Aliado de Bush indiciado por lavagem de dinheiro

R.A. Ryder*
Fort Worth Star-Telegram
Em Austin, Texas

O deputado americano Tom DeLay foi novamente indiciado na segunda-feira (03/10) --desta vez por lavagem de dinheiro-- em um processo criminal com amplas implicações políticas no Texas e em Washington.

O indiciamento acusa DeLay, republicano de Sugar Land, de evadir a lei do Estado contra contribuições de corporações a campanhas políticas e foi emitido por um recém inaugurado grande júri no condado de Travis.

DeLay e seus sócios já tinham sido acusados em um processo com outro júri de Travis, no dia 28 de setembro, último dia do mandato do júri.

DeLay chamou a nova acusação de uma "abominação da justiça" levada pelo promotor do condado de Travis, Ronnie Earle. Ela foi emitida enquanto os advogados de DeLay entravam com uma moção para refutar a primeira acusação contra ele, alegando que a lei que teria infringido não estava em vigor na época da alegada ofensa.

"Ronnie Earle caiu muito baixo em seu abuso da promotoria", declarou DeLay. "Ele está tentando me incriminar. Ele sabe muito bem que as acusações apresentadas contra mim na semana passada são totalmente manufaturadas e ilegítimas."

Mais de 40 indiciamentos foram negados até agora na investigação de 2,5 anos de Earle sobre as táticas de campanha republicanas durante as eleições de 2002 no Texas. A investigação se concentra em alegações de que DeLay e outros usaram de artifícios para burlar a lei do Estado que proíbe contribuições de empresas às campanhas.

DeLay, 58, é especificamente acusado de conspirar com Jim Ellis, de Washington D.C., e John Colyandro, de Austin, para converter US$ 190.000 (em torno de R$ 430.000) de doações de várias empresas em doações de campanha para sete candidatos republicanos à Assembléia estadual.

De acordo com o escritório do promotor, esse dinheiro foi enviado de Austin para Washington e depois de volta para o Texas na forma de contribuições a candidatos para a Assembléia estadual. A lei do Texas considera crime corporações e sindicatos contribuírem para candidaturas políticas.

A promotoria diz que os indiciamentos de segunda-feira acusam DeLay, ex-líder da maioria na Câmara, de lavagem de dinheiro e de conspiração para cometer lavagem de dinheiro. O indiciamento também consolida acusações anteriores contra Colyandro e Ellis.

Este indiciamento envolve uma pena muito mais dura do que o entregue na semana passada.

Se for condenado por lavagem de dinheiro, que é um crime de primeiro grau, DeLay poderá pegar entre cinco anos até prisão perpétua e multa de até US$ 10.000 (aproximadamente R$ 22.500). A conspiração para cometer a lavagem de dinheiro é um crime de segundo grau, passível de até 20 anos na prisão e multa de até US $ 10.000.

As novas acusações aconteceram horas depois dos advogados de DeLay pedirem uma moção para diminuir as acusações iniciais de conspiração. Os advogados de DeLay basearam-se no argumento de que a lei que teria sido violada só entrou em vigor em 2003 --um ano depois das transferências de dinheiro.

"Peço que você concorde em desistir imediatamente do indiciamento para que as conseqüências políticas sejam revertidas, uma vez que o senhor disse não ser politicamente motivado", disse o advogado de DeLay, Dick DeGuerin, de Houston, em uma carta a Earle.

George Dix, professor de direito da Universidade do Texas, especialista em questões eleitorais, acredita que DeGuerin está errado em alegar que a queixa de conspiração inicial contra DeLay não era válida em 2002, quando teria sido cometida a ofensa.

A sessão legislativa de 2003 simplesmente tornou explícito o texto meio "desajeitado" da lei, que já considerava crime concordar em violar leis eleitorais, disse Dix.

"Não vejo razão para pensar que em 2002 não era crime de conspiração concordar em violar as eleições", disse ele.

Bruce Buchanan, professor de ciências políticas da Universidade do Texas, disse que o novo desdobramento prejudica a imagem de DeLay.

"Certamente não ajuda sua imagem ter outro indiciamento nas primeiras páginas dos jornais em todo o país", disse Buchanan.

DeLay já foi forçado a deixar a posição de líder da maioria da Câmara. Ele deve aparecer no tribunal no condado de Travis em Austin no dia 21 de outubro para ouvir formalmente as acusações que pesam contra ele.

Cultura da corrupção

Políticos democratas rapidamente condenaram DeLay e os líderes republicanos em Washington e Austin.

"O segundo indiciamento do congressista DeLay é outro exemplo de que os republicanos no Congresso sofrem de uma cultura de corrupção e corporativismo, à custa do povo americano", disse Jennifer Crider, secretária de imprensa da líder democrata da Câmara, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia.

O ex-deputado Chris Bell, democrata de Houston que está concorrendo ao governo e entrou com uma queixa de ética contra DeLay no ano passado, respondeu rapidamente ao mais recente indiciamento.

"Tom DeLay precisa parar de culpar outras pessoas e assumir a responsabilidade por sua própria corrupção", disse o porta-voz de Bell, Jason Stanford.

Mas Kevin Madden, porta-voz de DeLay, disse que Earle estava buscando "justiça partidária" e iniciara novo indiciamento na segunda-feira porque o primeiro seria derrubado pela justiça.

"Compreendendo plenamente seu erro em produzir acusação ilegítima e sem base, que não se sustentaria contra o senhor DeLay, Ronnie Earle entrou em pânico e decidiu persuadir outro grande júri a acatar sua nova e ridícula acusação", disse Madden.

*Colaboraram John Moritz, Jack Doulas Jr. e Maria Recio. DeLay, ex-líder republicano na Câmara, se complica ainda mais Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos