Americanos preparam-se para o furacão Ophelia

Jim Nesbitt e Barbara Barrett*
Em Raleigh, Carolina do Norte
Raleigh News & Observer

O furacão Ophelia continuou em sua marcha hesitante para a costa da Carolina do Norte nesta terça-feira (13/09), levando a promessa de chuvas fortes, enchentes e erosão de praias.

O ciclone lento, que mal reconquistou a posição de furacão no final da terça-feira, deve atingir a costa hoje como tempestade de categoria 1, entre Wilmington e Cape Hatteras.

Seu traçado, entretanto, ainda é difícil de prever, advertiram os especialistas.

Autoridades municipais e estaduais de Cape Fear a Cape Hatteras fecharam escolas, balsas, uma ponte e dos dois maiores portos do Estado. Elas abriram 30 abrigos de emergência e emitiram ordens de evacuação obrigatória e advertências voluntárias para deixar trailers e áreas alagáveis.

O governador da Carolina do Norte, Mike Easley [democrata], instou o povo a atender ao pedido de evacuação. "As pessoas podem se ferir ou morrer se não responderem adequadamente e agirem com cuidado", disse Easley em conferência com a imprensa.

No entanto, no píer de pesca de Johnnie Mercer, em Wrightsville Beach, o avanço da tempestade atraiu espectadores. Às 15h30 de terça-feira, mais de 700 pessoas apareceram para ver as ondas levadas pelo vento se chocando contra pedras e praias.

O gerente do píer, Ryan Gregory, coletou dólares dos espectadores.

"É muito intenso", disse Gregory.

Apesar do ambiente de festa para alguns, outros disseram que a morte e a devastação do furacão Katrina tinham influenciado a forma como as pessoas estavam se preparando para o Ophelia.

Ken Humphrey, gerente geral da marina Coral Bay, em Morehead City, cerca de 240 km a sudeste do Triângulo, disse que os clientes tiraram seus barcos de perigo e armazenaram água potável.

"É apenas um furacão de categoria 1, mas será que o que parece coisa pouca para nós aqui pode ser algo muito mais terrível?" disse ele. "A atitude é um pouco mais sóbria por causa do Katrina."

Às 20h de terça-feira, o Ophelia voltou a ser considerado furacão, com ventos de 120 km/h. Ainda movendo-se para norte-noroeste a cerca de 5 km/h, o Ophelia estava 180 km ao sul de Wilmington, cidade portuária, cerca de 200 km a sudeste do Triângulo.

Quando chegar à Carolina do Norte, o furacão pode gerar de 12 a 20 cm de chuva ao longo da costa sul de Cape Hatteras, com algumas áreas recebendo 40 cm, disseram as previsões. O Triângulo, que está sofrendo com a seca, talvez receba apenas 2,5 cm de chuva.

O ritmo lento do Ophelia significa que as praias e ilhas serão golpeadas por mais tempo quando o furacão chegar.

"Essa coisa vai ficar tanto tempo, que haverá bastante erosão das praias. O Ophelia pode realmente se sentar e comer a costa da Carolina do Norte durante dias", disse Jeff Orrock, especialista em clima drástico do escritório de Raleigh do Serviço Nacional do Tempo.

Na terça-feira, a Atlantic Beach parecia um resort no inverno --céus pesados, ruas vazias, casas às escuras. No entanto, mensagens pintadas em madeiras anunciavam a temporada de furacões: "Não Ophelia", dizia uma. "Vá embora Ophelia, você não é bem vinda", dizia outra.

Em Cape Hatteras, Wells R. Bill, que trabalha em um barco de mergulho, planeja passar a tempestade em um trailer. Foi isso que fez quando o furacão Alex atingiu Outer Banks, em agosto.

"Sobrevivi ao Alex e nem estava atado ao solo", disse ele. "Desta vez estou".

John Hardison sobreviveu ao furacão Isabel em 2003 segurando um carvalho, depois que a tempestade inundou a aldeia de Hatteras e destruiu sua casa.

Ele se mudou para terras mais altas na ilha em Frisco, mas não tinha planos de fugir do Ophelia.

"Isso não passa de um nordeste", disse Hardison, 64.

Preparativos

Grande parte da terça-feira foi de espera pelo Ophelia, ainda bloqueado por uma cordilheira de pressão alta entre os Estados de Maine até Virgínia. A tempestade, então, vagou para oeste, dificultando a previsão de seu caminho.

"É como atingir uma parede", disse Orrock. "Ainda está se movendo para oeste lentamente. Está realmente tendo muita dificuldade em seguir para o norte."

Quando esse sistema de alta pressão for embora, o Ophelia deve virar para o norte, depois nordeste, disse Orrock. Se isso acontecer, a tempestade deve atingir a terra perto de Cape Fear e Wilmington, ao meio dia de hoje, antes de virar para nordeste ao longo da costa para Pamlico Sound.

Mas se essa alta pressão continuar a deter o Ophelia, a tempestade pode atingir a costa a sudoeste de Cape Fear, possivelmente ao longo da costa norte da Carolina do Sul, disse Orrock.

Se a tempestade seguir o caminho projetado, o Triângulo terá mais que 2,5 cm de chuva hoje e algumas ventanias de 65 a 75 km/h, disse Orrock. Ela deixaria 5 cm de precipitação ao longo da planície costeira ao sul de Wilson, ajudando os produtores rurais da região seca, que abriga três importantes plantios --algodão, milho e soja.

Se chegar antes de Cape Fear, o Triângulo pode receber de 5 a 10 cm de chuvas.

"Está tudo tão seco que pode chover bastante antes de vermos alagamentos", disse Orrock.

Os sistemas de resposta ao desastre do Estado entraram em ação na terça-feira, com o início de operações de 24h no centro de emergência de Raleigh.

Guardas estaduais, membros da Guarda Nacional e equipes civis de resgate foram distribuídas pelo leste da Carolina do Norte.

Além disso, cerca de 200 especialistas em desastres da Agência Federal de Administração de Emergência (Fema) estão no Estado. Um almirante da Guarda Costeira vai coordenar a ajuda federal, medida incomum em operações da Fema.

Chip Till, 34, em Wrightsville Beach, preparava abobrinha, abóbora e a famosa salada de galinha do restaurante Robert's Market --com vinho e leite.

"Estou cozinhando o jantar hoje", disse ele, que já tinha um barril de chope na casa para um jogo de pôquer. Till não se preocupa com os avisos do governo sobre o Ophelia.

Quanto às advertências do governador, ele disse: "Bem, isso é apenas por causa do que aconteceu. Se não fosse pelo Katrina, todo mundo seria complacente."

*Com reportagem de Jerry Allegood e Wade Rawlins. Alarmados com as mortes do Katrina, Carolina do Norte mobiliza-se Deborah Weinberg

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