Relatório associa anúncios de televisão com obesidade infantil

Michael Doyle
em Washington
do McClatchy News Service

Anúncios de televisão estão levando as crianças a consumirem dietas calóricas e pouco nutritivas, concluiu um estudo federal divulgado na terça-feira (06/12).

Com investimentos de US$ 10 bilhões (em torno de R$ 22 bilhões) por ano em propaganda de alimentos e bebidas para crianças e jovens, os meios de comunicação estão cobertos de anúncios questionáveis. Se a indústria não mudar seu comportamento pouco saudável, talvez o Congresso tenha que interferir, afirma o estudo do Instituto de Medicina.

"As atuais práticas da indústria alimentícia colocam em risco a saúde das crianças no longo prazo", advertiu Michael McGinnis, acadêmico do Instituto de Medicina.

Isso pode ser um problema para personagens como Count Chocula, Trix Rabbit e Ronald McDonald, que exemplificam o uso de desenhos infantis criticado no novo estudo. O relatório observa, por exemplo, que a rede McDonald's tem um contrato de 10 anos com a Disney, enquanto a Burger King tem contratos com a Dreamworks e a Nickolodeon.

"Gostaríamos de pensar que Bob Esponja, Shrek e as princesas da Disney são personagens adoráveis a amigos, mas estão sendo usados para levar crianças vulneráveis a fazerem escolhas insalubres. Isso tem que parar", declarou o senador democrata de Iowa Tom Harkin.

Harkin usou sua posição no Senado para obter a quantia necessária para o estudo, de US$ 1 milhão (em torno de R$ 2,2 milhões).

O Instituto de Medicina, afiliado à Academia Nacional de Ciências, revisou centenas de estudos científicos para fazer o trabalho.

Os pesquisadores encontraram "fortes evidências" que a propaganda na televisão influencia as preferências de comidas e bebidas entre crianças de 2 a 11 anos de idade. Eles concluíram que "a maior parte da propaganda" promove justamente os produtos que as crianças deveriam evitar.

"São alimentos de alto teor calórico e que contêm poucos nutrientes, que não são recomendados para crianças", disse Ellen Wartella, professora de psicologia da Universidade da Califórnia em Riverside, que participou do estudo.

A Grocery Manufacturers Association respondeu que "muitas das recomendações do comitê" já foram adotadas voluntariamente. A associação, por exemplo, distribuiu recentemente 4 milhões de cópias de um plano de aula para o ensino fundamental sobre a pirâmide alimentar.

"Os membros da GMA assumiram o compromisso verdadeiro de ajudar os americanos a terem vidas mais saudáveis", disse o vice-presidente da associação, Richard Martin.

O elo entre os anúncios de junk food e obesidade na juventude é forte, apesar de não ser definitivo, observaram os pesquisadores. Os índices de obesidade triplicaram entre crianças e adolescentes nos últimos 40 anos, observam os cientistas.

O estudo está repleto de detalhes suculentos sobre o marketing dos produtos. Um exemplo é Tony o Tigre, que este ano está sendo promovido com uma campanha de US$ 20 milhões (em torno de R$ 44 milhões). "Tony o Tigre foi criado em 1951 para promover flocos de milho cobertos de açúcar da Kellogs", observa o estudo, em um de muitos exemplos. "Recentemente, ele foi reformulado para parecer mais magro e forte, na medida em que os americanos ficaram mais preocupados com a saúde."

Os cientistas observam que:

- Com dois ou três anos de idade as crianças já conhecem os nomes das marcas. Crianças com menos de 6 anos reconhecem as marcas quando vêem a cor dos pacotes ou os personagens associados.

- 96% das crianças reconhecem o rosto de Ronald McDonald.

- Cerca de metade de todos os anúncios para crianças na televisão promovem produtos para comer e beber, primariamente cereais matinais adoçados, balas e bebidas adoçadas.

- O consumo de sal e carboidratos aumentou entre crianças nas últimas décadas e houve um aumento constante na quantidade de calorias consumidas fora de casa.

"Essa é uma questão que precisa da colaboração de todos", disse McGinnis.

Os cientistas recomendaram uma campanha governamental nacional para promover a alimentação saudável. Alívios fiscais e subsídios a empresas que estimulam a alimentação saudável entre crianças também trariam benefícios, sugerem.

Também foi recomendado que personagens famosos de desenho animado promovessem apenas produtos que fomentam dietas saudáveis. Um "sistema de classificação" poderia indicar a qualidade nutricional dos alimentos, sugerem os cientistas. Eles exortam a indústria de entretenimento e alimentícia a "incorporarem histórias que promovam a alimentação saudável em seus programas, filmes e jogos." Deborah Weinberg

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