por ter dirigido o filme "Titanic" e ter feito vários mergulhos para estudar o cruzeiro lendário afundado.

A mesma comichão exploradora que fez Cameron voltar ao Titanic para filmar o documentário em 3D Imax "Ghosts of the Abyss" ("Fantasmas do Abismo", 2003) levou-o a 11.000 pés de profundidade para um documentário diferente, "Aliens of the Deep", ("Alienígenas das profundezas") que recentemente estreou em meia dúzia de cinemas Imax da Califórnia (inclusive o Loews Cineplex da Universal CityWalk, o Edwards Valencia e o Bridge no Los Angeles Howard Hughes Center). Mas desta vez, em vez de procurar artefatos de luxo, Cameron e uma equipe de biólogos marinhos e astrobiólogos investigaram as criaturas das profundezas do mar e suas possíveis conexões com formas de vida extra-terrestres.

"Conceitualmente, tivemos que cobrir muito mais terreno (do que com
"Ghosts"); estamos contando uma história muito complexa", diz Cameron.
"Queríamos que as pessoas saíssem dali com dados científicos publicáveis e conseguimos isso."

É claro, uma coisa é a pessoa ser fascinada pelas estrelas -outra é ter
aceitação científica. "No princípio eles acham que você é apenas... a melhor descrição que ouvi foi: 'Eu pensei que você fosse um nojento de Hollywood. Mas você é um explorador'", lembra-se Cameron. "Eu pensei: 'Sim, ele está dizendo o que todo mundo está pensando.'"

Para os especialistas em "Terminator" e "Aliens", que se desesperam com a possibilidade de Cameron colocar de lado sua câmera para seguir carreira em biologia, não se preocupem. Cameron espera voltar a dirigir um filme de ficção, mas ele quer que as salas de cinema acompanhem a tecnologia de filmagem que atualmente prefere. Seu primeiro filme de ficção científica, "Battle Angel" deve ser filmado em 2006 para ser lançado em 2007 . Rapidamente, os projetores digitais estão substituindo os equipamentos de 35 mm, de acordo com Cameron. Depois, os cinemas adotam o som estéreo digital.

Cameron e outros diretores que estão de olho nessa tecnologia (inclusive
Robert Rodriguez, George Lucas e Peter Jackson) esperam que até 2007 haverá em torno de 1.000 telas nos EUA com capacidade digital estéreo. "Não posso fazer isso sozinho", diz Cameron. "Não posso fazer as pessoas adotarem esses sistemas de projetores e depois terem apenas um filme para passar."

Então, espere assistir "Battle Angel" em telas enormes Imax, com óculos de 3D ou fones de ouvido. O filme será o primeiro de uma possível série baseada nas aventuras de uma samurai cyborg saída das histórias em quadrinhos japonesas de Yukito Kishiro.

Será que o diretor não arrisca sacrificar parte de seu público filmando em 3D? Por que assumir esse risco? "Porque eu quero", responde Cameron, rindo. "É o tipo de filme que é um mundo, e você vai querer viver naquele mundo. Há algo na experiência estéreo que envolve a pessoa, que então fica muito mais consciente do ambiente", continua. "'Battle Angel' é um filme para maiores de 14 anos, mais do que um filme para maiores de 18. Não quero que os jovens não consigam ver o primeiro grande filme em 3D".

Enquanto o cinema evolui, Cameron não está parado. Como mostrou em "Aliens of the Deep", não é difícil para ele inventar novos lugares exóticos para explorar. Nascido no Canadá, o autor diretor uniu-se a pesquisadores da Nasa, do Laboratório de Propulsão a Jato e um grupo de pesquisadores cuidadosamente selecionados em instituições acadêmicas. Com essa equipe, filmou uma série de mergulhos nos oceanos Atlântico e Pacífico. Para maiores pesquisas, Cameron -que faz parte do Conselho Assessor da Nasa- gostaria de viajar pelo espaço, quando for a hora certa.

"Fiz o treinamento de cosmonauta. Eu ia levar meu sistema de câmera de 3D e filmar da estação espacial, mas não há clima para isso agora", diz Cameron. "Vou voltar à questão no futuro. Para mim, não é só ir para o espaço e dizer: 'Uau, eu estou no espaço'. Seria ir para lá com uma tarefa bem específica: ir como diretor para contar a história da adaptação humana a longos vôos no espaço."

"Mal posso esperar entrar num submarino novamente e ver algo de novo",
acrescenta. "Sempre tem alguma coisa que você ainda não viu, alguma coisa que as pessoas não esperavam ver." Realmente são surpreendentes as lulas Humboldt, as formações rochosas de 90 metros da Cidade Perdida, camarões cegos e invertebrados marinhos vermiformes descobertos pela equipe de Cameron. Dijanna Figueroa, bióloga marinha candidata ao doutorado pela Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, gostou particularmente de uma espécie de mexilhão, apesar de admitir que "não fazem grande coisa".

"Outras pessoas acham os invertebrados vermiformes bonitos. E encontramos águas-vivas bastante espetaculares", disse Figueroa, que participou do filme. "De muitas formas, as imagens são melhores do que vemos da janela do submarino."

O crédito se deve ao sistema de câmera de Cameron. Com seu irmão, Mike, o diretor desenvolveu o Sistema de Câmera Realidade, que permite filmar por horas em lugares onde sistemas de câmeras grandes não poderiam ter ido. Os veículos operados remotamente -os robôs- usados em "Ghosts of the Abyss" estão de volta para levar as câmeras a locais inacessíveis. "Desde criança, sonho em ser explorador", diz Cameron, "e agora de fato posso fazer isso e com algum grau de legitimidade." Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos