Katrina deve reduzir interesse pelo prêmio Emmy

Greg Hernandez
Los Angeles Daily News
Em Los Angeles

Com três estrelas de "Desperate Housewives" competindo pelo prêmio de melhor atriz, as possibilidades de suspense na transmissão da entrega do prêmio Emmy no domingo são melhores do que em anos.

Imagine as possibilidades.

Será que Marcia Cross, que famosamente não queria Teri Hatcher e seu maiô vermelho à frente e no centro da capa da revista "Vanity Fair", sorrirá entre dentes cerrados caso sua companheira de elenco morena fique com o Emmy? Será que Hatcher, vencedora do Globo de Ouro e do prêmio do sindicato dos atores se derramará em lágrimas se sua série de vitórias for quebrada por Cross ou Felicity Huffman?

Mas o maior suspense de todos: será que alguém estará assistindo à disputa destas rainhas da comédia-drama na transmissão da rede CBS da festa de premiação?

Neste ano, a festa do Emmy, o Oscar da televisão, será exibida poucas semanas depois do furacão Katrina ter devastado a Costa do Golfo, cuja recuperação ainda está nos estágios iniciais. E ainda há a questão pendente sobre se os espectadores estão ou não sofrendo de um caso crescente de fadiga de festas de premiação.

No outono passado, a transmissão do Emmy apresentou sua segunda pior audiência na história. Depois o Globo de Ouro, o People's Choice Awards e o Grammy levaram uma surra de audiência de episódios inéditos de "Housewives", cujos horários concorreram com os de cada uma destas cerimônias.

Será que as festas foram simplesmente vítimas dos acontecimentos viciantes da fictícia Wisteria Lane ou será que assistir um bando de artistas recebendo troféus e agradecendo seus colegas, agentes e parentes não é mais tão fascinante quanto costumava ser?

"Há certamente alguma fadiga de festas de premiação, há poucos anos eu perdi a conta delas", disse Robert Thompson, professor de cultura pop da Universidade de Syracuse. "De certa forma, o Oscar e o Emmy são os pais de todas as festas de premiação e são imunes a isto. Mas até aí, quem imaginaria que o Miss America deixaria Atlantic City para ser exibido em um canal a cabo que nem existia algumas décadas atrás."

Com a rede ABC programando a reprise do filme "Pearl Harbor" para concorrer com o Emmy, a festa poderá ter uma audiência maior, apesar de poder perder alguns espectadores mais jovens para a exibição pela rede WB (Warner), de "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei".

"Eu suspeito fortemente que a queda na audiência foi mais mérito de 'Desperate Housewives' do que uma fadiga genuína de festas de premiação", disse Tom O'Neil, editor do "The Emmy Book" e host do site sobre a festa de premiação na Internet, GoldDerby.com. "Festas de premiação costumam ocorrer nas noites de domingo, e não tínhamos um programa badalado nas noites de domingo. É um fator novo."

A volta da popular apresentadora anterior, Ellen DeGeneres, aumentou o otimismo dos executivos da CBS e dos membros da Academia de Artes e Ciências da Televisão.

DeGeneres foi apresentadora quatro anos atrás, quando o Emmy foi duas vezes adiado pelos atentados de 11 de setembro de 2001 e suas conseqüências. Quando a festa foi finalmente realizada, DeGeneres foi amplamente elogiada por seu trabalho.

"A forma como a televisão e a cultura estão absorvendo o Katrina é certamente diferente da forma como absorveram o 11 de setembro", disse Thompson. "Quatro anos atrás, toda a cultura foi colocada em pausa. Mas as pessoas continuaram assistindo comédias, dramas, e programas de TV realidade, mesmo quando as coisas estavam mais sombrias."

Mas o melhor que o Emmy tem a seu favor neste ano são as próprias indicações. O sangue novo de "Housewives" e de "Lost", o sucesso de audiência da ABC, reanimou um campo que tinha se tornado um tanto previsível com programas da TV paga como "Família Soprano", "Sex and the City" e "Curb Your Enthusiasm", que uma grande parte do público não assistia.

"Este foi um ano fantástico para a TV aberta; toda a badalação tem girado em torno de programas da TV aberta", disse Jack Sussman, vice-presidente de especiais da CBS. "Eu acredito que neste ano provavelmente temos o maior número de pessoas indicadas pela primeira vez em todas as principais categorias de atuação, e isto é bom para a televisão, bom para a transmissão do evento e bom para o Emmy".

As quatro maiores redes, após uma guerra de lances com a HBO, acertaram em 2002 pagar US$ 52 milhões por um rodízio do Emmy até 2010. Há alguma preocupação entre o conselho diretor da academia que CBS, NBC, ABC e Fox possam tentar renegociar o lucrativo acordo de vários anos caso a transmissão fracasse novamente em audiência neste ano.

"Quando você entra em um acordo de sete dígitos há responsabilidades", disse Todd Leavitt, presidente e diretor-chefe de operações da Academia de Artes e Ciências da Televisão (Atas). "Não se trata apenas de descontar o cheque uma vez por ano no banco. É nossa marca e temos um grande orgulho dela. Nós temos que fazer as coisas corretamente. Nós estamos muito otimistas e estamos trabalhando mais arduamente do que nunca."

O acordo de oito anos com as redes dá para a Atas US$ 5,5 milhões nos primeiros quatro anos, depois US$ 7,5 milhões nos quatro anos seguintes.

"Nós levamos nossa parceria com as redes extremamente a sério", disse Leavitt. "O público mudou e os números caíram de forma geral. O Grammy está tendo problemas, o Tony está tendo problemas, até mesmo o Oscar."

Além da contratação de DeGeneres, Ken Ehrlich, o produtor veterano de 25 transmissões do Grammy, substitui Don Mischer, que esteve no comando de todas as festas do Emmy, com exceção de uma, da última década.

"Agora que cabe a nós, nós buscaremos fazer o melhor que pudermos", disse Sussman. "Nós tivemos algumas idéias novas e estamos bastante otimistas. Nós ainda temos que dar os prêmios, mas a esperança é de que conseguiremos sacudir um formato cansado, que já existe há décadas, com pouca mudança." Batalha por premiações cansa o público; furacão disputa audiência George El Khouri Andolfato

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