Lembrando James Dean, 50 anos após sua morte

Don Mayhew
The Fresno Bee
Em Fresno, Califórnia

O fantasma de James Dean ainda assombra Cholame.

Por toda esta cidade do condado de San Luis Obispo, o mato seco que cobre as colinas escarpadas balança suavemente com a brisa. O verão está prestes a acabar, assim está quente, mas não de forma insuportável. O sol se arrasta pelo céu na maioria das tardes, pairando como o capataz preguiçoso de Dean na varanda da mansão texana de "Assim Caminha a Humanidade".

Ao lado do Jack Ranch Cafe, um memorial a Dean erguido em 1977 por um dono de hotel japonês está em mau estado de conservação. Leves manchas cobrem as bordas do nome do ator em uma placa de metal brilhante. As letras parecem ter sido arrancadas por vândalos.

Grandes moedas de metal com a imagem de Dean, incrustadas em troncos, ou foram roubadas ou a resina que as protegia foi raspada, lascada ou destruída. Em um ponto há uma pichação "Izan & Katie". Uma garrafa vazia de cerveja estava jogada em meio às pedras na base do memorial.

Em 30 de setembro fará 50 anos desde que Dean encontrou seu destino final em um acidente de carro a quase um quilômetro daqui, perto da intersecção das estradas 41 e 46. Apesar de o ator só ter estrelado três filmes, ele continua sendo um dos ícones mais duradouros dos Estados Unidos.

Para celebrar (camisetas no café proclamam: "50º aniversário - onde tudo começou), um funcionário do restaurante disse que o memorial será restaurado. Uma exibição de carros clássicos ocorrerá ao meio-dia de 30 de setembro e 1º de outubro.

Por todo o país, as engrenagens do comércio estão girando por James Dean. Um festival está sendo planejado neste mês em Fairmount, Indiana, sua cidade natal. O fotógrafo Dennis Stock, que fotografou Dean para a revista "Life", tem um novo livro. A Warner Home Video lançará dois DVDs biográficos poucos meses após o lançamento de "The Complete James Dean Collection". Uma galeria de Atlanta está exibindo fotos de Dean e de autoria dele.

Por que toda a agitação?

Pergunte a Shelby Legnon, 35 anos, um guitarrista de rockabilly de Santa Cruz que já visitou o memorial de Cholame meia dúzia de vezes.

Apesar de ser jovem demais para lembrar da ascensão de Dean ao estrelato, Legnon disse que é fácil entender o motivo do legado do astro permanecer potente 50 anos depois.

"Ele representa a juventude eterna", disse Legnon, se encostando no memorial. "Se James Dean tivesse sobrevivido, ele não seria o ícone que é. Ele apenas seria um velho, como (Marlon) Brando ou Montgomery Clift ou qualquer um dos atores com os quais Dean atingiu a maioridade.

Bruce Austin, do Instituto de Tecnologia de Rochester em Nova York, onde dirige o departamento de comunicações da universidade, disse que o acidente de carro de Dean foi trágico mas afortunado.

"Por que o consideramos hoje tão memorável?" ele disse. "Foi ele ou seu assessor de imprensa que cunhou a frase pela qual Dean viveu o resto de seus dias: 'Viva depressa, morra cedo e deixe um cadáver de boa aparência'."

Austin não sugere que a morte de Dean foi premeditada.

Eu estou certo que foi um comentário de improviso, não algo em que pensaram muito", disse ele. "Era apenas uma boa frase. E eis um sujeito que fez o que disse."

Durante o início dos anos 50, Dean dividiu seu tempo entre Hollywood e Nova York, atuando em comerciais, peças e programas de televisão. Sua ascensão foi meteórica: interpretando o gêmeo maligno na adaptação de 1955 de "Vidas Amargas" de John Steinbeck, que lhe valeu uma indicação ao Oscar.

Em 30 de setembro daquele ano, acelerando seu Porsche Spyder que apelidou de "Little Bastard" (pequeno bastardo), o ator colidiu com um Ford Sedan dirigido por um estudante universitário de Tulare, chamado Donald Turnupseed. Dean morreu quase instantaneamente.

Quatro dias depois, foi lançado "Juventude Transviada". Interpretando Jim Stark, um adolescente confuso com pais ineficazes, Dean passou a simbolizar o comportamento adolescente.

Legnon --exibindo tatuagens coloridas em ambos os braços, uma camisa azul Surly Wench Pub, jeans preto, cinto, sapatos e costeletas compridas-- parecia ter saído de um catálogo de "Juventude Transviada".

Ele disse que o filme é o seu favorito de Dean.

"O que ele estava vestindo na época exemplifica a aparência", disse Legnon. "Havia o fator bacana, mais do que a atuação. Quando eu assisto a seus filmes agora, a interpretação dele parece exagerada."

Não que isto importe. Richard Thompson, um professor de cultura popular da Universidade de Syracuse, em Nova York, disse que a aparência jovem se dilui com o tempo para a maioria dos atores. Não para Dean.

"Não há nenhuma evidência de James Dean parecendo outra coisa a não ser o rebelde bacana, arredio, sem causa", disse ele.

Austin, 53 anos, disse que o filme fez um perfeito sentido para uma geração que amadureceu sob as circunstâncias mais prósperas, uma situação que Hollywood explorou rapidamente.

"A loucura mostrada lá é a loucura que você vive na adolescência", disse ele. "Quando nós vemos um filme com aquele título, ele representará alguma coisa para nós."

Dean tinha completado outro filme antes de sua morte, "Assim Caminha a Humanidade", estrelado por Rock Hudson e Elizabeth Taylor. Apesar de seu nome aparecer em terceiro lugar, Dean praticamente roubou o filme ao interpretar um personagem que ao longo de 40 anos passa de caubói a magnata do petróleo.

Ele indica um potencial que o ator de 24 anos ainda não tinha tido a oportunidade de explorar. Exceto por ter interrompido precocemente a carreira de um ator promissor, a morte de Dean provavelmente não afetou o curso do cinema americano --ou mesmo da cultura jovem. Brando foi um ator que exibiu um aspecto rebelde semelhante no cinema.

"Dean era um ator de excelente aparência e que também sabia atuar", disse Austin. "Se ele não tivesse existido, alguém teria ocupado seu lugar. Hollywood nunca enfrentou escassez de homens e mulheres bonitos para usar em seus filmes."

Ainda assim, disse Legnon, Dean acrescentou um elemento singular na cultura popular americana que é imitado até hoje.

"Quando você pensa a respeito", ele disse, "Elvis estava tentando ser James Dean". Ator é duradouro ícone do cinema mesmo tendo feito só três filmes George El Khouri Andolfato

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