Schwarzenegger buscará reeleição na Califórnia

Gary Delsohn
Em San Diego
The Sacramento Bee

Esperando injetar uma dose muito necessária de entusiasmo e dinheiro na sua campanha eleitoral especial, o governador Arnold Schwarzenegger anunciou nesta sexta-feira (16/09) que tentará obter um mandato integral e que concorrerá ao governo do Estado no ano que vem.

"Não estou querendo três anos", disse ele ao fim do fórum "Ask Arnold", que teve a duração de uma hora. "Para terminar o serviço, quero sete anos. Sim, vou concorrer novamente".

O anúncio abrupto e sem rodeios contrastou bastante com o drama e o suspense que cercaram a sua decisão inicial de concorrer ao governo, revelada 25 meses atrás no programa Tonight Show, com Jay Leno.

"Achamos que algo tão sério merece um fórum muito especial", disse aos repórteres Todd Harris, porta-voz da campanha especial para a eleição de Schwarzenegger.

O governador republicano de 58 anos, que deveria fazer o discurso sobre a sua linha de ação na convenção estadual do Partido Republicano, na sexta-feira, em Anaheim, sugeriu que dará uma outra declaração, há muito antecipada, na convenção, e que endossará a Proposição 75, a chamada medida do "consenso do empregado", à qual se opõem veementemente os trabalhadores organizados.

A iniciativa exigiria que os sindicatos dos funcionários públicos, que são a principal fonte de recursos eleitorais dos democratas na Califórnia, obtivessem consenso antecipado por escrito dos seus membros antes de usarem dinheiro dos seus associados para fins políticos.

"As reformas que estamos sugerindo não são boas para os chefões dos sindicatos", disse ele a 200 pessoas em um velho teatro no centro da cidade. Um número similar de manifestantes sindicais protestava em frente ao prédio, denunciando que ele não cumpriu as suas promessas de financiar integralmente a educação, além de ter movido uma guerra injusta contra enfermeiras e outros funcionários públicos. Os ativistas gays também exibiam cartazes de protesto contra o recente veto do governador à lei que permitiria o casamento entre homossexuais.

"E agora ele quer concorrer novamente?", questionou Jane Bausa, conselheira de um distrito escolar de San Diego. "Teremos mais quatro anos de promessas não cumpridas? Estou aqui para fazer com que ele saiba que nós somos o povo, e que não estamos satisfeitos com o seu governo".

O anúncio da campanha de Schwarzenegger pela reeleição ocorre em um período crítico para o ex-astro de Hollywood. Ele está lutando para reverter a sua queda de popularidade nas pesquisas e para ganhar a aprovação dos eleitores para três medidas eleitorais relativas à eleição especial convocada para 8 de novembro. Os republicanos o vinham pressionando a dar essa declaração agora, para sinalizar aos doadores e voluntários republicanos que ele está engajado em um projeto político de longo prazo.

Em uma entrevista neste verão ao jornal "The Bee", Schwarzenegger disse que não decidiria nada quanto a uma possível campanha no ano que vem até depois do Natal, porque não queria perturbar a mulher e os quatro filhos, que não escondem o fato de que preferem que ele volte para casa e deixe a política.

"Não tenho dúvida de que esse anúncio foi planejado para este momento particular com o objetivo de gerar apoio financeiro e político para campanhas debilitadas", afirmou Larry Gerston, professor de ciência política da Universidade Estadual de San Jose. "Este é o momento para o governador tirar coelhos da cartola".

Os democratas foram rápidos em dar sinais de sua campanha contra a reeleição do governador.

"Sob qualquer ótica, Arnold Schwarzenegger é um governador fracassado, um político de fotografias, que deixou atrás de si uma longa trilha de promessas descumpridas e de oportunidades perdidas", disse o tesoureiro do Diretório Estadual do Partido Democrata, Phil Angelides, que há alguns meses anunciou que concorrerá à eleição para governador no ano que vem.

O inspetor estadual Steve Westly, que planeja disputar a vaga de candidato com Angelides na primária democrata em junho do ano que vem, disse: "Schwarzenegger perdeu a confiança do povo deste Estado. É óbvio que ele está lutando contra dificuldades, e que está fazendo tudo para tentar aumentar o apoio à sua candidatura".

Apoio do eleitorado democrata

Alçado ao cargo durante a histórica disputa eleitoral com o democrata Gray Davis, em outubro de 2003, Schwarzenegger, um ex-fisioculturista e ator célebre de filmes de ação, nascido na Áustria, estabeleceu uma agenda ambiciosa para reformar o governo estadual e colocar sob controle o orçamento cronicamente deficitário da Califórnia.

Ele se juntou a Westly e outros democratas para a aprovação das proposições 57 e 58, em março de 2004, que proporcionam autoridade conjunta e alguns controles de gastos para o equilíbrio do orçamento. Ele também chegou a um acordo com a poderosa Associação de Professores da Califórnia quanto a garantias para financiamento das escolas contidas na Proposição 98, com o objetivo de ajudar a equilibrar o orçamento do ano passado.

Em setembro de 2004, a sua popularidade atingiu níveis quase históricos --dois terços dos eleitores da Califórnia disseram aprovar a sua gestão.

Mas desde então as coisas ficaram nitidamente mais difíceis. Na mais recente pesquisa Field, feita no mês passado, apenas 36% dos eleitores aprovaram o seu desempenho.

O discurso de Schwarzenegger sobre a situação do Estado, e a proposta de orçamento anunciada em janeiro, pediram medidas para reformar as pensões dos funcionários públicos, a instituição de pagamentos por mérito aos professores, a implementação de rígidos controles orçamentários, com o potencial para reduzirem as verbas destinadas às escolas e a transferência da reformulação dos distritos políticos do Legislativo para o Judiciário.

Ele também reconheceu que a condição fiscal do Estado não permitiria que ele repassasse imediatamente às escolas o dinheiro do qual o sindicato dos professores concordou em abrir mão um ano antes.

Além disso, o seu governo agiu no sentido de adiar a implementação do índice de enfermeiras por habitantes, uma medida que foi decidida quando Davis era governador. Isso fez com que o sindicato das enfermeiras o processasse no sentido de fazer com que a medida voltasse a vigorar. O sindicato passou também a organizar furiosas manifestações de protestos em vários eventos públicos.

Além das manifestações democratas e sindicais, a agenda de Schwarzenegger motivou uma série de propagandas televisivas contra o governador. Schwarzenegger alega que essas propagandas distorceram o seu histórico de trabalho. Segundo certas versões, os sindicatos gastaram US$ 40 milhões neste ano para atacar Schwarzenegger e lutar contra as suas propostas.

A sua popularidade também foi prejudicada por uma série de erros. Erros de redação de propostas o obrigaram a abandonar a medida relativa às pensões, e a proposta de pagamento por mérito também foi descartada. Neste verão foi divulgado que ele assinou um contrato multimilionário com revistas importantes que obtêm grande parte dos seus lucros com propagandas de suplementos dietéticos que eram o alvo da legislação vetada pelo governador.

"Ele iniciou o seu governo sem apoio democrata porque, sob o ponto de vista de vários democratas, Schwarzenegger roubou o cargo de um governador íntegro e recentemente eleito", afirma Dart Sragow, consultor político democrata de Los Angeles, que trabalhou na campanha de Schwarzenegger pela aprovação das proposições 57 e 58.

"Os democratas acalentaram Schwarzenegger porque gostaram da sua mensagem bipartidária, segundo a qual todos somos californianos e temos que trabalhar em conjunto para resolvermos os problemas do Estado", diz Sragow.

Depois disso, a popularidade de Schwarzenegger despencou, quando ele começou a entrar em atrito com os democratas.

"Resta saber se ele será capaz de trazê-los de volta", diz Sragow. "Ele não será capaz de vencer contando apenas a base republicana, e, em política, é muito difícil trazer de volta as pessoas que debandaram". Governador perdeu popularidade que alcançou no início da gestão Danilo Fonseca

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